Os links para download são únicamente para divulgação de boa música. O Royal Cafe não ganha dinheiro por partilhá-lhos. Se gostar das músicas, apoie os seus artistas preferidos comprando os seus álbuns.
«John, Fernanda Takai e Ricardo Koctus formam o grupo PATO FU, em setembro de 92, em Belo Horizonte. A proposta da banda era fazer música de forma não convencional, unindo bases eletrônicas a guitarras pesadas, música regional, baladas e o que mais aparecesse pela frente.
O trio eletrônico logo ficou conhecido no meio universitário. A primeira DEMO da banda foi enviada para todos os veículos especializados, que apontaram o PATO FU como uma das mais criativas bandas de sua geração
O primeiro disco, ROTOMUSIC DE LIQUIDIFICAPUM foi lançado pelo selo independente Cogumelo, em 93. A banda conseguiu vencer a fronteira de Minas Gerais e fez shows no eixo Rio – São Paulo – Brasília e algumas capitais do nordeste.
A banda começa a aparecer no cenário nacional com seus clips na MTV Brasil em 1994. O ano de 95 marcou o lançamento do 2º cd, GOL DE QUEM?, já pela gravadora BMG. Músicas coma Sobre o Tempo e Qualquer Bobagem deram à banda o prêmio de revelação no 1º Video Music Awards da MTV Brasil e também no 1º Prêmio Multishow de Música Brasileira. O PATO FU toca nos Estados Unidos pela primeira vez nesse mesmo ano.
1996 foi muito marcante para a banda, pois, além de participar do Hollywood Rock ao lado de Cure, Robert Plant e Smashing Pumpkins, o PATO FU coloca um baterista de carne e osso: Xande Tamietti.
TEM MAS ACABOU foi o 3º cd (produzido por André Abujamra, do KARNAK). Já com o trabalho consolidado, eles passaram o 2º semestre de 96 e o 1º de 97 tocando em diversas capitais do país.
Em 1998 sai o 4º cd, TELEVISÃO DE CACHORRO, que, pela primeira vez, colocou o PATO FU nas rádios nacionalmente com Antes Que Seja Tarde, Eu Sei e Canção Pra Você Viver Mais. A banda sai em turnê durante 1 ano e 3 meses, fazendo mais de 140 apresentações.
1999 termina com o 5º cd, ISOPOR (também produzido por Dudu Marote, o mesmo do álbum anterior). Em menos de dois meses, o novo álbum conquistou o disco de ouro e a banda continuou nas rádios com a música Depois. 2000 foi um dos anos mais movimentados da carreira da banda; com agenda lotada de shows, diversas participações em discos como o do IRA!, Rita Lee, Marcelo Bonfá, Zélia Duncan, Karnak e Herbert Vianna. O grupo também gravou um tema para a Olimpíada 2000, veiculada pela Rede Globo de Televisão.
A banda encerrou a turnê ISOPOR no início de 2001, com uma memorável apresentação no ROCK IN RIO 3, tocando para 200.000 pessoas ao lado de nomes como Oasis, Guns ‘n Roses, Beck, Foo Fighters e REM.
2001 é o ano do RUÍDO ROSA, sexto cd. Gravado essencialmente num estúdio caseiro, mas mixado em Londres pelas mãos competentes de Clive Goddard (PuIp, Placebo, entre outros). Esse disco trouxe à banda a maior coleção de elogios desde o início de sua carreira, sendo apontado em muitas críticas como o melhor lançamento do pop/rock brasileiro dos últimos anos. A banda foi apontada, pelos críticos da revista TIME, como uma das 10 melhores bandas do mundo. Entre outras bandas eleitas estão U2, Radiohead e Portishead.
2002 marca os dez anos de vida da banda. PATO FU lança seu CD/DVD – MTV Ao Vivo. A primeira música de trabalho, POR PERTO, torna-se um grande sucesso de execução nas principais rádios do país.
