Pois é. Não será só o Royal Cafe a recomendá-lo, certamente. Mas o álbum é mesmo bom.
Após o estrondoso sucesso comercial/musical dos seus dois trabalhos anteriores, “The College Dropout” (2004) e “The Last Registration” (2005), Kanye West afirmou publicamente que o seu álbum seguinte seria o melhor. E atribuiu-lhe o título “Graduation”.
Durante o Verão e após anunciar a data de estreia de “Graduation” para o mesmo dia que a de “Curtis”, o novo trabalho do seu “rival” número um 50 Cent, o egocêntrico Kanye afirmou que o seu álbum iria superar totalmente as vendas de “Curtis”. Esta pequena guerra levou a que 50 Cent afirmasse que se tal acontecesse, retirar-se-ia da música em nome próprio. A tensão em volta dos 2 álbuns foi aumentando e finalmente chegou o tão aguardado dia 11 de Setembro. Feitas as contas ao 6º dia de vendas, a verdade é que o presunçoso Kanye vai vencendo. E não só superou os números de “Curtis” por mais de 250 mil exemplares vendidos, como também superou o número de vendas dos seus trabalho anteriores. Analisados os números, podemos concluir que Kanye acertou quando disse que este ia ser o seu melhor álbum. Pelo menos é o seu maior sucesso comercial até hoje.
Relativamente ao seu conteúdo, “Graduation” é, sem dúvida, o melhor álbum de Kanye West. E se o título assim o sugere, esta é mesmo a graduação de Kanye. Se, ao longo da sua “licenciatura” ele mostrou o seu brilhantismo em duas obras excepcionais, é nesta sua “tese” final que ele demonstra todo o seu génio criativo.
Produtor musical de cartas dadas em inúmeros outros trabalhos, Kanye é exímio na conjunção de elementos que agradem musicalmente ao ouvinte. Foi ele um dos grandes responsáveis por hits de artistas como Eminem, Alicia Keys, Jay Z, The Game, Common, entre outros, na produção dos seus temas. Recorrendo constantemente ao sampling de clássicos soul, Kanye dá-lhes o melhor uso junto de uma trabalhada composição instrumental. Após os seus dois álbuns anteriores, tornou-se o maior ícone mundial de sampling, trabalhando samples de Lauryn Hill, Marvin Gaye, Michael Bolton, Aretha Franklin, entre outros, criando estrondosos hits musicais.
Desta feita, o homem que afirma que se a bíblia fosse escrita nos dias de hoje, o seu nome seria certamente referenciado na mesma, recorre a samples de Elton John, Daft Punk e Michael Jackson, entre outros e colabora com Mos Def, Chris Martin (dos Coldplay), T-Pain e Dj Premier.
Em “Graduation” o método é o mesmo. Mas Kanye está mais maduro. Acabou de se licenciar. Presunções e guerras à parte, a sua música é excelente.
E quanto mais o ouvimos, mais o adoramos. Um álbum exemplar, que vale pelo seu todo.

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