Royal Cafe

Entradas desde Setembro 2007

Crónica do Proprietário

Setembro 29, 2007 · 4 Comentários

Ando meio obcecado.

Pelo que foi e já só raramente o é. Logo, pelos que teimam em que seja.

Houve tempos em que tudo era diferente. Adufes, bombos ou acordeões; Violinos, trompetes e campeões. Hoje, computadores, playstations e mandriões.

Não me oponho à modernidade. Mas admiro a tradicionalidade. Pela sua simplicidade, inocência e fraternidade.

E tenho corrido atrás do arcaico, dentro das minhas possibilidades. Interessam-me as raízes. Dos hábitos, das gentes, do afável, do delicado, da música, do cinema, da literatura, dos objectos, das tradições. Interessam-me os locais. O rural, o natural e a sua integridade.

Não desprezo os samples, os sintetizadores, nem tão pouco a electricidade. Faz parte da actualidade e gosto de viver com ela. Mas adoro viajar ao passado. Adoro sentir a escassez de meios e vanglorizar-me com a potencialidade do ser humano.

Tenho tido a felicidade de conviver com pessoas do meio rural, (para um exercício fílmico que tenho desenvolvido) e acompanhar alguns dos hábitos de outrora (recriados especificamente para o mesmo). Mas, contrariamente ao que possam pensar, recriar não é simular. E, perante tal dedicação das pessoas envolvidas, não consigo distinguir o actor do agricultor/artesão. Pelo contrário, distingo bem o prazer do “frete” usual em exercícios semelhantes. O prazer de voltar atrás no tempo. De recuperar os hábitos cada vez mais perdidos. De vestir a farda que havia sido do antepassado e de tocar no adufe que havia encantado os serões da sua juventude. O prazer da vindima. O prazer do convívio. O amor fraterno pelos seus. E tal simplicidade de processos obceca-me.

Anda na moda o termo Folk. E eu gosto que esteja. E de fazer parte dela.

Gosto de saber que há pessoas que teimam em recuperar o património. Em manter os seus hábitos e materializá-los como podem e melhor sabem. Que há bandas a relembrar a música balcânica, flamenca ou mirandesa. Que o fado volta a ser notícia principal, que o samba continua a encantar. Que a tradição é para se manter. Porque é património. E um orgulho.

Compreendo a vontade da criança que pede uma consola no seu 6º aniversário. E aceito-a. Mas entristece-me que nada façam para alargar os seus horizontes. Que o Domingo não seja passado a visitar o castelo mais próximo. Mas sim no sofá.

E concordo com o Dr. Santana Lopes. Não é essa a evolução que interessa. Não é essa “loucura” que se quer para o nosso país. É preciso reflectir sobre as nossas prioridades enquanto seres humanos; enquanto comunidade. E a melhor maneira de o fazermos é deitando um olhar ao que outrora foi e já raramente o é.

E esse receio de um futuro cada vez mais presente, deixa-me algo apreensivo. E meio obcecado.

Por voltar atrás no tempo.

Categorias: Crónica do Proprietário · Geral

Noite Dj: Rock The 80’s

Setembro 28, 2007 · Deixe um comentário

Para recordar o melhor dos anos 80, com o nosso Dj Residente.

A pista é vossa.

David Bowie – “Let’s Dance”

The Cure – “Just Like Heaven”

Bauhaus – “She’s in Parties”

The Smiths – “Panic”

Depeche Mode – “Enjoy The Silence”

Men At Work – “Down Under”

Echo & The Bunnymen – “The Killing Moon”

New Order – “Blue Monday”

Duran Duran – “Save a Prayer”

Blondie – “Call Me”

Talking Heads – “Once In a Lifetime”

Roxy Music – “The Main Thing”

INXS – “Need You Tonight”

King – “Love And Pride”

Bobby Mcferrin – “Don’t Worry, Be Happy”

Belinda Carlisle – “Heaven Is A Place on Earth”

Culture Club – “Karma Chameleon”

Toto – “Africa”

Joan Jett & The Blackhearts – “I Love Rock n’ Roll”

Aha – “Take On Me” 

Lil Louis – “French Kiss”

Madonna – “La Isla Bonita”

Joy Division – “Love Will Tear Us Apart”

E acabou por hoje. Obrigado pela presença. Até pr’á semana.

Categorias: Música · Noite Dj

Royal Cafe Convida: Telmo Martins

Setembro 28, 2007 · 1 Comentário

telmo.jpg

Telmo Martins nasceu em 1978 em Miragaia, Porto.

