Royal Cafe

Happy Halloween!!

Outubro 31, 2009 · Deixe um comentário

Em Outubro de 2005 um grupo de artistas juntou-se em benefício da UNICEF, para criar um vídeo alusivo/festivo ao dia de Halloween.

O colectivo respondeu pelo nome de North American Hallowe’en Prevention Initiative e era composto por:

Win Butler & Régine Chassagne (Arcade Fire)
Beck
Feist
Devendra Banhart
Thurston Moore (Sonic Youth)
Roky Erickson
Peaches
Dntel
Syd Butler (Les Savy Fav)
David Cross
Elvira, Mistress of the Dark
Karen O  (Yeah Yeah Yeahs)
Jenny Lewis & Blake Sennett (Rilo Kiley)
Dan Boeckner & Spencer Krug (Wolf Parade)
Steve Jocz dos Sum 41
Nick Diamonds e J’aime Tambeur (Islands)

E, da iniciativa, resultou este tema/vídeo, intitulado “Do They Know It’s Halloween?”:

Já tem uns anitos, mas vale sempre a pena ver.

E, com isto, seguem-se os desejos do Royal Cafe de um Feliz Dia de Halloween para todos os visitantes.

Volto em breve.

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Royal Cafe Convida: The Lost Cavalry

Outubro 3, 2009 · Deixe um comentário

The Lost Cavalry é o novo projecto musical de Mark West (ex-membro de Fanfarlo) que, juntamente com Oliver (dos XUP), Dave (dos The Injection) e Nick (Amber Meissner), promete bastante para o ano que se avizinha.

Encontram-se actualmente a gravar o primeiro Ep e pelo meio tiveram tempo de passar por cá e gravar dois vídeos exclusivos para o Royal Cafe (filmados e produzidos por BON Productions), dos temas “Secret Steps” e “Oh Sally”, ambos em versão acústica.

Website

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Foi uma honra recebê-los cá. Voltem sempre!

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Mestres, Vencedores e Detractores

Outubro 1, 2009 · 1 Comentário

Saudoso regresso, este que enfrento. Nostalgia essa que invade uma sustenida palpitação, nesse adorno sonoro da humilde madeira a ranger. Deixo entrar luz no espaço, suspiro e retomo a actividade no salão. Limpo o pó, que abunda. E, desenfreado, sacudo um vinyl que ali pernoitou, noite após noite, perdido entre a desgastada protecção que a sua capa noutros tempos lhe prometera e o ar sujo e abandonado que o seu novo habitat tardou em apresentar. Contudo, constato que resistiu. Ao rude desarrumo. Envelheceu, do jeito que se quer. Sem perder a magia daquele primeiro acorde inesquecível, irreverente e impulsivo.

Soa música no espaço, abre-se o Café. O público espreita, desconfiado, do lado de fora. Sorrio, compreensivo, e agito-me até à porta. Peço lume, ao que não me negam. Apregoo o programa do dia e observo as reacções. Um misto de curiosidade e de receio – próprios do termo ‘cinema’. Dois fregueses voltam costas, cospem para o chão e afastam-se. Sorrio de novo, saúdo os restantes com um ligeiro toque no chapéu que herdei do meu avô e retiro-me para o interior. Regressa a azáfama. Preenchem-se as mesas. Saem cafés, chás, pastéis de belém. Pulveriza-se o ar com fumo e regressam as eufóricas gargalhadas dos jovens que brincam próximo do palco. Eu, anfitrião do convívio gerado, discurso do balcão. Agradeço a presença de todos. E saúdo a mais um aniversário do Royal Cafe, entretanto passado com a porta fechada. Agradeço novamente à presença de todos.

E dou início ao serão.

Mestres

Andava prometida uma análise profunda ao mais recente filme de P. T. Anderson – “There Will Be Blood“. Como não me pretendo alongar, e porque quero aproveitar a visita para comentar mais algumas obras recentemente vistas, fico-me pela reflexão em jeito de cabeçalho. “There Will Be Blood” é uma brilhante analogia ao passado recente da história norte-americana, em jeito de crítica metafórica. Isto é, partindo de um caso específico narrativo – a odisseia de Daniel Plainview em busca da fortuna petrolífera pelo solo norte-americano – P. T. Anderson lança-se numa crítica feroz à obsessão petrolífera que tem predominado na sociedade contemporânea. Constatemos os factos: Daniel Plainview não olha a meios para invadir território alheio e usa os artíficios que pode para cair nas boas graças populares – o uso que ele faz do adoptado filho para seduzir os proprietários dos terrenos; a história recente norte-americana fez-se de uma invasão territorial justificada pela posse ilegal de um suposto armamento químico que não tardou em confirmar-se inexistente – e o senso comum global reconheceu o infame pretexto para almejar algo mais. Daniel Plainview deparou-se, na sua odisseia, com credos religiosos distintos e “combateu” os obstáculos que estes lhe apresentaram – a crença promovida por Eli Sunday, o extremista pregador que dinamiza a mentalidade do povo; a invasão norte-americana promovida por distintos países do Golfo Pérsico motivou um choque cultural de crenças e originou uma oposição religiosa, dita extremista. A título de figuração máxima da metáfora, e porque isto vai em jeito de cabeçalho, no final do filme surge sangue, qual mensagem crítica relativa ao prenúncio de conclusão mais que esperada quando o assunto em questão se revela tão sério – a obsessão, no seu sentido literário mais puro, nunca será saudável. A obsessão petrolífera, no seu denominador comum, gera sangue. Infelizmente.