Um bocado de tempo se passou desde o último lançamento. Quase três anos. Fernanda e John tiveram sua primeira filha e esse intervalo foi em grande parte dedicado à produção do oitavo CD, “Toda Cura Para Todo Mal”, lançado em maio de 2005. A música “Anormal” já está sendo executada nas rádios de todo país.»
PATO FU
Fernanda Takai – vocal e violão
John – guitarra, programações e vocais
Ricardo Koctus – baixo e vocais
Xande Tamietti – bateria
Lulu Camargo – teclados
O Royal Cafe aproveitou a sua presença para colocar as seguintes questões:
Royal Café: Descrevam a vossa música numa frase.
Fernanda Takai: Música variada sem fronteiras de tempo ou espaço.
R.C.: Como se juntaram os Pato Fu? F.T.: A gente se conheceu numa loja de instrumentos musicais em 1990. Mas a
banda só começou a tocar em 1992, com a formação inicial que era um
trio: eu, John e Ricardo.
R.C.: Falem-nos um pouco acerca do vosso novo álbum, “Daqui Pró Futuro”. Em que difere dos vossos trabalhos anteriores?
F.T.: É disco mais calmo do Pato Fu. Todos os discos anteriores tem músicas
muito contrastantes entre si, acho que este álbum é mais homogêneo. Sem
ser chato, espero… : )
R.C.: O que têm a dizer acerca do futuro? Do progresso tecnológico e do que de positivo/negativo poderá trazer?
F.T.: O futuro traz muita coisa boa, mas alguns pontos discutíveis. Somos
muito pró-tecnologia quando ela facilita a nossa vida, nos permite uma
certa onisciência. Quem sabe dosar bem o uso dela na vida de modo geral,
com certeza vai ter um saldo mais positivo. Acho ruim hoje a questão dos
direitos autorais estarem saindo do controle de todos. Há várias pessoas
que precisam viver de sua produção intelectual, por exemplo. Então sou a
favor de conteúdos liberados desde que alguém ou alguma coorporação
esteja pagando alguma conta, pois ela existe.
R.C.: E em relação à música, a um nível global? F.T.: A música vai muito bem. Em todas as épocas é preciso separar as coisas
boas das ruins. Temos grandes talentos hoje e a música nunca foi tão
consumida como agora. Ela está no telefone móvel, nas páginas da
internet, nos filmes, tvs, elevadores, aeroportos….
R.C.: E em relação aos Pato Fu? Quais as vossas perspectivas de futuro? F.T.: Somos uma banda com 15 anos de carreira, sabemos que são raros os grupos
que duram tanto tempo assim, mantendo-se produtivos e em turnê ano a
ano. Queremos apenas continuar a fazer a música que gostamos e se
possível mostrá-la ao mundo inteiro. Enquanto estiver bom para todos,
temos fôlego pra continuar.
R.C.: Édifícil exportar a música brasileira? F.T.: Se é um tipo de música brasil-exportação é fácil. O samba, bossa nova,
mpb e o axé por exemplo, encontram sempre muitas portas abertas pelo
planeta todo. Difícil é exportar a produção daqui que não tem um aspecto
“puro” brasileiro, como é nosso caso. Mas acho que aos poucos vamos
achando o público interessado nesse tipo de música, pois ele existe em
todos os países também.
R.C.: Que medidas facilitariam essa questão?
F.T.: Passar mais tempo no estrangeiro a divulgar nossa música, o que de certa
forma enfraqueceria nossa carreira aqui e custaria caro. Ou fazer algo
mais clichê de música brasileira – que não está em nossos planos.