Em 1995 entra no curso de Eng. Electomecânica na Universidade da Beira Interior.

Ainda no curso de Eng. Electormecânica é chefe de equipa do projecto “Maubere” – Eco Marathon Shell, no qual vence o prémio de design em Bruxelas.

Em 2002 muda para o Curso de Design Multimédia onde realiza o primeiro filme em animação 3d em Portugal (“Karma”), participa em alguns festivais de cinema e vence o Prémio Jovem Realizor no Ovarvideo.

Em 2004 realiza o seu trabalho com mais sucesso – “Rupofobia” – e com esta curta-metragem participa em dezenas de festivais de todo mundo e ganha vários prémios nacionais e internacionais. Rupofobia é traduzido para 5 línguas e é exibido comercialmente.

Depois de mais alguns trabalhos, em 2007 realiza “Crosswalk” que vence o festival Istock vídeo contest no Canada e o prémio Festroia-Sapo Vídeos. Finaliza a licenciatura em Design Multimédia, prepara a sua primeira Longa-Metragem e frequenta o mestrado de Design multimédia na Universidade da Beira Inteior.

Actualmente dirige uma produtora – Lobby Productions – que tem vindo a ganhar o seu espaço no panorama nacional com inúmeros trabalhos de qualidade.

Alguns trabalhos de Telmo Martins:

Curta-Metragem “Crosswalk”

Spot Publicitário “100% Cool”

Videoclip “Delays are Dangerous”, da banda TheyWereGunShots

Lobby Productions Website

Lobby Productions Myspace

“Rupofobia” Website

“Utensílios do Amor” Website

“Tempo Presente – Memórias de um Estudante” Website

O Royal Cafe aproveitou a sua visita para lhe colocar as seguintes questões:

Royal Café: Descreve a actividade da Lobby numa frase.

Telmo Martins: Tradução de ideias em imagens, em todas as suas vertentes.

RC: Que perspectivas para o futuro da Lobby?

TM: Só Deus sabe. De qualquer das maneiras não penso muito no futuro,

preocupo-me mais em que, cada dia na sua individualidade corra o melhor possível.

Se em todos os dias, eu e a equipa de profissionais que trabalha na Lobby der o seu máximo, certamente o futuro será também o máximo.

RC: Qual o teu trabalho que mais gostaste de realizar? Porquê?

TM: “Rupofobia”, imortalizei alguém de quem gosto muito.

RC: Com que artista gostarias de colaborar? Porquê?

TM: David Cronenberg. É um autor altamente criativo e experimental. Tem uma visão sobre o presente e futuro fora do normal, que consegue transformar em imagem de uma forma sublime.

RC: Quais os 3 filmes da tua vida?

TM: “Crash” de David Cronenberg; “Bug” de William Friedkin e “The Fountain” de Darren Aronofsky.

RC: Que realizador escolherias para fazer um filme sobre a tua vida? Porquê?

TM: Jean-Pierre Jeunet. Pela forma como aborda a vida e a relação entre as pessoas. Pelo sentido de humor. Pela sensibilidade fotográfica e ritmo com que filma, e além de tudo pela loucura saudável com que vê o mundo. Tem tudo a haver comigo.

RC: Quais as tuas maiores influências?

TM: A minha vida.

RC: Recorres a algum método específico, durante o processo criativo?

TM: Cigarros, só cigarros.

RC: Se pudesses, o que mudarias em Portugal?

TM: O processo de apoio à produção cinematográfica.

RC: Que filme gostarias de ter sido tu a filmar? Porquê?

TM: Filme, nenhum. Agora se falarmos de argumentos, o “Crash” certamente iria tirar-me do sério.

RC: Como classificas o actual panorama do cinema português?

TM: Começa a melhorar com o aparecimento de novos talentos, jovens com uma visão mais contemporânea do cinema. Mas, mesmo assim, continua mau, dominado por grupos que anulam todas as possibilidades dos que querem fazer cinema por amor.

RC: Se não fosses realizador, serias…

TM: Eng. Electromecânico.

RC: Queres deixar alguma mensagem aos jovens cineastas, ou aspirantes a tal?

TM: Desistir é…morrer.

 

O Royal Cafe agradece. Pela obra e pela visita. Volte sempre.