P. T. Anderson, cineasta máximo, explora subtilmente os terrenos da sua narrativa, sem nunca se deixar perder na crítica facilitista em detrimento da estrutura do filme e consegue aqui, a meu ver, um dos mais brilhantes exercícios cinematográficos da década. Pela mestria com que filma cada sequência (os dez minutos iniciais sem qualquer diálogo são fantásticos, ao melhor nível do estilo Sergio Leone), pela densidade com que explora os impressionantes personagens imortalizados por Daniel Day Lewis e Paul Dano (muita atenção a este jovem actor, é que só tenho visto coisas muito boas dele), pela composição do ambiente que as suas imagens criam em parceria com a música de Johnny Greenwood (membro dos Radiohead) e, acima de tudo, pelo virtuosismo com que manipula a sua linguagem cinematográfica em perseguição de uma crítica intemporal, primeiro, à natureza humana, e específica, em segundo, à história recente do povo que o viu nascer.

O quanto me regozijo cada vez que penso que P. T. Anderson desistiu de levar a cabo um curso de cinema logo no seu primeiro dia, porque um suposto professor lhe contrapôs o seu gosto cinematográfico. Coisas da vida.

Outro dado curioso prende-se com o passado de Quentin Tarantino. E também com a sua suposta falta de academismo. Ficou-se pelo clube de vídeo e não ingressou num curso de cinema. Pois. Afinal criticam-no porque ele copia muitas coisas de outros filmes e etc. Mas aos detractores já lá vou e, estranhe-se, não o vou fazer em relação ao cinema de Tarantino. Mas, para já, e porque a secção é de Mestres – “Inglorious Basterds“.

Sou fã de Tarantino há largos anos. Aliás, foi muito graças aos filmes dele que decidi ingressar num curso superior de cinema e inclusive explorar a possibilidade de algum dia vir a fazer cinema. Lembro-me de ver “Reservoir Dogs” com uns 8 ou 9 anitos e de sentir o estrondo que aquele filme para mim representou desde então. Obra máxima de Tarantino até ao momento, no meu gosto pessoal, e expoente máximo do cinema como arte em estado puro. Vibrei com “Pulp Fiction”, adorei a trama de “Natural Born Killers” (apesar de saber que ele próprio não gostou do filme que Oliver Stone criou - o que me deixou ainda mais curioso pelo guião original do filme), senti-me realizado ao ritmo de ”Jackie Brown”, gostei da loucura de ”True Romance” e de ”From Dusk Till Dawn”, compreendi “Kill Bill” e inclusive senti o suspense apalavreado de “Death Proof”. Ah, e delirei com o seu excerto de “Four Rooms”! Posto isto e compreendida a minha idolatração pela sua obra, e mais concretamente pela sua escrita cinematográfica (que reconheço poucos que se lhe comparem no feito), dá para perceber a minha ansiedade pelo seu novo e mais que aguardado capítulo, de seu nome ”Inglorious Basterds”. 

“Acho que esta pode bem ser a minha obra-prima.”, frase com que termina o filme, diz tudo. Eu também desconfio que tal aconteça. E que não o seja reconhecido nos próximos tempos. “Inglorious Basterds” é um filme novo de época, com uma abordagem revitalizante e inventiva, ou não estivesse em causa o génio de Tarantino. E o é também, a meu ver, uma obra máxima de cinema, à frente do seu tempo. Enalteço a sequência inicial (brilhante, brilhante), a sequência do bar na cave (e ainda assim tive pena que Tarantino não explorasse mais o pormenor dos personagens escritos nas cartas do jogo), a derradeira sequência que remete todo o mal para uma salvação cinematográfica, o humor dos basterds, a ironia do austríaco, as diversas homenagens à história do cinema (que vai do cinema de propaganda nazista, à mente aberta da nouvelle vague, ao western spaghetti de Leone, ao estilo noir, gangster, ao caso “Marlene Dietrich”, etc, etc).

Quentin Tarantino é um amante de cinema, ponto. E um mestre a renová-lo.

Vencedores

Vi o “Up” em 3D e senti-me uma criança de novo. Foi fantástico deixar-me levar numa aventura fabulosa a bordo de uma casa flutuante e viver um filme de animação como há muito não o conseguia fazer (já vai longe o mítico Fievel). Parabéns à Pixar uma vez mais por ter criado um dos melhores filmes de animação de sempre e elevar a audiência de Cannes (já o havia sido uma vitória o facto de preencher a programação da sessão inaugural da mais recente edição do mítico festival) e palmas aos seus criadores por, munidos da mais interessante ciência da animação da actualidade, não a deixarem sobrepor à narrativa – razão primeira desse mágico processo bilateral ao qual gosto de chamar cinema.