R.C.: Vocês são a “alma gémea” da banda portuguesa “Clã”. Como se conheceram e quando sentiram que poderiam colaborar enquanto artistas? F.T.: Foi através da indicação de um jornalista português, o Pedro Salgado,
que conheci pela internet algumas canções deles. Fizemos contato por
email e marcamos um encontro por ocasião de uma viagem de férias que
fizemos a Portugal em 2003. Pra nossa surpresa eles também se mostraram
muito simpáticos à nossa música. Houve uma grande afinidade pessoal
entre Helder, Manuela, John, eu e nossas filhas que hoje tem idade
semelhante. Acho que nossas colaborações em divulgar mutuamente os
trabalhos do Pato Fu e Clã tem sido bem recebidas pelas platéias de
ambos os países.
R.C.: Com que artista gostariam de colaborar, futuramente?
F.T.: Falo de meu lado apenas, não sei o que diriam os outros integrantes:
Suzanne Vega e Tracey Thorn.
São duas das vozes que mais aprecio.
R.C.: Quais as vossas maiores influências?
F.T.: No geral aqui no Pato Fu ouvimos quase tudo que é feito no mundo e de
todas as épocas. O ponto comum é a música dos anos 80.
R.C.: Recorrem a alguma espécie de “ritual”, durante o processo criativo, como forma de inspiração? F.T.: Não. Fazemos sempre algumas anotações sobre temas interessantes mas o
processo de criação é mais trabalhoso mesmo. Parar. Escrever. Jogar
fora. Reescrever. Aproveitar ou não. Tentar de novo, colocando a
autocrítica no máximo.
R.C.: Qual o concerto que mais gostaram de dar até hoje?
F.T.: Cada um vai dizer um show diferente… O meu preferido foi a noite no
Hollywood Rock em 96, quando abrimos pro The Cure, uma de minhas bandas
mais queridas.
R.C.: E qual o festival que “dariam tudo” para actuar? F.T.: Fuji Rock no Japão ou talvez o lendário Reading, na Inglaterra.
R.C.: Querem deixar alguma mensagem aos jovens aspirantes a músicos?
F.T.: Acho que os novos artistas não precisam de muitos conselhos. Às vezes
ficam ouvindo gente demais e descaracterizam a sua música tentando achar
um molde de sucesso. Posso dizer que não dêem prazo pra música
acontecer. A recompensa acaba vindo!
Os Pato Fu aceitaram disponibilizar para os clientes do Royal Cafe o tema “30.000 Pés”.
António Ferreira nasceu em Coimbra em 1970. Inicia-se profissionalmente como programador informático, profissão que viria abandonar em 1990, quando se muda para Paris. Em 1994 ingressa em Lisboa, na Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC). Em 1996, muda-se para a Alemanha para estudar na Academia de Cinema e Televisão de Berlim (dffb). Em 2000, ganha notoriedade com a curta metragem “RESPIRAR (debaixo d’água)” que o levou até ao Festival de Cannes e com a qual ganhou vários prémios em diversos festivais internacionais. Em 2002, estreia-se na longa metragem com “Esquece tudo o que te disse”, que se tornou num dos filmes portugueses mais vistos em Portugal nesse ano. Em 2007 estreia o seu mais recente filme “Deus Não Quis”.
Reside e trabalha actualmente em Coimbra, onde dirige a sua produtora ZED FILMES – CURTAS E LONGAS, com a qual produz ficção e documentários dos mais diversos realizadores.
“Respirar (Debaixo De Água)” Trailer
“Deus Não Quis” Trailer
“Esquece (Tudo O Que Te Disse)” Trailer
Alguns videoclips realizados por António Ferreira:
Expensive Soul feat. Bianca – “Eu Não Danço/I Don’t Dance”
A Jigsaw – “Lion’s Eyes Louder”
Humanos – “Quero É Viver”
O Royal Cafe aproveitou a sua presença para lhe colocar as seguintes questões:
Royal Café: Descreve a actividade da Zed Filmes numa frase.
António Ferreira: A ZED é uma produtora cinematográfica de filmes de documentário, ficção e videoclips.