Categorias: Cinema · Royal Cafe Convida

Retrospectivas: Spike Jonze

Setembro 26, 2007 · Deixe um comentário

jonze_ag88488436377_150x200.jpg

Spike Jonze (nascido Adam Spiegel, em 22 de Outubro de 1969) é um realizador norte-americano de videoclips e vídeos publicitários e também realizador e produtor galardoado pela Academia Norte-Americana em cinema e televisão, nomeadamente com os filmes “Being John Malkovich” (1999) e “Inadaptado” (2002), ambos escritos por Charlie Kaufman.

Divorciado de Sofia Coppola (também ela realizadora de filmes como “Lost in Translation” ou “Virgens Suicidas” e filha de Francis Ford Coppola), Jonze notabilizou-se pela sua criatividade e originalidade na direcção de alguns dos melhores videoclips de sempre e por detrás de projectos como Jackass. Contudo foram os dois filmes que realizou até à data – “Being John Malkovich” e “Inadaptado” – que lhe conferiram o estatuto de um dos mais brilhantes e promissores realizadores da actualidade.

O Royal Cafe deixa aqui alguns dos vídeos que o notabilizaram:

Beastie Boys – “Sabotage” Music Video

“How They Get There” – Curta-metragem

Spot Publicitário Ikea

Weezer – “Island in The Sun” Music Video

Spot Publicitário Adidas

Fatboy Slim – “Praise You” Music Video

Dinossaur Jr. – “Feel The Pain” Music Video

Spot Publicitário Levi’s

Spot Publicitário Gap

Tenacious D – “Wonderboy” Music Video

“Being John Malkovich” Trailer

“Adaptation” Trailer

Actualmente Jonze está a concluir o seu mais recente filme, uma adaptação do conto juvenil “Where The Wild Things Are”, que estreará em 2008 e contará com a participação de Catherine Keener e Benicio Del Toro, entre outros.

O Royal Cafe deixa aqui a única imagem do filme disponível até à presente data:

wherethewildthingsaremtv.jpg

O Royal Cafe espera que gostem.

Categorias: Cinema · Retrospectivas

“Into The Wild”

Setembro 24, 2007 · 1 Comentário


Estreou na passada sexta-feira, nos Estados Unidos, “Into The Wild”, o novo filme de Sean Penn. O filme narra a história de Christopher McCandless, um recém-licenciado norte-americano que, com 22 anos, trocou a sua privilegiada vida por uma viagem ao selvagem, em busca de aventura.

O filme é uma adaptação do best-seller homónimo de Jon Krakauer, livro que relata a viagem de Christopher McCandless pelos confins dos Estados Unidos, desafiando todo e qualquer perigo, em busca da verdade e da sua felicidade. Escrito e realizado por Sean Penn, o filme conta com a participação de Emile Hirsch no principal papel e Marcia Gay Harden, William Hurt e Vince Vaughn, entre outros, como secundários. Eddie Vedder, vocalista dos Pearl Jam, assina a banda-sonora, que também se apresenta muito interessante.

O Royal Cafe está desejoso de o ver e partilha aqui alguns vídeos relacionados com o filme, para vos abrir o apetite:

Trailer

“Hard Sun” Music Video, de Eddie Vedder

Excertos do Filme

About Christopher McCandless

BSO

Website

O filme estreia por terras lusas dia 29 de Novembro. O Royal Cafe vai aguardar ansiosamente até lá. E vocês?

Categorias: Cinema · Música

Kanye West’s “Graduation”

Setembro 24, 2007 · Deixe um comentário

Kanye West Graduation

Pois é. Não será só o Royal Cafe a recomendá-lo, certamente. Mas o álbum é mesmo bom.

Após o estrondoso sucesso comercial/musical dos seus dois trabalhos anteriores, “The College Dropout” (2004) e “The Last Registration” (2005), Kanye West afirmou publicamente que o seu álbum seguinte seria o melhor. E atribuiu-lhe o título “Graduation”.

Durante o Verão e após anunciar a data de estreia de “Graduation” para o mesmo dia que a de “Curtis”, o novo trabalho do seu “rival” número um 50 Cent, o egocêntrico Kanye afirmou que o seu álbum iria superar totalmente as vendas de “Curtis”. Esta pequena guerra levou a que 50 Cent afirmasse que se tal acontecesse, retirar-se-ia da música em nome próprio. A tensão em volta dos 2 álbuns foi aumentando e finalmente chegou o tão aguardado dia 11 de Setembro. Feitas as contas ao 6º dia de vendas, a verdade é que o presunçoso Kanye vai vencendo. E não só superou os números de “Curtis” por mais de 250 mil exemplares vendidos, como também superou o número de vendas dos seus trabalho anteriores. Analisados os números, podemos concluir que Kanye acertou quando disse que este ia ser o seu melhor álbum. Pelo menos é o seu maior sucesso comercial até hoje.