Palmas para Salaviza (para além da já recebida em Cannes), modestas, mas verdadeiras - as minhas. Fui a correr ao Arrábida, desesperado por conseguir entrar na sessão das 18:25 a tempo da visualização de “Arena“. Saí de Santa Catarina ao ritmo de Usain Bolt, entrei no Douro com braçadas semelhantes às de Phelps e subi a colina de Gaia na bicicleta que outrora foi de Vanessa Fernandes, disseram-me. Mas o carro era mesmo branco e o trânsito nunca pior. Entrei na sala e já o filme passava na tela. Sentei-me para amenizar a pulsação e entreguei-me às imagens. Cativantes, desde logo. João, se estiveres a ler isto, eu comecei a ver o filme a partir do momento em que o Mauro pede a um rapaz do exterior que lhe faça o favor de despejar o lixo, pela janela. Por não saber se perdi muito do filme, não pude tirar as devidas conclusões. Se estiveres a ler isto, por favor conta-me tudo aquilo que perdi para trás. Ou envia-me essa cópia…. Gostei bastante da composição da maior parte dos planos, da fotografia, do dramatismo e densidade da trama, dos personagens (interpretados de forma bastante convincente pelos respectivos actores), da cenografia (o carro no qual o puto ‘Alemão’ opera é digno de registo) e dos locais onde o filme foi rodado – serve tudo na perfeição a história que penso ter compreendido. Nota maior para a panorâmica vertical que culmina com a aproximação de Mauro a um dos jovens que o assaltou, numa das pontes dos singulares edifícios comunitários e da violência que a precede – seca, real, agressiva – que tão força tem pelo afastamento com que é filmada (boa manipulação do psíquico sensatorial do espectador, se é que o posso dizer). Gostei também do pássaro que voa no plano final, mas tenho receio de o comentar sem ter visto a parte inicial do filme (ou seja, a interpretação que lhe dei pode não ser a mais correcta). Parabéns João, boa sorte para o périplo de festivais que se adivinha e continuação de um bom trabalho. Pelo bem do cinema português.

Queria também deixar uma breve nota para Neil Blomkamp neste capítulo e para o visionário Peter Jackson. Ao primeiro pela excelente conquista que é a sua primeira obra “District 9” – abordagem renovada ao género Sci-Fi e excelente metáfora ao Apartheid revestida de uma temática “extra-terrestrial”. Ao segundo pela coragem que teve em apostar num projecto situado fora do mainstream e das paisagens centradas no coração norte-americano, desenvolvido por sul-africanos e com actores totalmente desconhecidos. Saiu a ganhar o cinema, com um excelente filme dotado de efeitos visuais acima da média e o próprio Jackson, já que o filme tem sido um sucesso de bilheteiras a nível global.

Detractores

Em jeito de despedida, e porque esta conversa não interessa assim tanto, queria apontar o dedo a duas situações específicas, mas não assim tão singulares:

- Reparei há dias num jornal que leio regularmente com apreço – “Ipsilon” – num depoimento de Joaquim Leitão, inserido num artigo sobre o cinema de Pedro Costa e sobre a reedição da sua obra “O Sangue”. Pois Joaquim Leitão confrontava gerações de cineastas portugueses, a sua e a que lhe precedeu (nomeadamente a de ‘60) e referia que nesta última havia ‘uma espécie de pureza. O facto de um filme ser exibido já era algo um bocadinho sujo’. Manuel Mozos, no mesmo artigo, diz a respeito do mesmo: ‘havia um lado, quase statement, de não se importarem que os filmes não fosses vistos’. E a essa geração digo ‘obrigado’! Obrigado por terem delegado essa mentalidade que não se mune mais do que de egoísmo artístico num povo que perdeu o interesse pelo seu cinema. Obrigado por imporem as vossas regras ao longo das últimas décadas no sistema de produção cinematográfica nacional, tão parco e infeliz em termos de títulos qualitativos. Obrigado por monopolizarem com essa filosofia demasiado autoral para ser saudável um programa de atribuição de subsídios preso a currículos esporádicos de personalidades que não fazem filmes para ser vistos e/ou produtoras que se vêem sobreviventes às custas dos mesmos. Salve-se o tempo e a nostalgia do passado. Salve-se a gente, que é outra. Assim o espero.

Não o entendam como um desabafo de um pretenso cineasta, mas sim de um jovem espectador e amante de cinema que bem tenta reconciliar-se com o cinema do seu país, sem sucesso. Tal como tantos.

Aponto igualmente o dedo aos detractores do costume - a maioria dos críticos de cinema portugueses. Não é meu costume pronunciar-me sobre tais opiniões e respectivas divergências de gostos que de forma natural se associam ao processo. Aliás, até sou daqueles que respeita a perspectiva dos outros de forma veemente e não me inibo quando se trata de fazer questão de o demonstrar. Contudo, porque hoje o capítulo é para isto, não me pode passar ao lado uma crítica que me entristeceu. Refiro-me à visão de L. M. Oliveira sobre o mais recente filme de Ang Lee, “Taking Woodstock” e à crítica elaborada pelo mesmo sobre a interessante abordagem que Lee fez a um dos maiores acontecimentos do século passado. Que não goste do filme, muito bem. Que contraponha as intenções de Lee e justifique com elementos do seu conhecimento e gosto pessoal, tudo muito bem. Agora, uma coisa que me marcou no seu texto: “até a lama é muito limpinha”?? É munido de argumentos como este que uma pessoa com o seu conhecimento cinematográfico se pretende debruçar sobre determinado filme e, assim, automaticamente influenciar inúmeros leitores que aos seus textos recorrem no sentido de buscar motivação para assistir a x ou y? Vocês, queiram essa faceta ou não, são ‘opinion-makers’ e, como tal, não seria nada mau medir algumas das abordagens a que o vosso elitismo forçado vos obriga. Porque, em sentido último, vocês são os primeiros a trabalhar a educação cultural do país e, muitas são as vezes, parecem teimar em esquecer que o cinema não é só um código intelectualizado que só tenha valor quando pretenda ou consiga superar as convenções do género a que se pretende. Também não lhe peço que em vez da lama que não era suficientemente suja, que fale sobre a homenagem que Lee faz a Godard no travelling que acompanha a mota ao longo da engarrafada estrada repleta de milhares de jovens festivaleiros (que só por si é visualmente impressionante e convincente – ao contrário da lama, como diz), tal como o francês havia feito em Weekend de uma forma semelhante. Não, não lhe peço isso. Mas acho que Taking Woodstock não deveria ser marginalizado como aparentemente está a ser feito pelos críticos de cá, só porque a forma como está filmado e contado é demasiado simpática para entrar nesses quadros elitistas que tão erradamente têm educado o nível cultural cinematográfico do cidadão português.