R.C.: Foste programador informático. Em que momento da tua vida sentiste que querias ser cineasta?
A.F.: Quando compreendi que não queria ser programador informático o resto da vida…. o cinema era o meu outro amor.
R.C.: E que experiência guardas da Escola Superior de Teatro e Cinema da Amadora? Em termos de aprendizagem.
A.F.: Boas e más. No inicio foi uma revelação positiva, pois o meu conhecimento do cinema era sobretudo a do mainstream e a ESTC revelou-me outras cinematografias até então desconhecidas. As más experiências começaram quando me apercebi que a escola era conservadora, que afinal havia cinematografias “maiores” e outras “desprezaveis”. Obviamente, esse não era o meu ponto de vista.
R.C.: E em que aspectos a tua passagem por Berlim foi enriquecedora?
A.F.: É essencial conhecer outras culturas e neste caso, outra forma de fazer cinema. A passagem pela escola de Berlim foi um bom contra-peso para a minha aprendizagem no Conservatório de Lisboa. É uma escola muito virada para a prática e filmei bastante. Na verdade, foi aqui que “aprendi” a filmar.
R.C.: Achas que conseguiste algum desenvolvimento como cineasta lá, que seria de todo impossível conseguires em Portugal?
A.F.: Hoje acho importante ter passado por duas escolas tão diferentes, pois acho que me dá uma visão mais abrangente de como fazer um filme. Na minha passagem por Berlim acho que ganhei mais “músculo” sobre o processo de concretização de um filme, na medida em que filmei bastante. A minha experiência na ESTC foi mais teórica e intelectual.
R.C.: Com “Respirar (Debaixo de Água)” foste seleccionado para Cannes. É uma espécie de sonho para um jovem cineasta? Que efeitos teve essa selecção na tua abordagem ao cinema?
A.F.: Curiosamente não era um sonho pois o envio do RESPIRAR para a selecção de Cannes foi um daqueles actos empolgados de quem faz um primeiro filme, sem quaisquer expectativas. Ser seleccionado foi sobretudo uma boa surpresa e o deslumbre de participar num festival daquela dimensão. Não sinto que este evento tenha mudado seja o que for na minha abordagem ao cinema, pois as minhas motivações permanecem as mesmas. Ir a Cannes básicamente ajudou-me a financiar o próximo filme.
R.C.: Qual foi, para ti, do ponto de vista pessoal, a maior conquista de “Esquece Tudo o Que Te Disse”?
A.F.: O desafio do “ESQUECE” foi o de concretizar um projecto de longa-metragem, que é sempre demorado e extremamente trabalhoso. Como costumo escrever os filmes que faço, é igualmente um acto de grande exposição perante o público e isso pode ser assustador. Fico satisfeito por ter tido uma boa recepção junto do público. Enquanto criador, é-me gratificante ser reconhecido pelos demais. Dá-me mais força para continuar.
R.C.: Realizaste vários videoclips. Nutres alguma preferência por esse tipo de exercício fílmico? Ou és assumidamente um homem da ficção?
A.F.: Como dizia o personagem Pankas numa das cenas (apagadas) de Esquece Tudo o Que Te Disse: – “Caguei no cinema e decidi dedicar-me à música!”, na verdade, esta frase tem qualquer coisa de auto-biográfico, pois na verdade, eu caguei na música para me dedicar ao cinema. Quero com isto dizer que a minha ligação à música vem da adolescência, de rabo de cavalo e guitarra eléctrica na mão, e que o cinema só se tornou mais sério quando fui estudar para a Escola de Cinema em Lisboa em 1994. O videoclip é um meio muito livre que permite conjugar formas de expressão muito diversas. É um excelente laboratório para a ficção, embora em verdade, sejam meios de comunicação com diferenças importantes. A ficção é um trabalho de fundo, demorado, reflectido, extremamente gratificante quando se concretiza num filme, pois a ressonância que provoca no público é mais intensa. O videoclip é mais impulso, velocidade, e talvez por isso, mais efémero.