Relativamente ao seu conteúdo, “Graduation” é, sem dúvida, o melhor álbum de Kanye West. E se o título assim o sugere, esta é mesmo a graduação de Kanye. Se, ao longo da sua “licenciatura” ele mostrou o seu brilhantismo em duas obras excepcionais, é nesta sua “tese” final que ele demonstra todo o seu génio criativo.

Produtor musical de cartas dadas em inúmeros outros trabalhos, Kanye é exímio na conjunção de elementos que agradem musicalmente ao ouvinte. Foi ele um dos grandes responsáveis por hits de artistas como Eminem, Alicia Keys, Jay Z, The Game, Common, entre outros, na produção dos seus temas. Recorrendo constantemente ao sampling de clássicos soul, Kanye dá-lhes o melhor uso junto de uma trabalhada composição instrumental. Após os seus dois álbuns anteriores, tornou-se o maior ícone mundial de sampling, trabalhando samples de Lauryn Hill, Marvin Gaye, Michael Bolton, Aretha Franklin, entre outros, criando estrondosos hits musicais.

Desta feita, o homem que afirma que se a bíblia fosse escrita nos dias de hoje, o seu nome seria certamente referenciado na mesma, recorre a samples de Elton John, Daft Punk e Michael Jackson, entre outros e colabora com Mos Def, Chris Martin (dos Coldplay), T-Pain e Dj Premier.

Em “Graduation” o método é o mesmo. Mas Kanye está mais maduro. Acabou de se licenciar. Presunções e guerras à parte, a sua música é excelente.

E quanto mais o ouvimos, mais o adoramos. Um álbum exemplar, que vale pelo seu todo.

Link

Categorias: Música · Royal Cafe Recomenda

“I Want More Time”

Setembro 22, 2007 · Deixe um comentário

Porque há publicidades mesmo muito boas:

I Want More Time

Categorias: Publicidade Genial

Crónica do Proprietário

Setembro 22, 2007 · Deixe um comentário

Foi uma semana de aplausos.

António Lobo Antunes, na cada vez mais “sua” terra, foi longamente aplaudido no 7º Festival Internacional de Literatura de Berlim. A leitura de excertos das suas obras, em português e alemão, e a consequente ovação emocionaram o escritor português, que evocou as suas raízes germânicas. O seu pai sempre considerou a Alemanha como a sua terra, até à data da sua morte. E, na cerimónia em que foi apresentado como o maior escritor lusitano da actualidade, Lobo Antunes retribuiu o carinho ao afirmar que era 25% alemão. Mas não foram as suas raízes que o levaram ali. Nem elas o motivo das palmas.

José Mourinho, jogando noutro campo, chegou a acordo de rescisão amigável com o Chelsea. O treinador português, que levou o clube londrino a uma glória que desconhecia até então, colocando-o como um dos maiores clubes do mundo, saiu do clube pela porta grande. Foi uma decisão por muitos inesperada, mas compreendida. A relação entre Mourinho e a direcção já não era a mesma de tempos idos e a sua saída pode ter sido lógica. Mas, mais lógico do que tudo isso é o sinal de reconhecimento do seu trabalho. Os tablóides britânicos vão sentir a sua falta, Ferguson e Wenger lamentarão a saída do mais forte “rival” de profissão e os adeptos do Chelsea terão que sobreviver ao “fantasma” Mourinho, como as Antas sofreram após a sua saída do Porto. É quase impossível um trabalho tão digno e próximo da perfeição encontrar substituto num futuro próximo. Mourinho deixou a sua marca. E foi aplaudido.

“Os Sopranos” voltaram a conquistar os principais Emmys – melhor série dramática, melhor realizador e melhor cenário. Apesar de nenhum dos actores da série terem recebido os devidos prémios, David Chase, o criador de “Os Sopranos”, ao receber a estatueta de melhor série foi peremptório nas suas declarações: “Eu já disse isto muitas vezes, mas volto a dizer, que a melhor coisa nisto tudo é poder trabalhar com todos estes actores. Eles são formidáveis”. E, assim, retribui os aplausos com os rostos que dão sucesso à série. É impossível não lhes reconhecer o mérito.