Felizmente o cinema, para mim, é muito mais do que isso.

Volto em breve. Obrigado pela presença.

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Cem Posts de Solidão

Agosto 6, 2009 · 4 Comentários

É com a primeira tentativa forçada de enganar o cliente na história do Royal Cafe que inicio a celebração do 100º post. Isto porque, apesar da óbvia alusão do título ao magnífico romance de Gabriel Garcia Marquez, da história do Royal Cafe não reza o sentimento solitário.

Sei hoje, quase dois anos depois de ter aberto as portas do Royal Cafe, que a boa recepção da vossa parte a algum do conteúdo que aqui tem vindo a ser exibido/debatido me dá uma crescente força e vontade de manter o espaço saudável e espero que atractivo à vossa visita.

Passando aos números, o Royal Cafe abriu as portas no passado dia 17 de Setembro de 2007 e conta com um total de 19.368 visitas (até à hora em que comecei a escrever este post), tendo obtido no mês de Dezembro de 2008 o número máximo de visitas mensais com 1.629 visitas. O Post/Evento mais visitado até hoje prende-se, curiosamente, com o motivo principal da abertura das portas. Como é sabido, sou um adepto entusiasta da música de Zach Condon (aka Beirut, principalmente) e, admito, se hoje celebro o 100º post do blog, tal não seria possível se o fascínio que desenvolvi em torno da música de Zach não me tivesse dado a tal força extra que se prende com o acto de iniciar um blog. Contabilizando, o “popular” post ‘O Multicultural Zach Condon’ conta já com 3.481 visitas e 25 comentários oriundos de distintos pontos da comunidade ‘falante’ em língua portuguesa. Todos os dias continua a ser visitado por vários adeptos entusiastas da obra de Zach, o que não deixa de ser curioso o facto de este post ter ganho vida precisamente no dia em que abri as portas do espaço. É para mim uma enorme alegria saber que diariamente consigo fornecer uma sustentada dose de informação sobre o tema aos demais ‘peregrinos’ apaixonados pela obra de Zach. Posto isto, e em forma de celebração, vou dedicar este post a Zach Condon e a todos os seus demais seguidores, reforçando-o com uma agradável novidade sobre o mesmo.

É, acima de tudo, uma enorme honra e consequente orgulho para mim saber que uma ideia que criei, e cuja tenho vindo a desenvolver neste espaço, tem conquistado seguidores e, de certa forma, se tem tornado interessante para uma comunidade já mais ampla do que alguma vez imaginei ser possível. Obrigado a todos vós por me darem essa força necessária à constante manutenção e actualização de um espaço que se pretende lúdico. Espero que nos próximos 100 vos consiga agradar como o penso ter feito até hoje ou, simplesmente, corresponder às expectativas que a data histórica já obriga.

Assim, porque hoje é um dia festivo, queria divulgar junto de vós uma obra que me tem gerado uma agradável curiosidade.

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“Paper Heart” é um filme de Nicholas Jasenovec e foi o grande vencedor do prémio do público de Sundance no presente ano. Como é já senso comum, Sundance tem uma relativa facilidade de lançar fenómenos no circuito de cinema independente mundial e, para não fugir à regra, “Paper Heart” aparenta ser um desses casos. Com o actor sensação de ‘Juno’ (o sucesso independente de 2008), Michael Cera e com uma aparente narrativa original – a comediante Charlyne Yi decide fazer-se à estrada com a ideia de filmar um documentário sobre a questão do amor e, após conhecer Michael Cera e Nick Jasenovec, pede-lhes ajuda para o desenvolver, todos eles interpretando-se a si próprios no filme – o filme estreia amanhã nos EUA e promete ser uma saudável sensação nas bilheteiras. Para mim, este é o mais forte candidato a sucessor dos conquistadores fenómenos independentes que foram “Garden State” em 2004, “Little Miss Sunshine” em 2007 e “Juno” em 2008.

TRAILER

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Para todos aqueles que já estão com essa cara de desagrado a perguntar-se onde é que entra Zach Condon no meio disto tudo e onde pára a minha prometida novidade, sigam este link.

Eu estou curioso. Por Paper Heart e pelos próximos 100 posts. E vocês?

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A Midsummer Night’s Post

Agosto 3, 2009 · 1 Comentário

Estive um tanto ou quanto afastado do Royal Cafe nos passados meses e não me orgulho disso.

Por outro lado, orgulho-me de algum do trabalho que se definiu prioritário nos últimos tempos e que, de certa forma, me ocupou a genica e iniciativa que até então canalizava para o desenvolvimento deste espaço. Criei um novo embrião que, ao que tudo indica, vai ver luz nos próximos meses – a rodagem do filme já está marcada e aguardo ansioso pelo resultado final do mesmo – e estou bastante satisfeito com o meu contributo para o mesmo. Pela primeira vez escrevi uma longa a partir de um tema que me foi sugerido e creio que, polindo-o à minha medida, lhe consegui dar uns contornos bem interessantes. Pelo menos consegui deixar-me ansioso, enquanto espectador, de ver em tela determinadas sequências que, com o contributo necessário dos actores, realizador e demais elementos técnicos, podem denotar uma certa espécie de magia cinematográfica. E isso, a meu ver, essa ansiedade propícia de jovem criador ‘babado’ (ou orgulhoso, em eufemismo) pelo seu trabalho, já é um bom começo. Ou, aliás, o começo exemplar. Nenhum criador deve sentir que a sua obra toma forma sem ir de encontro ao seu agrado e às desejadas emoções que provoca. Em simultâneo, é igualmente errado saber que a sua obra só lhe agrada a si. Ser verdadeiro consigo próprio. Nunca egoísta. A comunicação faz-se de forma bilateral. Pelo menos, falando de cinema.