R.C.: Como classificas o actual panorama do cinema português?
A.F.: Acho que a cinematografia portuguesa tem melhorado ao longo dos últimos anos, mas penso que o progresso que houve é manifestamente insuficiente, pois na verdade produzimos poucos filmes, com um interesse do público dramáticamente baixo. É sabido das limitações demográficas e financeiras de Portugal, mas isso não desculpa tudo. Apesar de tudo a música e livros portugueses são os que mais se vendem em Portugal, o que demonstra que há talento do lado dos criadores e interesse por parte dos portugueses. Se o cinema português está divorciado do seu público, tem com certeza a sua quota de responsabilidade, pelos filmes que tem feito. Esta imagem do panorama cinematográfico português entristece-me. Gostava sinceramente de vibrar mais com os filmes portugueses que vejo. R.C.: Que medidas encontras para o desenvolver?
A.F.: Só fazendo mais filmes. A diversidade enriquecerá a nossa cinematografia. Por consequência, acho que os nossos filmes poderiam conquistar mais o público e consequentemente, fazerem-se ainda mais filmes. O cinema tem esse mau vício de ser caro o que torna a sua concretização extremamente difícil. Eu sou daqueles por exemplo que defende ser preferível apoiar-se mais filmes com menos dinheiro para cada um (opinião que normalmente irrita os produtores estabelecidos no mercado). Aumentaria a diversidade, forçaria os produtores a encontrar mais fontes de financiamento, obrigando-os naturalmente a criar filmes que se relaccionem com o público.
R.C.: Achas que a aposta nos jovens cineastas portugueses é insuficiente?
A.F.: Acho que temos um sistema de distribuição de apoios cinematográficos que é injusto, pois não premeia o mérito e é baseado em factores demasiado subjectivos. Penso que a idade de um realizador não deve ser factor decisivo para um filme existir ou não, mas sim a pertinência de um determinado projecto cinematográfico. Ser um realizador mais ou menos experiente, tem vantagens e desvantagens. Os mais experientes dominam à partida melhor a linguagem cinematográfica, mas pode-lhes faltar a força e espontâneadade dos mais jovens. Penso que num sistema mais democrático, o meio naturalmente decide quem filma ou não e por mais que nos custe admitir, o factor “público” é o mais democrático.
R.C.: Qual a tua posição perante o aparecimento de produtoras independentes, apostando cada vez mais em filmes de cariz “comercial”?
A.F.: Na minha concepção, filmes comerciais são os que levam pessoas a pagar um bilhete de cinema para ver um filme. Se houver cada vez mais produtoras (que não são assim tantas) que levam pessoas às sala, isso é positivo.
R.C.: E em relação ao envolvimento cada vez mais significativo dos canais televisivos portugueses na criação de cinema?
A.F.: É inevitável e desejavel. Já há alguns anos que as receitas em sala foram suplantadas pelas do dvd. A distribuição cinematografica alterou-se profundamente nos últimos anos pelo que os canais de financiamento também se estão a alterar. Portugal, devido ao seu sistema de financiamento “jurássico”, desfazado da realidade e totalmente dependente de apoios estatais, só agora (e lentamente) começa a dar sinais de mudança.
R.C.: “Deus Não Quis” é o teu mais recente trabalho. Já foi inclusive seleccionado para alguns festivais de cinema internacionais. Fala-nos um pouco acerca do filme.
A.F.: É um projecto o qual já andava a “moer” desde 2003, escrito pelo argumentista Miguel Triantafillo e que é a dramatização dos versos da música “Laurindinha”, que tal como a música conta, fala de um rapaz que se separa da sua amada para ir para a guerra. É uma história de amor passada numa pequena aldeia em Portugal tendo a guerra colonial em pano de fundo. É um filme de 15 minutos, narrado sem diálogos, somente através de imagens e som.
