Royal Cafe

Ninho da Cobra III: The Squatter

Janeiro 20, 2010 · Deixe um Comentário

The Graduate, Staroye I Novoye (The General Line), Midnight Cowboy, One Flew Over The Cuckoo’s Nest, Easy Rider, Stand By Me, Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love The Bomb, The Grapes of Wrath, Braveheart, Ágora, Into The Wild, Metropolis, Modern Times, José Mário Branco, Rolling Stones, Jefferson Airplane, Grizzly Bear, The Antlers, Woodstock, Okupas, Furrys e Jack Kerouack.

Desta estranha miscelânea nasceu “The Squatter”, o meu mais recente guião de longa-metragem.

Inspirado em acontecimentos verídicos, “The Squatter” debate-se sobre o desemprego, o êxodo rural, a morte, a geração perdida dos 60’s, okupas e a auto-suficiência, música, cinema e, principalmente, conflitos de fé. Pode-se dizer que, no fundo, é uma espécie de ensaio sobre o paganismo.

Voltarei com mais novidades em breve. O Ninho da Cobra está activo.

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Best Of 2009

Janeiro 17, 2010 · Deixe um Comentário

Como já vem sendo um hábito, o Royal Cafe não quer deixar passar o findar de mais um ano recheado de excelentes momentos, quer cinematográficos, quer musicais, sem proceder à eleição das típicas tabelas saudosistas e, também, celebradoras.

Assim sendo, e recordando que o valor das mesmas significa o que significa, decidi brindar os visitantes com alguns dos melhores momentos de 2009, no que à temática diz respeito.

A classificação é estritamente de índole pessoal e, recordo também, baseada unicamente naquilo que vi e ouvi ao longo do ano transacto (e cuja data de lançamento se refira ao mesmo ano).

Espero que gostem, comentem, questionem e, se for esse o caso, reconheçam.

Aqui vai:

Melhores Momentos Cinematográficos de 2009

1. “Avatar” (de James Cameron”)

Porque todo o filme é uma experiência singular. Não dá para destacar uma cena específica.

2. “A Vida Casada de Ellie & Carl” (Pixar’s “UP”)

Pela capacidade de síntese, do uso de simbolismos, de ilustração de amor, união, alegria, tristeza e solidão. Fabuloso, puro exemplo de magia cinematográfica. É, por si só, a melhor “curta” do ano.

3. “Sequência Inicial” (“Inglorious Basterds”, de Quentin Tarantino)

Cinema no seu estado puro, ao melhor estilo de Sergio Leone. As excelentes interpretações dos actores, os diálogos e o suspense que consegue criar. Poderia estar aqui também referenciada a sequência do bar subterrâneo, com os alemães. Mas nessa tive pena que Tarantino não explorasse mais a interacção com os personagens que as cartas referem, durante o jogo a que jogam.

4. “Sequência Inicial” (“The Hurt Locker”, de Kathryn Bigelow)

Pela intensidade. Melhor início de filme possível, a introduzir-nos e a tirar-nos aquele que esperamos que seja o protagonista do filme, com uma frieza singular. A realização, montagem e tensão que toda esta sequência imprime no espectador. Não há volta a dar, somos imediatamente “sugados” para o filme que se avizinha.

5. “Cena de Dança” (“500 Days of Summer”, de Marc Webb)

A melhor demonstração do estado de alegria desde a dança de Gene Kelly em “Singing in The Rain”. Um recurso estílistico fantástico num filme todo ele recheado de pequenas delícias.

Menções honrosas:

O final de “Ágora”, o início de “District 9″, a sequência do circo de “Coraline”.

Melhores Filmes de 2009

1. Avatar, de James Cameron

2. Inglorious Basterds, de Quentin Tarantino

3. Ágora, de Alejandro Aménabar

4. UP, de Pete Docter

5. The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow

Menções Honrosas:

(500) Days of Summer, de Marc Webb; District 9, de Neil Blomkamp; State of Play, de Kevin Macdonald; Taking Woodstock, de Ang Lee

Melhores Álbuns Estrangeiros 2009

1. Grizzly Bear – “Veckatimest”

2. Franz Ferdinand – “Tonight”

3. Fanfarlo – “Reservoir”

4. Noah & The Whale – “First Days of Spring”

5. Arctic Monkeys – “Humbug”

Menções Honrosas:

The Antlers – “Hospice”; The Temper Trap – “Conditions”; Animal Collective – “Merriweather Post Pavillion”; Yeah Yeah Yeahs – “It’s Blitz”; Florence & The Machine – “Lungs”; The XX – “The XX”; Phoenix – “Wolfgang Amadeus Phoenix”; La Roux – “La Roux”; Muse – “The Resistance”; Dirty Projectors – “Bitte Orca”; Marcelo Camelo – “Sou”; Devendra Banhardt – “What Will We Be”; Patrick Wolf – “The Bachelor”; Them Crooked Vultures – “Them Crooked Vultures”; Andrew Bird – “Noble Beast”; Wave Machines – “Wave If You’re Really There”

Melhores Álbuns Nacionais 2009

1. B Fachada – “B Fachada”

2. João Coração – “Muda que muda”

3. Sean Riley & The Slowriders – “Only Time Will Tell”

4. The Legendary Tigerman – “Femina”

5. Os Golpes – “Os Golpes”

Menções Honrosas:

Rodrigo Leão – “A Mãe”; David Fonseca – “Between Waves”; Macacos do Chinês – “Ruídos Reais”; Diabo na Cruz – “Virou”

10 Canções Inesquecíveis de 2009

Grizzly Bear – “While You Wait For The Others”

Noah And The Whale – “Blue Skies”

Wave Machines – “Punk Spirit”

Florence & The Machine – “Rabbit Heart (Raise It Up)”

La Roux – “I’m Not Your Toy”

Fanfarlo – “The Walls Are Coming Down”

Arctic Monkeys – “My Propeller”

Yeah Yeah Yeahs – “Soft Shock”

The Antlers – “Bear”

The Temper Trap – “Sweet Disposition”

Com a certeza que ainda falta muito por ver e ouvir, do que foi feito em 2009, encaro o novo ano com a certeza que o ano passado nos brindou com inúmeros excelentes momentos, no que aos panoramas musicais e cinematográficos diz respeito.