A nossa selecção AMADORA de rugby ainda não venceu nehum jogo, na sua histórica primeira participação no Mundial de Rugby. Desafiando as principais selecções do mundo, “Os Lobos” deixaram a sua marca em cada um dos jogos disputados até agora. A garra, vontade e entrega devem servir de exemplo não só para quem pratica desporto, mas como filosofia de vida a todos nós. É preciso lutar contra as adversidades com tudo aquilo que temos. Sem dúvida um exemplo máximo de coragem, determinação e persistência. Um orgulhoso aplauso. De Portugal.

Jorge Sampaio podia ter optado por gozar o período pós-Belém em férias, num qualquer pacato local, isento de preocupações ou inseguranças. Podia ter optado pela indiferença. Mas determinadas pessoas nasceram para lutar. Por causas, princípios, pela humanidade. Jorge Sampaio afirmou hoje, no Conselho Informal dos Ministros do Desenvolvimento da União Europeia, que é indispensável a realização da Cimeira Europa-África. Podia estar neste momento num qualquer lago isolado, contando os peixes que lhe faltariam para equilibrar o saldo pescatório com que o seu neto ia vencendo a “competição”. Mas não. Por sua vez, prefere contar a percentagem de casos de Sida em África (63% dos Mundiais) e respectiva percentagem de mortes ocorridas no ano passado (72% das mortes ocorridas em todo o Mundo em 2006). Não abdica do lago. Da vida com os seus. Mas também não renuncia o seu papel humanitário. De lutar por causas por muitos consideradas perdidas. Ao nosso “querido” ex-Presidente da República, um aplauso.

Mas o maior aplauso é o inaudível. É o reconhecimento. Aquele que nos confere o seu devido valor. O aplauso que prevalece. Imaginemos Mourinho a sair do balneário do seu Chelsea (seu, porque tal saga terminou nesse preciso momento), tal qual John Keating a abandonar a sua sala no magnífico filme “Clube dos Poetas Mortos”, e todos os jogadores transmitindo-lhe todo o seu apreço pelo seu trabalho. Porque mais valioso do que o que a obra deixa, é o reconhecimento pessoal dos seus próximos. E, quiçá originado pela força do momento, de uma despedida indesejada, hoje Lampard admitiu querer abandonar o Chelsea, seguindo os passos do seu ex-treinador, capitão, líder, ou aquilo que quisermos chamar para definir o papel de Mourinho na formação deste jogadores. Além de Lampard, também Drogba, Ricardo Carvalho, entre outros, já afirmaram estar igualmente de saída. Noutro campo, imagino Lobo Antunes tal qual John Nash, no final do esplendoroso “Uma Mente Brilhante”, a receber as canetas dos seus colegas de profissão. Lobo Antunes foi acarinhado na terra que cada vez mais considera sua, por colegas de profissão e amantes de literatura. E Sampaio a contemplar o olhar de um jovem angolano, filho de pais seropositivos, a formar-se em Direito, por exemplo, agradecendo as campanhas humanitárias que, em pequeno, o salvaram, impedindo o seu contágio. David Chase reconheceu o valor dos seus actores, uma vez mais. O que é bom, nunca é demais. Reconheceu que o sucesso da sua obra não é só seu. Ficou-lhe bem. Esse gesto foi mais forte que os aplausos. Imagino também a selecção de Rugby a regressar a Portugal com plena consciência de que cumpriram a missão. Mal sabem eles a lição de vida que deram com a sua filosofia de jogo. Um dia saberão. E aí sim, sentir-se-ão reconhecidos.

E assim, deixo o meu aplauso. Até Sábado.

Categorias: Crónica do Proprietário · Geral

Noite Dj: Remember Soul

Setembro 21, 2007 · Deixe um comentário

Deejay 

Hoje à noite, o Dj Residente do Royal Cafe convida-vos a participar numa viagem musical ao passado, relembrando alguns dos maiores clássicos de soul music.

A pista é vossa. Divirtam-se.

Marvin Gaye – “I Heard It Through The Grapevine”

Otis Redding – “Sitting On The Dock of The Bay”

Aretha Franklin - “I Say a Little Prayer”

The Temptations - “My Girl”

Stevie Wonder – “Superstition”

The Delfonics - “La La Means I Love You”

Marvin Gaye - “What’s Going On”

Smokey Robinson & The Miracles - “Ohh Baby Baby”

Aretha Franklin - “Respect”

Percy Sledge - “When a Man Loves a Woman”

Pára a música. Os casais que compõem a pista sorriem. Apaixonados, ternos e deleitados. O Dj contempla a aura que a pista ganhou ao longo do seu set. E, fazendo jus à paixão que a sobrevoa, volta a carregar no play. Uma última música. Um turbilhão de emoções.