R.C.: Quais as tuas perspectivas de futuro?
A.F.: Ser feliz.
R.C.: E qual aquele actor que sempre sonhaste trabalhar?
A.F.: Não sei como responder a essa pergunta… normalmente os actores surgem-me depois das histórias. Iria depender do projecto.
R.C.: Quais as tuas maiores influências enquanto realizador?
A.F.: Gosto sobretudo de filmes que me emocionem. Aprecio realizadores como Kubrik, Scorsese, Lars von Trier, Mike Leigh, P.T. Anderson, Lynch, irmãos Coen, Alejandro González Iñárritu, entre outros.
R.C.: E quais os filmes que mais te marcaram até hoje?
A.F.: Penso que o “The Wall” do Alan Parker terá sido um dos primeiros que me deu vontade de fazer filmes, mas há imensos: Taxi Driver, Laranja Mecânica, Safe, Comédia de Deus, Babel, Embriagado de Amor, entre muitos outros…
R.C.: O que achas do conceito do Royal Café?
A.F.: Parece-me simpático. Tudo o que possa provocar discussão é bem-vindo.
R.C.: E qual a tua posição perante todo este desenvolvimento tecnológico?Nomeadamente, em termos de progresso da utilização da Internet e de todas as suas possibilidades?
A.F.: Veio democratizar o acesso à informação. Agora depende do que nós fizermos com isso.
R.C.: Queres deixar algum conselho aos jovens cineastas portugueses?
A.F.: Eu recomendaria dedicação, espírito de sacrifício e bastante preserverança a quem aspira a vir a fazer filmes… não é fácil, mas a recompensa é grande.
António Ferreira aceitou exibir para os clientes do Royal Cafe a sua primeira curta-metragem, intitulada “Gel Fatal”, que data de 1996 e que conta com Adolfo Luxúria Canibal como protagonista e com músicas de Sonic Youth na banda-sonora.
É que não há coisa mais chata, mais angustiante, mais irritante do que ouvir uma música, gostar dela, ficar-nos na cabeça eternamente e NÃO SABERMOS DE QUEM É!!!
O que a torna duplamente melhor, porque não a podemos ouvir sempre que quisermos, multiplicando, assim, esse prazer a cada vez que a ouvimos, como se de uma prenda se tratasse. E, nesta era digital, de fácil acesso a tudo e mais alguma coisa, podemos considerar essa singular sensação como um privilégio… Deveras irritante!
Foi um dos momentos musicais mais aguardados do ano, por milhões de pessoas. O lançamento do novo álbum dos Radiohead, depois de 4 anos sem novidades e depois da ameaça de término da banda (que todos nós tememos) foi, sem dúvida, um dos momentos mais esperados deste agradável ano musical de 2007.
Radiohead são uma banda de culto. Das melhores de todos os tempos. Pela ousadia, originalidade e, acima de tudo, pela sua muito boa música.
Se todos os registos anteriores contribuiram para um crescente número de fãs incondicionais do trabalho da banda liderada por Thom Yorke, “In Rainbows” apresenta-se como mais um grande passo deste conjunto singular. Porque, certamente, esse número continuará a crescer. Porque não desilude. Porque conquista os mais cépticos. E porque, seguramente, toda uma juventude que permanecia alheia a toda a brilhante obra dos Radiohead não ficará indiferente à maturidade, competência e genialidade de “In Rainbows”.
Os moldes em que o álbum foi lançado, através da disponibilização na internet de todos os temas, permitiu ao conjunto britânico inovar uma vez mais. Porque decidiram lançar “In Rainbows” a título próprio, sem editora, ao preço que o consumidor quiser pagar por ele. Incluindo aqueles que o optam por descarregar gratuitamente. E, só no primeiro dia disponível, contou com 1.200.000 exemplares descarregados. Em Dezembro sairá uma versão, nas lojas, em formato box, com duplo Cd, duplo Vinyl e um livro.