Espero que 2010 esteja à altura. Caso contrário, não me importo de o ir atravessando com a banda-sonora do ano passado e fazer das sessões de cinema um roteiro do que ficou a faltar ver do catálogo de 2009.

Cumprimentos,

Voltem sempre.

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The Godfather

Janeiro 13, 2010 · 2 Comentários

Quem me conhece sabe da história.

Por muito absurdo que possa parecer, tomei a opção de, há alguns anos atrás, e aproveitando o facto de não ter visto o filme em pequeno (vá-se lá saber porquê, mas esta pérola da história cinematográfica não constou da minha concorrida lista de visualizações precoces – a educação cinematográfica que os meus pais e irmãos me deram, em pequeno, foi de excelência) e o facto de ter resistido às 3 VHS que lá por casa iam ganhando pó (4, se contarmos com a “Honra dos Padrinhos”, creio), esperar por me sentir preparado para encarar aquela que é definida como a obra das obras cinematográficas.

Assim, ontem chegou esse dia. Não porque me sentisse suficiente maduro para, com um nervoso miudinho, colocar o filme no leitor e, de seguida, tremeliques, carregar no play; mas sim porque, aos 24 anos de idade, e com o processo de escrita de 2 guiões cinematográficos de longa-metragem a meio, me senti uma espécie de ignorante pretenso qualquer coisa. Isto pelo facto de nunca ter visto “O Padrinho”. Foi algo do género: «Como posso eu ambicionar escrever algo bom, se não conheço o padrão de excelência?». Finalmente compreendi o meu vazio, mas admirei a espera – ainda bem que só agora vi aquela que é mais comummente definida como a maior obra cinematográfica da história! E, no sentido prático da coisa, enquanto pretenso guionista, ainda bem que o vi neste momento em que pretendo iniciar actividade, de um ponto de vista mais sério, mais ambicioso e mais profissional.

Passo a explicar, e sem me dar a grandes alongamentos, “O Padrinho”, para mim, é o filme perfeito. Pouco mais posso dizer sobre o filme, pouco mais pode ser dito que ainda não o tenha sido. Guardo para mim as sensações, as emoções, as interpretações que do filme retirei. Guardo para mim essa experiência. Contudo, não queria deixar passar a ocasião, sem justificar o porquê desse título – de filme perfeito.

Estabeleçamos um paralelismo com “Avatar”, filme revolucionário, histórico a priori e que considero ainda estar bem fresquinho na cabeça de toda a gente – se fazes parte desse núcleo minimalista que ainda não viu o Avatar, de que esperas? Que saia dos cinemas e assim percas uma oportunidade única de experiência sensorial?

Pois bem, “Avatar” é um grande filme. Um épico no sentido máximo da palavra. Tecnologicamente é irrepreensível, conceptualmente é inigualável, em termos narrativos é competente, estimulante e envolvente. É impossível ficar relutante a tudo aquilo que “Avatar” representa. Mas não é perfeito.

Enquanto espectador, tive pena de não ter tido a experiência “Avatar” quando teria cerca de 8, 9, ou 14 anos. Creio que a influência que representaria em mim seria algo sem igual na minha história cinematográfica – a emersão no produto cinematográfico é muito, mas muito mesmo, superior enquanto temos essas “asas para voar” (se é que entendem estes termos fábulo-juvenis). Contudo, considero que o sub-entendimento da experiência não se esgota nessa faixa etária – “Avatar” é grandioso demais para ser negado; fabuloso demais para ser desprezado.

“O Padrinho”, por sua vez, é um fenómeno diferente. Vi-o agora, com 24 anos e senti-o de uma maneira. Se tivesse visto com 8, não seria pior (mais pobre, talvez, em termos semióticos e reflexivos; mas mais rica em termos imagéticos e, talvez, sensoriais). Nem se o tivesse feito com 50 anos de idade. Nem se eu fosse um geek do cinema de entretenimento, nem um elitista fetichista do cinema de autor. Esse equilíbrio narrativo, visual e demagógico, faz de “O Padrinho” o filme perfeito. São 177 minutos de puro brilhantismo. 177 minutos de uma metafísica inigualável, no léxico cinematográfico.

Comentei no Facebook, logo após a visualização do filme – com qualquer coisa do género: «Finalmente vi “O Padrinho”. Não há mais nada a dizer. É o filme perfeito.» E seguiram-se diversos comentários, de amigos que estimo muito. Entre eles, destaco um que simboliza na perfeição o paralelismo que efectuei com “Avatar” e a definição que fiz do “Padrinho” – qualquer coisa do género: «Que pena tenho de não o poder ver agora de novo, como se fosse a primeira vez.», do Pedro Oliveira (aka PI). O Padrinho é, realmente, o filme ideal para ver seja em que momento for, com que idade for, para o feitio de espectador que for. De uma coisa tenho a certeza: Hajam as expectativas que houver, este filme surpreende-as.

Grande parte dos outros comentários ao tal post no Facebook, insistiram em debater-se sobre a qualidade das sequelas da saga e a questionável qualidade das mesmas. Eu ainda não as vi. Seguir-se-ão hoje e amanhã os próximos capítulos. Contudo, houve um comentário que me lançou um desafio valente: o meu amigo João Monteiro (aka Johnny) lançou o repto para, antes de visualizar “O Padrinho, parte II”, escrever as minhas ideias para uma possível sequela do primeiro capítulo.