Posto isto, e porque me tenho sentido em pertinente dívida para convosco, caros clientes e usuários do Royal Cafe, obrigo-me a actualizar-vos com algumas das experiências vividas nestes meses de Verão.

Estive um dia no Primavera Sound 09 e presenciei algumas das boas surpresas musicais do evento. Num dia em que os consagrados Bloc Party, Jarvis Cocker ou Bullet For My Valentine centravam a maioria das atenções, foi pelos diversos palcos constituintes do espaço Primavera (no aprazível Forum de Barcelona) que encontrei os pontos fortes da noite. Bem cedo cheguei ao clímax da tarde/ noite. E bastaram, para isso, apenas 3 músicas. Mas 3 músicas de Kitty, Daisy and Lewis não são só 3 músicas. Em jeito de showcase, o jovem trio de irmãos britânicos (acompanhados pelos seus pais e por um trompetista convidado), conseguiu reunir centenas de curiosos que, em poucos minutos, criaram a sua própria festa, swingando irresistivelmente aos acordes e melodias do carismático conjunto.

Deixo-vos uma imagem.

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E o myspace.

Noutro palco, mais tarde, dancei entusiasmado com o rock envolvente e festivo dos The Extraorinaires. Soaram-me a uma espécie de Sublime meet Beach Boys meet Beatles meet Franz Ferdinand. Gostei bastante e recomendo vivamente.

Deixo imagens.

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E o myspace.

A outra grande experiência da noite deu de seu nome Dan Deacon Ensemble. Um espectáculo impressionante de interacção com o público, de mutação rítmica e crescendos estrondosos, de impressionismo visual em palco (seja pelos dotes técnicos dos intérpretes ou simplesmente pela inúmera colecção de adereços e membros do Ensemble). Não conhecia o projecto, nada esperava dos mesmos. Saí maravilhado, completamente atordoado no bom sentido e rendido à verdadeira experiência que é uma actuação de Dan Deacon Ensemble. Aliás, recomendei-o de imediato a amigos próximos, dado que no dia seguinte actuaram no Serralves em Festa. Dan Deacon Ensemble não é uma promessa, mas sim uma certeza. Pura diversão garantida.

A melhor imagem que consegui, entre pelos arrepiados e coração a elevadíssimos BPM’s.

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E o myspace.

Sinal positivo para Bat For Lashes, Bloc Party e The Pains of Being Pure At Heart. Nota de total incompreensão para Sunn O))) (e tive lá mais de meia hora a tentar perceber no que é que aquilo dava, sem sucesso).

Finda a boa experiência que foi ‘viver’ o som da Primavera (fiquei muito entusiasmado com futuras edições, dada a excelente montra de música alternativa que o festival apresenta), passo à enumeração de alguns álbuns que têm merecido a minha atenção neste verão de 2009:

- Os nossos Sean Riley & The Slowriders, com um excelente regresso em “Only Time Will Tell”;

- O senegalês Baaba Mal e o seu recém-editado “Television” (já me havia agradado a sua colaboração no projecto “One Giant Leap”);

- Os Ep’s e Myspace de Bark Cat Bark, jovem prodígio cidadão do mundo, que ao estilo de Zach Condon/Beirut, consegue criar as melodias mais interessantes da música folk actual;

- O sempre louvável regresso de Dave Matthews Band com “Big Whiskey And The GrooGrux King”;

- Patrick Wolf, com “The Bachelor”;

- Regina Spektor, com “Far”;

- Tony Allen, com “Secret Agent”;

- Rodrigo Leão and Cinema Ensemble, com “A Mãe”;

- Florence and The Machine, com “Lungs” e o fantástico single “Rabbit Heart (Raise It Up)” (que não me canso de ouvir em modo repeat).

Estes álbuns e mais alguns compõem a minha versão de “On The Road”, de Jack Kerouac, apaixonante livro que me tem acompanhado ao longo deste verão de 2009, emprestando uma banda-sonora mais actual à incrível road-novel que influenciou e “baptizou” a  invejável geração beat. Partilham também uma quota-parte na inspiração que me proporcionou chegar ao resultado final do já referido guião. Para mim não existe imaginação sem uma identidade musical que a acompanhe. Seja a ler. Seja a escrever.

Por fim, quero só deixar uma nota sobre os 3 últimos filmes que vi. Curiosamente, tratam-se de 3 filmes que me irão influenciar o estilo de escrita por muitos e longos anos, como filmes referência. E, igualmente curioso, são os 3 completamente distintos uns dos outros.