A parada estava alta. Mas o álbum não desilude. E confirma esse estatuto unânime de que gozam os Radiohead, pelo seu todo. Um conjunto de 10 temas ao nível do que a banda nos habituou. Ou seja, todos excelentes, geniais.
“15 Step” prossegue a experimentação electrónica que caracterizou alguns dos seus últimos trabalhos, envolvendo o ouvinte num jogo de percussões pouco convencionais, como que catapultando-nos para um universo distinto. O universo dos Radiohead. Quando entra a voz de Thom Yorke, encostamo-nos para mais uma viagem e pensamos nas saudades que tínhamos duma música dos Radiohead, adivinhando o potencial dos temas que se seguem. Mas em Radiohead, cada tema é um tema e cada pormenor exige a sua atenção devida, pelo que, é impossível ficar impune ao excelente desenvolvimento da música. A conjugação da guitarra, do baixo e da “estranha” percussão levam-na ao seu clímax, num dos melhores momentos do álbum. É um início brilhante. É a entrada no seu universo, dando o mote com as melhores boas-vindas possíveis.
“Bodysnatchers” é o momento mais rock de todo o álbum. Guitarrada distorcida, muita energia e muita adrenalina. Porque os Radiohead são uma banda rock. Com o devido fulgor. E à 2ª música pensamos: «Esta “merda” é mesmo boa!!» ou, mais modestamente «God Bless Radiohead!». “Nude” é um dos momentos mais calmos do álbum. Para muitos o mais bonito. É toda a melancolia da voz de Thom Yorke, todo o sentimento penoso de um dia cinzento. Toda a amargura e solidão, terminando num dos momentos mais doces de toda a obra dos Radiohead. “Weird Fishes/Arpeggi” relata uma fuga. O porquê de ficar e a dúvida. Como se estivéssemos ao volante de um carro, a considerável velocidade, em direcção contrária ao que realmente nos interessa. Questionando o porquê de custar tanto fugir. Escutando o desejo de voltar. Luzes distorcidas, noite escura e uma velocidade imparável.
“All I Need” é, para mim, o melhor momento do álbum. E, talvez, um dos melhores da carreira dos Radiohead.
A música mais bonita do ano, para mim. Um baixo de sintetizador a criar o ambiente, uma bateria sempre presente, um xilofone oscilante, a voz de Thom e a apoteose final, brilhantemente conduzida pelo piano. Épica.
“Faust Arp” é um pequeno momento acústico. Com violinos e coros. Excelente, pela simplicidade. “Reckoner” é outra grande música. Percussão à la Massive Attack, uma guitarra cativante e Thom Yorke no seu melhor. “House Of Cards” é uma música alegre. De esperança. Algo minimalista, mas não por isso menos interessante. Imagino crianças a brincar no recreio, num agradável dia de sol. Com muita alegria e alguma nostalgia.
“Jigsaw Falling Into Place” é movimento. Encaixa em qualquer álbum de Broken Social Scene, mas tem o selo Radiohead. É uma música em constante crescimento. De novo, velocidade. E uma certa angústia perseguidora. “Videotape”, o último tema do álbum, é melancólico. Termina em beleza. Um piano triste, pela perda de hábitos. Pela ameaça do futuro e do progresso tecnológico. A música é triste. E, para nós, duplamente, porque chegou ao fim. Terminou a viagem.
E temos pena, porque o universo Radiohead é tão bom. E, inevitavelmente, pomos do início. Porque já temos saudades.
De provocar essa certa melancolia. Que, sentindo-a, me faz saber o solo que piso.
De adquirir essas certezas. Quase imediatas.
E em 3 situações consigo-o sempre: Aniversários, filmes do Rocky e álbuns dos Radiohead.