Como tal, e alertando desde já que não é de minha pretensão desrespeitar todo o processo criativo e de produção em torno da saga de Francis Ford Coppola, nem sequer questionar todos as possíveis decisões levadas a cabo pelos responsáveis máximos deste projecto, decidi, aqui, lançar algumas ideias que me agradariam, enquanto espectador, encontrar numa sequela de “O Padrinho”.

E assim, aqui vão (aviso, para quem ainda não viu, pode conter spoilers):

- O 2º capítulo desenrolar-se-á, inevitavelmente, na ascensão ao poder de Michael Corleone, enquanto novo Don da família Corleone. O final do 1º capítulo remete-nos para a sua elevação a “Padrinho” (brilhante a sequência alternada entre o baptismo e os actos exteriores que, paralelamente, o promovem a Padrinho, na dupla ambiguidade do conceito) e ilustra os acontecimentos que antecedem a assunção da família Corleone como “vencedora” do conflito em questão. Obviamente que, fazendo Michael Corleone o que faz pela família, apesar das crueldades inerentes, tais atitudes podem gerar discórdia e próprios conflitos internos familiares – a mentira final que ele dá à sua esposa, e a harmonia relacional entre ambos que daí resulta, é o sinal de reforço familiar que uma sequela precisa. “A Godfather got to do what he has got to do, for his own family” é, assim, o ponto de partida.

- O conflito entre famílias Corleone, Barzini e Tattaglia está agora mais aceso do que nunca. Michael deu ordens para matar os respectivos líderes e saiu por cima nessa pequena guerra. Se bem que, sabemos, momentaneamente dado que entre famílias sicilianas a honra fala mais alto. E, quando a vingança é uma questão de honra, ela acabará por aparecer. Por isso, neste momento da história, haverá sempre a ameaça de represálias.

- Uma vez que o detentor de alguma da propriedade do Casino em que os Corleones têm activos, em Las Vegas, também é assassinado no final do 1º capítulo, faria sentido que Michael enviasse não o irmão mais velho, Fredo, para gerir a totalidade do Casino, mas sim o ex-consiglieri Tom Haden. Tom Haden é, neste momento, uma das pessoas de maior confiança de Michael, mas pelo facto de não ser um consiglieri de guerra, e por agora, mais do que nunca os Corleone estarem em guerra, Michael opta pelo afastamento de Tom – embora não num sentido de desconexão, mas sim de expansão. Por sua vez, Michael denominaria Fredo o seu novo braço-direito (só Fredo é irmão de sangue e, como tal, família directa de confiança) e iniciaria um processo de “formação” psicológica de Fredo – digamos que o recuperaria para os ideais familiares Corleone. Perceberíamos também, no início, que John Fontane, assumiria o contrato de animação do Casino.

- Depois da brilhante jogada para matar o seu cunhado Carlo (um dos traidores envolvidos com a morte de Santino Corleone), em que envolveu o desígnio deste para seu braço-direito, primeiro, e o convite recebido para obter um afilhado, depois, Michael, após a morte do seu pai (Vito), tem assim autonomia para decidir o futuro de Carlo. Essa autonomia revela que Michael consegue ser ainda mais frio que Vito e que nem os seus familiares estão a salvo, quando voltam as costas à família. Como tal, é necessário promover um novo consiglieri. E, a minha versão do Padrinho II iniciaria-se com espécies de convocatórias, entre os relacionados com os Corleone, para encontar um novo consiglieri de confiança. Nessas convocatórias apareceria um novo personagem, talvez primo de Michael (mas oriundo da Sicília, das raízes familiares), com o mesmo carisma de Vito e de Michael (será que o Robert de Niro será uma surpesa do género?). Esse primo assumiria, assim, pela admiração que Michael nutre por ele, o cargo de consiglieri. Fredo assumiria muito mais protagonismo nesta sequela, enquanto braço-direito de Michael e completamente renovado para os ideais familiares. Assim, Michael, Fredo e esse novo consiglieri seriam o triângulo que promoveria o poder dos Corleone e, com jogadas de sucessiva inteligência, conseguiriam, passo após passo, impôr-se no seio das outras famílias mafiosas.

- Com o passar do tempo, o filho de Michael e o seu afilhado, cresceriam no seio das relações familiares. Determinado a educá-los para os princípios familiares, Michael decide enviá-los, sob a custódia de Clemenza (outros dos homens de total confiança) para a Sicília por um tempo. Isto promoveria uma educação pura nos dois legítimos herdeiros do trono e desenvolveria uma espécie de competitividade entre ambos. Seriam 2 personagens interessantes, que permitiria do ponto de vista narrativo trabalhar uma evolução da personalidade dos mesmos.

- O negócio da droga está cada vez mais imposto e Michael, por decidir nunca se envolver, começa a perder poder para as outras famílias que, a seu bel-prazer exploram o negócio. Contudo, e porque o negócio está entregue a grupos de origem africana, uma nova “estirpe” começa a desencadear guerras nas ruas – os negros começam a querer assumir o poder e, assim, fazer frente às famílias sicilianas. Michael encontra, nestes, um possível aliado na guerra que os opõe às demais famílias sicilianas. Apesar disso, cedo sofreria pela diferença de valores familiares que encontra entre a sua filosofia e a dos grupos étnicos a que se une – e a confiança está instável como nunca.

- Numa jogada de vingança impressionante, os Tattaglia matam Tom Haden e Johnny Fontane, liquidando os activos dos Corleone no Casino – aquela que se tinha tornado a maior fonte de receitas da família extingue-se e os Corleone sofrem muito com isso, perdendo poder para as demais famílias.