Marvin Gaye - “Sexual Healing”

It’s all about love. It’s all about soul music.

Obrigado . Até p’rá semana.

Categorias: Música · Noite Dj

Royal Cafe Convida: Luís Rolo

Setembro 20, 2007 · Deixe um comentário

Luó Rolo

Luís Rolo nasceu em 1975, em Portugal. Desde cedo tomou contacto, por influência familiar, com a música. Instrumentista auto-didacta (teclados, baixo), Luís Rolo iniciou a actividade musical com vários projectos de diferentes géneros, como o Grupo de Música Popular do Ateneu de Coimbra/Diabinho da Mão Furada – (1985 -1992) e enquanto vocalista do grupo “ZPL” com diversas actuações pelo país até 2000.

Após essas experiências com grupos musicais diversos, enveredou por um projecto electrónico a solo, explorando as potencialidades criativas da música por computador e por via MIDI. A partir de 2003, Rolo compõe temas electro-pop-new save, com uma sensibilidade muito própria e um carisma pouco habitual na música nacional. A voz é outra das fortes ferramentas musicais de Luís Rolo, uma vez que o seu timbre grave e marcado confere à música um enriquecimento suplementar (as suas grandes referências de estilo vocal são Peter Murphy e David Sylvian). Há ainda a referir, no trabalho musical de Rolo, a grande atenção prestada à produção e aos pormenores sonoros.

A par da sua actividade musical a solo, Luís Rolo formou um projecto em parceria com António Louro, AKA Craft, intitulado “Dual Tone”, com uma sonoridade mais trip-hop. Neste projecto funde-se a sensibilidade electro-pop de Rolo com os fraseados rappers de Craft, num todo musical repleto de felizes contrastes tímbricos e sonoros.

Biografia por Victor Afonso, AKA Kubik 

No ano passado, Luís Rolo editou o seu álbum de estreia ”Dust Into Your Eyes”, pela editora norte-americana The Lost Records. Alguns dos temas que compõem o álbum podem ser ouvidos no seu myspace.

O Royal Cafe, aproveitando a sua presença nesta noite, elaborou as seguintes questões:

Royal CafeDescreve a tua música numa frase.

Luís Rolo – Espírito anos 80 com sonoridade Século XXI. 

R.C. – Recorres a algum método específico no teu processo criativo? Qual?

L.R. –  Umas vezes sai música à primeira, outras inventa-se um bocado e vê-se o que se aproveita. Se quiserem chamar método a isso… 

R.C. – Quais as tuas maiores influências, enquanto artista?  

L.R. – Peter Murphy, David Bowie, David Sylvian, Nine Inch Nails, Massive Attack e Depecche Mode. 

R.C. – Com quem gostarias de colaborar, musicalmente?

L.R. – Tanta gente…

R.C. – O que tens ouvido ultimamente? E quais os 3 álbuns da tua vida?

L.R. – Ultimamente tenho ouvido o mesmo de sempre e um bocadinho de Sarah Fimm. 3 álbuns? Talvez “In the Flat Field” dos Bauhaus, “Mezzanine” dos Massive Attack e “Fünf Auf Der Nach Oben Offenen Richterscala” dos Einstuerzende Neubauten

R.C. – E os 3 filmes?

L.R. – “Natural Born Killers”; “Once Upon a Time in America”; “Monty Python and the holy Grail” 

R.C. – Que realizador escolherias para fazer um filme sobre a tua vida? Porquê?

L.R. – Sempre gostava de ver se o Sergio Leone conseguia fazer da minha vida um Western… Noutra perspectiva, também pensei no Sá Leão. 

R.C. – Quais as tuas perspectivas de futuro?

L.R. – Não gosto muito de fazer previsões… O que vier é bom.

R.C. – Se pudesses, o que mudarias em Portugal?

L.R. – Punha toda a gente a comprar o meu CD. 

R.C. – Queres deixar alguma mensagem para os jovens aspirantes a músicos?

L.R. – Neste país muito pouca gente consegue viver exclusivamente da música, como tal divirtam-se a tocar, porque se a sorte tiver que bater à porta, ela bate. 

Em primeira mão no Royal Cafe, Luís Rolo disponibiliza a sua mais recente música, “Hallucination“, que fará parte do seu próximo álbum, ainda sem título nem data de lançamento definidos.

Luís Rolo Myspace

Dual Tone Myspace

Obrigado. Até uma próxima.

Categorias: Música · Royal Cafe Convida