“Elizabethtown”, de Cameron Crowe (2005)

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Gosto bastante da obra de Cameron Crowe. É um dos meus maiores modelos de guionista/realizador. “Almost Famous” e “Jerry Maguire” tocaram-me bastante, no seu tempo e “Elizabethtown” andava debaixo de olho há já algum tempo. Confesso que o início do filme até me estava a desagradar, em jeito de cliché desinteressante (excepto a voz off inicial que está bem conseguida) e de retrato de desespero gratuito e pouco convincente. Contudo, com o desenvolvimento do filme, observamos também uma criação de um humor muito próprio, muito subtil, muito negro e, consequentemente, muito interessante. A história de amor habitual cedo se desmistifica numa linguagem singular, informal e entusiasmante. A sequência da conversa por telefone entre Drew e Claire deambulará por muitos anos na memória do espectador, tal como a magnífica actuação de Susan Sarandon (que actriz gigante!) no memorial do falecido marido (que texto tão brilhantemente escrito e que emocionante cena tão bem conseguida – é mesmo o clímax do filme, exemplo de clímax que todos nós argumentistas buscamos incessantemente) e toda a música que Crowe justificadamente selecciona para a banda-sonora ajudam a tornar a visualização de Elizabethtown uma experiência comovente e inesquecível.

Como pequeno anexo queria só apontar um pormenor que genialmente sintetiza toda a mensagem do filme – O personagem de Orlando Bloom encontra, no final e após uma interessante road trip pela América profunda, a felicidade total junto da sua amada (Kirsten Dunst), na 2ª maior feira de agricultores do Mundo. Porquê 2ª maior? Porque os segundos são os primeiros dos últimos. Os primeiros dos fracassados. E o filme não é sobre um fracassado que, em situação de total desespero, encontra um motivo de felicidade? Pormenores que fazem a diferença. E tornam as coisas grandiosas.

Em “Cloverfield”, de Matt Reeves (2008), descobri outro pormenor igualmente interessante e igualmente genial.

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Achei toda a experiência da sua visualização algo deveras interessante. Porque, de certa forma, inova em conceito (apesar de outras tentativas como O Projecto Blair Witch já o terem explorado) e em técnica. Mais em técnica, digamos. Porque “Cloverfield” fá-lo, arrisca uma invulgar linguagem cinematográfica, desafiando a predisposição do espectador. Mas fá-lo mesmo muito bem. Ao longo do filme eu só pensava que tudo tinha sido muito bem estudado neste filme. Todo o movimento de câmara, todo o jogo de actores, toda a acção que decorre repleta de CGI e, acima de tudo, todo o espectador. Porque é um risco colocá-lo em primeira pessoa, torná-lo parte da estratégia a que se propõe. Mas “Cloverfield” consegue-o tão bem, consegue ‘manipular’ o espectador através de uma suposta gravação amadora de handycam que, a determinado momento do filme, nós já nem nos damos conta do brilhantismo que engloba toda a criação do filme. E, na sequência em que os personagens atravessam de um prédio para outro que está torto e desnivelado do solo, o personagem que transporta a câmara ao longo de quase todo o filme coloca-a no solo e esta, automaticamente e dado o desnível do solo, desliza por si própria até esbarrar numa pequena pedra que a ampara e permite continuar apontada para o centro da acção. Mais uma vez, um pormenor técnico que abrilhanta o todo. Que passa quase despercebido, mas ajuda a resultar. E a perdurar. “Cloverfield” é uma experiência única de acção e interacção com o conhecimento comum cinematográfico do espectador, impondo uma linguagem inovadora e desafiando-o a viver uma experiência de uma forma mais realista. Conseguiu vingar no que se propôs. E, assim, torna-se uma referência na história do cinema.

Por último, e porque o vi ontem, “Sunset Boulevard”, de Billy Wilder (1950).

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O que dizer desta obra-prima? O que dizer desta narrativa tão única e genial que se torna épica? “Sunset Boulevard” é um filme arriscado sobre a indústria de Hollywood (e do mundo do cinema, um pouco por toda a parte), lugar esse que vinga através das caras famosas e dos mitos que gera, em desprezo de inúmeros profissionais talentosos que dão tudo para que um filme se concretize e perdure (o contraste entre o fascínio que uma ex-glória do grande ecrã promove sobre os demais entusiastas pelo meio, e não só, e a festa dos “secundarizados” cargos técnicos do mesmo – guionistas, assistentes de realização e demais técnicos paralelos à fama e ao sucesso). “Sunset Boulevard” é uma atroz crítica ao glamour que Hollywood origina e à obsessão que os seus intervenientes obtêm com o passar dos anos, no confronto com o esquecimento (que triste foi observar Buster Keaton reduzido a desinteressantes jogos de Bridge entre esquecidas velhas glórias), uma análise ao poder material que o sucesso no meio origina e uma acusação aos prolíferos estúdios norte-americanos que, sem escrúpulos, desenvolvem uma gigantesca indústria doentia. A sequência final da escadaria é memorável, de negra e doentia, o famoso desejo de Close-Up de Norma Desmond é um marco na história do cinema, uma provocação inteligente a todos os espectadores que, por sua vez, são a razão principal da existência dessa indústria. “Sunset Boulevard” não se descreve. Vê-se e admira-se. Até porque, pelo meio de tudo isto, é um filme noir com um ritmo impressionante. E com diálogos memoráveis a la Billy Wilder.

Soube também este Verão que Cameron Crowe registou em livro 1 ano de entrevistas suas a Billy Wilder, de seu nome “Conversations with Billy Wilder”.  E, de forma natural, assumiu-se como o topo das preferências na minha listinha de compras.

Até breve. O Royal Cafe vai muito em breve retomar a sua programação cultural, com muitos e bons convidados.

Cumprimentos do Proprietário.

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18 Segundos

Julho 30, 2009 · 1 Comentário

“18 Segundos”, uma curta-metragem de Bruno Zacharías e Miguel de Olaso “MacGregor”.