- Quando os dois jovens voltam de Sicília, os Corleone estão numa fase muito instável. Receosos como nunca, ameaçados como nunca, os Corleone debatem-se pela sobrevivência constante. Contudo, a formação que os dois jovens obtiveram em Sicília resulta num fantástico reforço para a sobrevivência dos Corleone. E, com estes, voltam a operar para reconquistar o poder. Só que a competitividade entre os dois jovens ferve como nunca. E é preciso descobrir qual dos dois é mais fiel à filosofia Corleone (a guerra entre estes 2 passaria para o 3º capítulo da saga, numa espécie de Clash of The Titans). Será, assim, escusado dizer que um deles acabaria por matar Michael Corleone, ambicionando o trono de Don e, ambos, assumiriam o poder em distintas facções – a fiel à dos Corleone e a rival. Seria curioso prevalecer o afilhado como fiel, fruto da dedicação de Michael na formação deste em detrimento da do seu próprio filho.

Não sei, seriam ideias. Sugestões que me agradariam, enquanto espectador. Muito incompletas, porém.

Só me conseguiria exprimir totalmente com a escrita de um guião, talvez.

Mas esse já existe. E pelo que consta é fabuloso.

Hoje irei comprová-lo. Amanhã haverá novo post no Facebook.

Cumprimentos,

The Royal Owner

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Os Ossos do Homem Morto

Dezembro 23, 2009 · Deixe um Comentário

Ryan Gosling, que brilhou enquanto protagonista de filmes como “Half Nelson” e “Stay”, entre outros, tem um interessantíssimo novo projecto em mãos.

Junto com Zach Shields e com recurso ao coro juvenil de Silverlake, formam o conjunto musical “Dead Man’s Bones”. O que começou por ser um projecto para apresentar na Broadway, enquanto peça musical influenciada por fantasmas e demais ingredientes halloweenescos, ganhou forma em Outubro com a edição de um álbum e com a apresentação do projecto em diversos locais, em formato-concerto.

Felizmente o projecto inicial continua de pé e parece que andam em busca de investidores para o levarem a cabo. É que as músicas tão mesmo porreiras (a julgar por elas, isto tem tudo para ser épico) e, vá lá, confessemos, há um certo charme nesse universo fantasmagórico com que com tanto carinho temos fantasiado ao longo dos anos.

Deixo-vos aqui o videoclip do 1º single, “Dead Hearts”, igualmente realizado por eles (Dead Man’s Bones):

Fica aqui também o vídeo de “Name in Stone”, outro dos temas do álbum, semelhante ao conceito dos Take Away Shows (Vincent Moon, La Blogotheque):

O vídeo de “In The Room Where You Sleep”, outro dos temas do álbum (vejam até ao fim, que há uma pequena surpresa final,:P):

E este vídeo não oficial, só a título de curiosidade e para vos permitir a escuta do tema “My Body is a Zombie For You”, um dos melhores do álbum e um dos que melhor resume o conceito do projecto, na minha opinião:

Espero que consigam arranjar o devido financiamento. Seria uma pena deixar este projecto cair por terra.

Podem visitar o Myspace deles, aqui.

E podem comprar o álbum aqui e aqui.

Espero que gostem. Até breve.

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The First Days of Spring

Dezembro 7, 2009 · 1 Comentário

“The First Days of Spring”, dos Noah and The Whale foi uma das boas surpresas de 2009.

O álbum, pela honestidade, melancolia e seus contornos épicos, cativou-me desde a primeira audição e, a cada nova escuta, vinga e conquista cada vez mais. Por isso e por toda a história contextual à criação deste álbum, Charlie Fink (o vocalista e principal compositor dos Noah and The Whale), é um vencedor.

Mais vencedor o é, quando apreciamos o verdadeiro conceito da criação de “The First Days of Spring” – um álbum e um filme.

Imagem e música de Charlie Fink (Noah and The Whale).

Vale a pena ver.

E ouvir.

Myspace

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Um Funeral À Chuva

Dezembro 1, 2009 · Deixe um Comentário

Tenho andado “away” do Royal Cafe…

Uma das principais razões desse afastamento prende-se com o envolvimento que tive nos últimos meses com o projecto “Um Funeral À Chuva”, ao qual dedico este regresso.

Em Julho do presente ano foi-me entregue pela Lobby Productions um guião intitulado “Tempo Presente: As Memórias De Um Estudante”, com o intuito de trabalhar sobre o mesmo. A temática debruçava-se sobre um reencontro de ex-colegas de universidade, numa data especial para um deles e, fundamentalmente, centrava-se na questão do afastamento que vida lhes tinha imposto no pós-universidade.

Achei o tema pertinente, tendo em conta que não me recordo de outro filme português que abordasse a mesma temática (recordo-me assim fugazmente de “Rasganço”, de Raquel Freire, embora este retratasse o mundo académico noutro contexto) e tendo igualmente em conta o crescimento constante de ingressos no ensino superior que tem sido observado em solo nacional. Existem cada vez mais estudantes universitários no presente, inúmeros outros que já o foram (e que recordam esses tempos com enorme saudosismo) e tantos mais que anseiam por o vir a ser.

É um tema actual da nossa sociedade e, também para mim, um tema muito pessoal (porque passei por ele há bem pouco tempo).

Posto isso, parti para esse desafio com um objectivo bem definido – retratar as amizades que se criam enquanto estudante universitário. Esse é, foi e será, para mim, o aspecto mais importante de todo o percurso universitário (obviamente que a formação que daí resulta é fundamental na vida de cada um, mas que vazio restaria se não fosse nesse meio que se cultivassem as mais verdadeiras e duradouras amizades que permanecerão ao longo dos anos).  E, como tal, abordar então a questão do afastamento pós-universitário. De que forma o passar dos anos influenciará a nossa relação com aqueles que consideramos os amigos “para uma vida”?

E, para trabalhar sobre isso, parti de um princípio trágico à globalidade dos mortais – o funeral de um deles.

Assim nasceu a história de “Um Funeral À Chuva”, a história de Marco, Zé, Diana, Susana, André, Rui, Vasco e João.

Podem ver aqui o trailer:

Posso, como guionista do filme, reconhecer as minhas principais influências para a criação do guião. Entre elas, sem dúvida “The Big Chill”, de Lawrence Kasdan, “Garden State”, de Zach Braff, “Little Miss Sunshine”, de Jonathan Dayton & Valerie Faris, “Death At A Funeral”, de Frank Oz, “Eulogy”, de Michael Clancy e, entre muitos outros, “Elizabethtown”, de Cameron Crowe. Reconheço também inspiração em “12 Angry Men”, de Sidney Lumet, para uma parte específica do filme (que acabou por sofrer alterações nas várias versões que o guião acabou por ter).

Dado que desempenhei igualmente as tarefas de Assistente de Realização durante a rodagem, tenho um esboço mental de como sairá o resultado final e, com isso, posso prometer que “Um Funeral À Chuva” se tratará de uma comédia séria, bem disposta e com algum humor negro à mistura.

Resta-me esperar que o filme chegue até vós. E que o encarem com um sorriso, porque ele irá retribui-lo.

A data de estreia (ainda não confirmada) será por volta de Maio de 2010.

Até lá, acompanhem as iniciativas que irão surgir no:

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Volto em breve, com mais novidades. Cumprimentos.

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Happy Halloween!!

Outubro 31, 2009 · Deixe um Comentário

Em Outubro de 2005 um grupo de artistas juntou-se em benefício da UNICEF, para criar um vídeo alusivo/festivo ao dia de Halloween.

O colectivo respondeu pelo nome de North American Hallowe’en Prevention Initiative e era composto por:

Win Butler & Régine Chassagne (Arcade Fire)
Beck
Feist
Devendra Banhart
Thurston Moore (Sonic Youth)
Roky Erickson
Peaches
Dntel
Syd Butler (Les Savy Fav)
David Cross
Elvira, Mistress of the Dark
Karen O  (Yeah Yeah Yeahs)
Jenny Lewis & Blake Sennett (Rilo Kiley)
Dan Boeckner & Spencer Krug (Wolf Parade)
Steve Jocz dos Sum 41
Nick Diamonds e J’aime Tambeur (Islands)

E, da iniciativa, resultou este tema/vídeo, intitulado “Do They Know It’s Halloween?”:

Já tem uns anitos, mas vale sempre a pena ver.

E, com isto, seguem-se os desejos do Royal Cafe de um Feliz Dia de Halloween para todos os visitantes.

Volto em breve.

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Royal Cafe Convida: The Lost Cavalry

Outubro 3, 2009 · Deixe um Comentário

The Lost Cavalry é o novo projecto musical de Mark West (ex-membro de Fanfarlo) que, juntamente com Oliver (dos XUP), Dave (dos The Injection) e Nick (Amber Meissner), promete bastante para o ano que se avizinha.

Encontram-se actualmente a gravar o primeiro Ep e pelo meio tiveram tempo de passar por cá e gravar dois vídeos exclusivos para o Royal Cafe (filmados e produzidos por BON Productions), dos temas “Secret Steps” e “Oh Sally”, ambos em versão acústica.

Website

Myspace

Foi uma honra recebê-los cá. Voltem sempre!

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Mestres, Vencedores e Detractores

Outubro 1, 2009 · 2 Comentários

Saudoso regresso, este que enfrento. Nostalgia essa que invade uma sustenida palpitação, nesse adorno sonoro da humilde madeira a ranger. Deixo entrar luz no espaço, suspiro e retomo a actividade no salão. Limpo o pó, que abunda. E, desenfreado, sacudo um vinyl que ali pernoitou, noite após noite, perdido entre a desgastada protecção que a sua capa noutros tempos lhe prometera e o ar sujo e abandonado que o seu novo habitat tardou em apresentar. Contudo, constato que resistiu. Ao rude desarrumo. Envelheceu, do jeito que se quer. Sem perder a magia daquele primeiro acorde inesquecível, irreverente e impulsivo.

Soa música no espaço, abre-se o Café. O público espreita, desconfiado, do lado de fora. Sorrio, compreensivo, e agito-me até à porta. Peço lume, ao que não me negam. Apregoo o programa do dia e observo as reacções. Um misto de curiosidade e de receio – próprios do termo ‘cinema’. Dois fregueses voltam costas, cospem para o chão e afastam-se. Sorrio de novo, saúdo os restantes com um ligeiro toque no chapéu que herdei do meu avô e retiro-me para o interior. Regressa a azáfama. Preenchem-se as mesas. Saem cafés, chás, pastéis de belém. Pulveriza-se o ar com fumo e regressam as eufóricas gargalhadas dos jovens que brincam próximo do palco. Eu, anfitrião do convívio gerado, discurso do balcão. Agradeço a presença de todos. E saúdo a mais um aniversário do Royal Cafe, entretanto passado com a porta fechada. Agradeço novamente à presença de todos.

E dou início ao serão.