Eu gostei. E vocês?

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A Luta do Guionista (ou em inglês: Scriptwriter Vs. The World)

Julho 8, 2009 · Deixe um comentário

Escrever um guião é como estar numa conversa importante e procurar sempre a certeza de todos os caminhos que pisa. O guionista prende-se com uma luta constante de abordar sempre temáticas que, de uma forma ou de outra, sejam verdadeiras. Porque ao mínimo risco que corra, terá sempre do outro lado algum espectador que a confronte. E, garanto-vos, desse outro lado há sempre essa obsessão extrema da contraposição.

Imaginem-se numa reunião. Vocês são vendedores de profissão e encontram-se ali para tentar “impingir” o vosso produto (pode ser, vá lá, um microondas). Certifiquem-se que dominam todas as características do produto, as suas vantagens, bem como toda a radiação envolvente e suas consequências. Tenham sempre a certeza de não cair num tema ou num enigma que não possam resolver. Porque, como vocês sabem, o conhecimento superior do vosso cliente pode ser o suficiente para arruinar o negócio.

Agora imaginem-se numa reunião a uma escala 300.000 vezes superior. Vocês, ali, sentados a tentar vender o vosso produto, esforçando-se para garantir a sua genuínidade e, mais importante, a sua verdade. E imaginem o quão certos têm de estar para evitarem abordar algo que ponha em xeque o vosso domínio.

Esse cenário caótico, meus senhores, é a luta com que o guionista se debate de início ao fim.

Porque basta uma pequena palha para que esses ávidos e astutos espectadores rejeitem o que lhes apresentem e, com ela, atearem a fogueira.

Perante isto, das duas uma, ou fazem como eu e, quando não estão totalmente seguros de um determinado tema ou situação, evitem-no, ou, se forem realmente dotados daquela lábia subtil e evasiva, contornem-no com mestria. Mas, aviso, se optarem por essa via, preparem-se para o pior.

Volto em breve.

(Em retiro criativo)

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Parabéns João!

Maio 25, 2009 · 3 Comentários

Parabéns João Salaviza! Parabéns equipa técnica e artística do “Arena”!

Não sei bem porquê, mas acompanhei esta edição de Cannes (à distância) sempre com um feeling diferente. Algo me disse desde o início que esta 62ª edição do mais prestigiado festival de cinema mundial seria diferente de todas as outras.

Por volta de dia 13 de Maio vi este excerto do Fotograma e admito que ganhei uma curiosa esperança:

Foi excelente para o pessoal de “Arena” ter o filme seleccionado entre as 9 curtas-metragens em competição deste programa de 2009.

Vencê-la, foi um feito histórico.

Nunca um cineasta português havia ganho a máxima distinção, seja de curta ou longa metragem, no festival de Cannes. João Salaviza conseguiu-o, com 25 anos, ao seu segundo filme.

Isto, senhores, são votos de esperança num futuro muito saudável da cinematografia nacional. Futuro esse cada vez mais próximo.

Com juventude, ambição. Irreverência, dedicação. Amor à causa. Ao querer fazer um filme para “provocar reacção no espectador”.

São dezenas de jovens criativos com muito talento, de Norte a Sul, Este a Oeste, meridiano a meridiano. Há por todo este mundo uma geração artística portuguesa com muita vontade de fazer.

É deixá-los fazer. Materializar as ideias. Aumentar as oportunidades.

Gostava de ver Portugal a aproveitar estes talentos.

De observar uma reconciliação do nosso público com a cinematografia nacional.

De avistar sinais de fumo de um novo movimento do cinema português. De jovens com boas ideias. E possibilidades para as concretizar.

E, acima de tudo, gostava de ver a notícia difundida no blog da Associação de Realizadores de Portugal.

Parabéns João! O ouro é teu!

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Royal Cafe Convida: João e a Sombra

Maio 15, 2009 · Deixe um comentário

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“João e a Sombra são um conjunto de canções melancólicas e soturnas, cantadas em português, onde se cruzam referências do cancioneiro português com influências modernas e mais alternativas.”, in Myspace

Para nós, é uma honra recebê-los no Royal Cafe.

2009 tem sido um ano muito interessante no panorama musical português e João e a Sombra são, sem dúvida, uma das melhores surpresas e promessas nacionais. Liderados por João Tempera, Francisco Santos, João Tubal, Rui Berton e Pedro Tempera completam este interessantíssimo projecto proveniente de Almada. O seu EP homónimo de estreia já está nas lojas e vale bem a pena a compra.

Irresistivelmente viciado nos seus temas desde que os conheci, é com uma enorme satisfação que apresento o vídeo do tema “Dia Não” em exclusivo e primeira mão, aqui, no Royal Cafe.

João e a Sombra – “Dia Não”

Aproveitámos a visita para também colocar algumas questões ao mentor do projecto, João Tempera.

Como se formaram os “João e a Sombra”?

Eu tinha uma série de canções que andava a compôr à guitarra há dois ou três anos e desafiei uns amigos músicos (Francisco Santos, João Tubal, Rui Berton, Ricardo Barreto e mais recentemente o meu irmão, Pedro Tempera), alguns dos quais com quem já tinha tocado noutros tempos com outras bandas, para fazer um projecto em torno dessas canções. Começámos a ensaiar, a exprimentar arranjos e a descobrir instrumentos novos e gravámo-las no nosso local de ensaios o ano passado. Entusiasmá-mo-nos com o resultado e acabámos mandando masterizar o disco no Abbey Road, e fizemos uma edição de autor. E, um pouco ao contrário do percurso normal de uma banda, só depois é que começámos a dar os primeiros concertos de João e a Sombra

Descrevam a vossa música numa frase.