Mestres

Andava prometida uma análise profunda ao mais recente filme de P. T. Anderson – “There Will Be Blood“. Como não me pretendo alongar, e porque quero aproveitar a visita para comentar mais algumas obras recentemente vistas, fico-me pela reflexão em jeito de cabeçalho. “There Will Be Blood” é uma brilhante analogia ao passado recente da história norte-americana, em jeito de crítica metafórica. Isto é, partindo de um caso específico narrativo – a odisseia de Daniel Plainview em busca da fortuna petrolífera pelo solo norte-americano – P. T. Anderson lança-se numa crítica feroz à obsessão petrolífera que tem predominado na sociedade contemporânea. Constatemos os factos: Daniel Plainview não olha a meios para invadir território alheio e usa os artíficios que pode para cair nas boas graças populares – o uso que ele faz do adoptado filho para seduzir os proprietários dos terrenos; a história recente norte-americana fez-se de uma invasão territorial justificada pela posse ilegal de um suposto armamento químico que não tardou em confirmar-se inexistente – e o senso comum global reconheceu o infame pretexto para almejar algo mais. Daniel Plainview deparou-se, na sua odisseia, com credos religiosos distintos e “combateu” os obstáculos que estes lhe apresentaram – a crença promovida por Eli Sunday, o extremista pregador que dinamiza a mentalidade do povo; a invasão norte-americana promovida por distintos países do Golfo Pérsico motivou um choque cultural de crenças e originou uma oposição religiosa, dita extremista. A título de figuração máxima da metáfora, e porque isto vai em jeito de cabeçalho, no final do filme surge sangue, qual mensagem crítica relativa ao prenúncio de conclusão mais que esperada quando o assunto em questão se revela tão sério – a obsessão, no seu sentido literário mais puro, nunca será saudável. A obsessão petrolífera, no seu denominador comum, gera sangue. Infelizmente.

P. T. Anderson, cineasta máximo, explora subtilmente os terrenos da sua narrativa, sem nunca se deixar perder na crítica facilitista em detrimento da estrutura do filme e consegue aqui, a meu ver, um dos mais brilhantes exercícios cinematográficos da década. Pela mestria com que filma cada sequência (os dez minutos iniciais sem qualquer diálogo são fantásticos, ao melhor nível do estilo Sergio Leone), pela densidade com que explora os impressionantes personagens imortalizados por Daniel Day Lewis e Paul Dano (muita atenção a este jovem actor, é que só tenho visto coisas muito boas dele), pela composição do ambiente que as suas imagens criam em parceria com a música de Johnny Greenwood (membro dos Radiohead) e, acima de tudo, pelo virtuosismo com que manipula a sua linguagem cinematográfica em perseguição de uma crítica intemporal, primeiro, à natureza humana, e específica, em segundo, à história recente do povo que o viu nascer.

O quanto me regozijo cada vez que penso que P. T. Anderson desistiu de levar a cabo um curso de cinema logo no seu primeiro dia, porque um suposto professor lhe contrapôs o seu gosto cinematográfico. Coisas da vida.

Outro dado curioso prende-se com o passado de Quentin Tarantino. E também com a sua suposta falta de academismo. Ficou-se pelo clube de vídeo e não ingressou num curso de cinema. Pois. Afinal criticam-no porque ele copia muitas coisas de outros filmes e etc. Mas aos detractores já lá vou e, estranhe-se, não o vou fazer em relação ao cinema de Tarantino. Mas, para já, e porque a secção é de Mestres – “Inglorious Basterds“.

Sou fã de Tarantino há largos anos. Aliás, foi muito graças aos filmes dele que decidi ingressar num curso superior de cinema e inclusive explorar a possibilidade de algum dia vir a fazer cinema. Lembro-me de ver “Reservoir Dogs” com uns 8 ou 9 anitos e de sentir o estrondo que aquele filme para mim representou desde então. Obra máxima de Tarantino até ao momento, no meu gosto pessoal, e expoente máximo do cinema como arte em estado puro. Vibrei com “Pulp Fiction”, adorei a trama de “Natural Born Killers” (apesar de saber que ele próprio não gostou do filme que Oliver Stone criou - o que me deixou ainda mais curioso pelo guião original do filme), senti-me realizado ao ritmo de ”Jackie Brown”, gostei da loucura de ”True Romance” e de ”From Dusk Till Dawn”, compreendi “Kill Bill” e inclusive senti o suspense apalavreado de “Death Proof”. Ah, e delirei com o seu excerto de “Four Rooms”! Posto isto e compreendida a minha idolatração pela sua obra, e mais concretamente pela sua escrita cinematográfica (que reconheço poucos que se lhe comparem no feito), dá para perceber a minha ansiedade pelo seu novo e mais que aguardado capítulo, de seu nome ”Inglorious Basterds”. 

“Acho que esta pode bem ser a minha obra-prima.”, frase com que termina o filme, diz tudo. Eu também desconfio que tal aconteça. E que não o seja reconhecido nos próximos tempos. “Inglorious Basterds” é um filme novo de época, com uma abordagem revitalizante e inventiva, ou não estivesse em causa o génio de Tarantino. E o é também, a meu ver, uma obra máxima de cinema, à frente do seu tempo. Enalteço a sequência inicial (brilhante, brilhante), a sequência do bar na cave (e ainda assim tive pena que Tarantino não explorasse mais o pormenor dos personagens escritos nas cartas do jogo), a derradeira sequência que remete todo o mal para uma salvação cinematográfica, o humor dos basterds, a ironia do austríaco, as diversas homenagens à história do cinema (que vai do cinema de propaganda nazista, à mente aberta da nouvelle vague, ao western spaghetti de Leone, ao estilo noir, gangster, ao caso “Marlene Dietrich”, etc, etc).

Quentin Tarantino é um amante de cinema, ponto. E um mestre a renová-lo.

Vencedores

Vi o “Up” em 3D e senti-me uma criança de novo. Foi fantástico deixar-me levar numa aventura fabulosa a bordo de uma casa flutuante e viver um filme de animação como há muito não o conseguia fazer (já vai longe o mítico Fievel). Parabéns à Pixar uma vez mais por ter criado um dos melhores filmes de animação de sempre e elevar a audiência de Cannes (já o havia sido uma vitória o facto de preencher a programação da sessão inaugural da mais recente edição do mítico festival) e palmas aos seus criadores por, munidos da mais interessante ciência da animação da actualidade, não a deixarem sobrepor à narrativa – razão primeira desse mágico processo bilateral ao qual gosto de chamar cinema.

Palmas para Salaviza (para além da já recebida em Cannes), modestas, mas verdadeiras - as minhas. Fui a correr ao Arrábida, desesperado por conseguir entrar na sessão das 18:25 a tempo da visualização de “Arena“. Saí de Santa Catarina ao ritmo de Usain Bolt, entrei no Douro com braçadas semelhantes às de Phelps e subi a colina de Gaia na bicicleta que outrora foi de Vanessa Fernandes, disseram-me. Mas o carro era mesmo branco e o trânsito nunca pior. Entrei na sala e já o filme passava na tela. Sentei-me para amenizar a pulsação e entreguei-me às imagens. Cativantes, desde logo. João, se estiveres a ler isto, eu comecei a ver o filme a partir do momento em que o Mauro pede a um rapaz do exterior que lhe faça o favor de despejar o lixo, pela janela. Por não saber se perdi muito do filme, não pude tirar as devidas conclusões. Se estiveres a ler isto, por favor conta-me tudo aquilo que perdi para trás. Ou envia-me essa cópia…. Gostei bastante da composição da maior parte dos planos, da fotografia, do dramatismo e densidade da trama, dos personagens (interpretados de forma bastante convincente pelos respectivos actores), da cenografia (o carro no qual o puto ‘Alemão’ opera é digno de registo) e dos locais onde o filme foi rodado – serve tudo na perfeição a história que penso ter compreendido. Nota maior para a panorâmica vertical que culmina com a aproximação de Mauro a um dos jovens que o assaltou, numa das pontes dos singulares edifícios comunitários e da violência que a precede – seca, real, agressiva – que tão força tem pelo afastamento com que é filmada (boa manipulação do psíquico sensatorial do espectador, se é que o posso dizer). Gostei também do pássaro que voa no plano final, mas tenho receio de o comentar sem ter visto a parte inicial do filme (ou seja, a interpretação que lhe dei pode não ser a mais correcta). Parabéns João, boa sorte para o périplo de festivais que se adivinha e continuação de um bom trabalho. Pelo bem do cinema português.

Queria também deixar uma breve nota para Neil Blomkamp neste capítulo e para o visionário Peter Jackson. Ao primeiro pela excelente conquista que é a sua primeira obra “District 9” – abordagem renovada ao género Sci-Fi e excelente metáfora ao Apartheid revestida de uma temática “extra-terrestrial”. Ao segundo pela coragem que teve em apostar num projecto situado fora do mainstream e das paisagens centradas no coração norte-americano, desenvolvido por sul-africanos e com actores totalmente desconhecidos. Saiu a ganhar o cinema, com um excelente filme dotado de efeitos visuais acima da média e o próprio Jackson, já que o filme tem sido um sucesso de bilheteiras a nível global.

Detractores

Em jeito de despedida, e porque esta conversa não interessa assim tanto, queria apontar o dedo a duas situações específicas, mas não assim tão singulares:

- Reparei há dias num jornal que leio regularmente com apreço – “Ipsilon” – num depoimento de Joaquim Leitão, inserido num artigo sobre o cinema de Pedro Costa e sobre a reedição da sua obra “O Sangue”. Pois Joaquim Leitão confrontava gerações de cineastas portugueses, a sua e a que lhe precedeu (nomeadamente a de ‘60) e referia que nesta última havia ‘uma espécie de pureza. O facto de um filme ser exibido já era algo um bocadinho sujo’. Manuel Mozos, no mesmo artigo, diz a respeito do mesmo: ‘havia um lado, quase statement, de não se importarem que os filmes não fosses vistos’. E a essa geração digo ‘obrigado’! Obrigado por terem delegado essa mentalidade que não se mune mais do que de egoísmo artístico num povo que perdeu o interesse pelo seu cinema. Obrigado por imporem as vossas regras ao longo das últimas décadas no sistema de produção cinematográfica nacional, tão parco e infeliz em termos de títulos qualitativos. Obrigado por monopolizarem com essa filosofia demasiado autoral para ser saudável um programa de atribuição de subsídios preso a currículos esporádicos de personalidades que não fazem filmes para ser vistos e/ou produtoras que se vêem sobreviventes às custas dos mesmos. Salve-se o tempo e a nostalgia do passado. Salve-se a gente, que é outra. Assim o espero.

Não o entendam como um desabafo de um pretenso cineasta, mas sim de um jovem espectador e amante de cinema que bem tenta reconciliar-se com o cinema do seu país, sem sucesso. Tal como tantos.