Canções acústicas melancólicas, cantadas em português e com coisas para dizer.

Consideram-se frutos do movimento indie?

O indie enquanto definição de uma sonoridade, é demasiado vago. E só por ser tão generalista é que cabem nessas estantes coisas tão diversas musicalmente. É uma combinação de influências e de estilos muito alargada e dificil de catalogar. Há indies feitos com máquinas e totalmente sintéticos e há indies feitos com uma harpa ou com uma guitarra e um bombo. A música indie é sobretudo uma atitude artistica, que ganhou o nome mais por oposição estética ao sistema mainstream da Pop, do qual se proclama independente, do que pela sua própria sintese. Neste aspecto, somos claramente indies, quase indigentes, por não estarmos de feição com a maré nem a fazer cultura popular ou comercial. Orgulhosamente! E malogradamente!

Quais as vossas principais influências?

Há dois universos de influências na composição dos nossos temas: O literário, porque é um aspecto que eu não remeto para segundo plano quando escrevo uma canção; e a música que ouvimos e de que gostamos. No literário há todo um imaginário mais desencantado que se deve muito às minhas leituras da adolescência: os poetas românticos e malditos, mas também os existencialistas, o Desassossego e outros Pessoas, etc, e também dos livros que vou lendo hoje.  Autores que me inspiram muito mais para escrever sobre estados de espirito e sobre as questões que me ponho no meu confronto comigo “próprio” e com o mundo, do que para a narração de estórias de amor, por exemplo, ou para cantar o campo ou as cidades. E depois, claro, o universo de referências musicais, que é mais variado e eclético, e cheio das influências de cada um dos elementos da banda. Sempre ouvimos coisas muito variadas, e cada qual tem os seus preferidos. Procuramos cada vez mais alargar os nossos horizontes como consumidores de música: mantermo-nos informados do que vai saindo, procurar no passado, emprestar discos uns aos outros, pesquisar, ver dvds, ir lendo umas revistas do assunto, etc. E isso reflecte-se na música que fazemos. Seria demasiado extenso para enumerar, mas houve alguns nomes de que fomos falando com mais frequência enquanto gravávamos, e que são figuras da World Music, da MPB, do Rock, da POP, da Folk, do Fado, da Indie… Ultimamente, determinados aspectos da música clássica também nos têm feito repensar algumas coisas da nossa.

Reconheço traços folk na vossa música. Não os habituais traços norte-americanos que têm generalizado o movimento indie/folk, mas sim registos do cancioneiro popular português. Contudo, imaginando que falaria sobre vocês a um amigo, inevitavelmente teria que descrever o vosso som como uma espécie de Fleet Foxes portugueses. Seria astúcia ou um erro?

Astúcia, talvez. Os Fleet Foxes pegam nessas referências antigas e populares da música americana e trazem-nas para a actualidade, depois de terem descoberto e ouvido mil outras coisas. Nesse aspecto, os cantautores portugueses, sobretudo a geração de Abril, são nomes incontornáveis para quem faz, como nós, música cantada na nossa língua e com forte pendor acústico. Em termos cronológicos, isso e um pouco de fado, são o mais longe que conseguimos ir com o minimo de conhecimento. Há todo um cancioneiro popular português para além disto, que não tem nenhuma influência consciente na nossa música. Depois, há nos F. Foxes, em termos formais, um cuidado com as questões relacionadas com as harmonias de vozes que também é uma coisa que gostamos, e que aliás é um dos grandes trunfos do Zé Mário, por exemplo; o uso de alguns instrumentos tradicionais fora do contexto popular ou folcolórico; uma certa qualidade/fragilidade timbrica; qualquer coisa de low-fi, que em nós não chegou a ser premeditado,… talvez,… tudo isso!… Nunca tinhamos relacionado, mas se o sentiste é porque também pode ser, e visto assim não me parece nada errado.

Que podemos esperar de vocês para 2009?

Estamos a ensaiar bastante e a trabalhar temas novos com a ideia de vir a incluí-los nos concertos e num próximo disco aínda sem datas previstas. O resto se verá!

O que acham do actual panorama da música portuguesa?

Depende dos gostos! Há um ressurgimento da música cantada em português e isso pode vir a ser muito bom quando a malta começar a ter coisas mais interessantes para dizer. De resto, e para já, estou com bastantes expectativas em relação ao novo disco do Rodrigo Leão e acho que o JP Simões está a dar concertos muito muito bons e é uma figura muito especial no panorama.

Que concertos não vão perder de certeza neste verão?

Nunca fui muito festivaleiro. Prefiro os concertos de Inverno na Aula Magna, no Maxime, no Santiago Alquimista, no Music Box e até mesmo os no Coliseu.

Que conselhos dariam a uns jovens pretendentes a músicos?

Eu não tenho autoridade nenhuma para dar conselhos a quem quer que seja nesta área (ainda agora cheguei – se é que já cá estou! – e tomara eu saber fazer para mim) , mas já agora… e mais pela piada… posso só sugerir que não se deixem levar por modas, a menos que precisem de viver disto!

O Royal Cafe agradece a visita. Foi um prazer contar convosco. Antecipo um futuro muito risonho ao projecto.

Voltem sempre!

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Chicken Ala Carte

Maio 8, 2009 · Deixe um comentário

Chicken ala Carte, um filme de Ferdinand Dimabura.
Um momento para reflexão.

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