Aponto igualmente o dedo aos detractores do costume - a maioria dos críticos de cinema portugueses. Não é meu costume pronunciar-me sobre tais opiniões e respectivas divergências de gostos que de forma natural se associam ao processo. Aliás, até sou daqueles que respeita a perspectiva dos outros de forma veemente e não me inibo quando se trata de fazer questão de o demonstrar. Contudo, porque hoje o capítulo é para isto, não me pode passar ao lado uma crítica que me entristeceu. Refiro-me à visão de L. M. Oliveira sobre o mais recente filme de Ang Lee, “Taking Woodstock” e à crítica elaborada pelo mesmo sobre a interessante abordagem que Lee fez a um dos maiores acontecimentos do século passado. Que não goste do filme, muito bem. Que contraponha as intenções de Lee e justifique com elementos do seu conhecimento e gosto pessoal, tudo muito bem. Agora, uma coisa que me marcou no seu texto: “até a lama é muito limpinha”?? É munido de argumentos como este que uma pessoa com o seu conhecimento cinematográfico se pretende debruçar sobre determinado filme e, assim, automaticamente influenciar inúmeros leitores que aos seus textos recorrem no sentido de buscar motivação para assistir a x ou y? Vocês, queiram essa faceta ou não, são ‘opinion-makers’ e, como tal, não seria nada mau medir algumas das abordagens a que o vosso elitismo forçado vos obriga. Porque, em sentido último, vocês são os primeiros a trabalhar a educação cultural do país e, muitas são as vezes, parecem teimar em esquecer que o cinema não é só um código intelectualizado que só tenha valor quando pretenda ou consiga superar as convenções do género a que se pretende. Também não lhe peço que em vez da lama que não era suficientemente suja, que fale sobre a homenagem que Lee faz a Godard no travelling que acompanha a mota ao longo da engarrafada estrada repleta de milhares de jovens festivaleiros (que só por si é visualmente impressionante e convincente – ao contrário da lama, como diz), tal como o francês havia feito em Weekend de uma forma semelhante. Não, não lhe peço isso. Mas acho que Taking Woodstock não deveria ser marginalizado como aparentemente está a ser feito pelos críticos de cá, só porque a forma como está filmado e contado é demasiado simpática para entrar nesses quadros elitistas que tão erradamente têm educado o nível cultural cinematográfico do cidadão português.

Felizmente o cinema, para mim, é muito mais do que isso.

Volto em breve. Obrigado pela presença.

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Cem Posts de Solidão

Agosto 6, 2009 · 4 Comentários

É com a primeira tentativa forçada de enganar o cliente na história do Royal Cafe que inicio a celebração do 100º post. Isto porque, apesar da óbvia alusão do título ao magnífico romance de Gabriel Garcia Marquez, da história do Royal Cafe não reza o sentimento solitário.

Sei hoje, quase dois anos depois de ter aberto as portas do Royal Cafe, que a boa recepção da vossa parte a algum do conteúdo que aqui tem vindo a ser exibido/debatido me dá uma crescente força e vontade de manter o espaço saudável e espero que atractivo à vossa visita.

Passando aos números, o Royal Cafe abriu as portas no passado dia 17 de Setembro de 2007 e conta com um total de 19.368 visitas (até à hora em que comecei a escrever este post), tendo obtido no mês de Dezembro de 2008 o número máximo de visitas mensais com 1.629 visitas. O Post/Evento mais visitado até hoje prende-se, curiosamente, com o motivo principal da abertura das portas. Como é sabido, sou um adepto entusiasta da música de Zach Condon (aka Beirut, principalmente) e, admito, se hoje celebro o 100º post do blog, tal não seria possível se o fascínio que desenvolvi em torno da música de Zach não me tivesse dado a tal força extra que se prende com o acto de iniciar um blog. Contabilizando, o “popular” post ‘O Multicultural Zach Condon’ conta já com 3.481 visitas e 25 comentários oriundos de distintos pontos da comunidade ‘falante’ em língua portuguesa. Todos os dias continua a ser visitado por vários adeptos entusiastas da obra de Zach, o que não deixa de ser curioso o facto de este post ter ganho vida precisamente no dia em que abri as portas do espaço. É para mim uma enorme alegria saber que diariamente consigo fornecer uma sustentada dose de informação sobre o tema aos demais ‘peregrinos’ apaixonados pela obra de Zach. Posto isto, e em forma de celebração, vou dedicar este post a Zach Condon e a todos os seus demais seguidores, reforçando-o com uma agradável novidade sobre o mesmo.

É, acima de tudo, uma enorme honra e consequente orgulho para mim saber que uma ideia que criei, e cuja tenho vindo a desenvolver neste espaço, tem conquistado seguidores e, de certa forma, se tem tornado interessante para uma comunidade já mais ampla do que alguma vez imaginei ser possível. Obrigado a todos vós por me darem essa força necessária à constante manutenção e actualização de um espaço que se pretende lúdico. Espero que nos próximos 100 vos consiga agradar como o penso ter feito até hoje ou, simplesmente, corresponder às expectativas que a data histórica já obriga.

Assim, porque hoje é um dia festivo, queria divulgar junto de vós uma obra que me tem gerado uma agradável curiosidade.

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“Paper Heart” é um filme de Nicholas Jasenovec e foi o grande vencedor do prémio do público de Sundance no presente ano. Como é já senso comum, Sundance tem uma relativa facilidade de lançar fenómenos no circuito de cinema independente mundial e, para não fugir à regra, “Paper Heart” aparenta ser um desses casos. Com o actor sensação de ‘Juno’ (o sucesso independente de 2008), Michael Cera e com uma aparente narrativa original – a comediante Charlyne Yi decide fazer-se à estrada com a ideia de filmar um documentário sobre a questão do amor e, após conhecer Michael Cera e Nick Jasenovec, pede-lhes ajuda para o desenvolver, todos eles interpretando-se a si próprios no filme – o filme estreia amanhã nos EUA e promete ser uma saudável sensação nas bilheteiras. Para mim, este é o mais forte candidato a sucessor dos conquistadores fenómenos independentes que foram “Garden State” em 2004, “Little Miss Sunshine” em 2007 e “Juno” em 2008.

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Para todos aqueles que já estão com essa cara de desagrado a perguntar-se onde é que entra Zach Condon no meio disto tudo e onde pára a minha prometida novidade, sigam este link.

Eu estou curioso. Por Paper Heart e pelos próximos 100 posts. E vocês?

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