Sou novo demais para não vibrar com o heroísmo de Balboa, talvez ainda algo prematuro para avaliar Radiohead como se exige. Mas já vivi vários aniversários. Meus e de outros. Que sabem sempre bem.
Porque vi e revi vezes sem conta as peripécias do “maior” pugilista de sempre. Ainda que ficcional. Porque gosto de acompanhar o percurso da genial banda de Thom Yorke. E porque até sei cantar os parabéns.
E, ao confrontar-me com cada qual, sinto-me nostálgico. E sabe tão bem.
Talvez porque desde sempre me acompanharam. Porque desde sempre conheço o Rocky. Todo o seu épico percurso. E ontem vi a (talvez) sua derradeira saga. Que acaba tão bem como começou.
Sempre nutri um carinho pela personagem. Pela sua coragem, simplicidade ou persistência que, ao longo do tempo, ganharam um lugar no meu coração. Apoiei, vibrei e sempre admirei cada episódio do mais místico papel de Sylvester Stallone. Uns melhores, outros piores. Como é normal. O Sporting também nem sempre joga bem. Mas gosto sempre.
E a saga termina bonita. Muito bonita, aliás. Porque Stallone soube pegar no melhor da sua personagem e narrar mais um ponto da sua história. Com distinção. Soube explorar todo o humanismo presente em grande parte da saga e ilustrar o envelhecimento. De Rocky, do cunhado Paulie (o grande actor Burt Young), do seu filho, da sociedade, da “sua” Philadelphia e do desporto em causa. Porque o passar dos anos deixam marcas evidentes.
E, neste capítulo, Rocky tem que enfrentar a maior luta da sua vida. Uma luta num ringue muito mais global, ilimitado de cordas. A luta contra o envelhecimento e todo o mal inerente ao mesmo. A luta da sua afirmação, perante o filho, perante os seus clientes (sim, Rocky agora ocupa o seu quotidiano vagueando pelas mesas do seu restaurante, contando as histórias de outra época, de outras glórias) e, acima de todas, perante si próprio e perante o vazio da perda da sua amada Adrian.
Rocky Balboa é um exercício muito interessante sobre o pós-glória de um herói e sobre as suas relações. Porque, apesar de tudo, Rocky é mesmo humano. E, neste filme, tem a maior vitória da sua vida. Mesmo com o ringue relegado para segundo plano.
A dado momento do filme Stallone diz: “não interessa a força com que és atingido, mas sim quanto consegues aguentar e seguir em frente”. E Rocky aguenta. E não desiste. Exemplarmente.
Radiohead é uma banda de culto. Demarca-se de tudo o resto. Pelo que inova, principalmente.
Não sei se toda a gente se sente nostálgica, perante a sua música. Mas eu sinto. É algo contraditório, sentir-me nostálgico perante a banda mais original dos últimos anos. Mas, para mim, é inevitável. Não o sei explicar muito bem. Mas é um facto. Talvez seja da voz de Thom Yorke. E da sua singularidade. Talvez seja porque sempre acompanhei minimamente todos os seus registos anteriores. E sempre gostei.
E, com “In Rainbows”, o seu mais recente álbum, aconteceu o mesmo. Desconfio que sempre acontecerá. Esta espécie de cliché que me faz voltar atrás no tempo ao som dos primeiros acordes de cada um dos seus álbuns. O álbum, como todos os outros, é excelente. Único. Numa palavra, perfeito.
Ontem tive também a felicidade de estar presente no 56º aniversário do meu pai. Mais do que ninguém, merece a felicidade do festejo aniversariante. Perto dos seus. Daqueles que realmente interessam na sua vida. Apesar dos presentes não serem os únicos.
Como em qualquer aniversário, aquele também teve sorrisos, cânticos e reinou a boa disposição. Eu emociono-me sempre. E fico nostálgico. Porque são sempre dias únicos. Que nos remontam a tantos outros. Sempre festivos, sempre alegres. Que saberão sempre tão bem recordar.
E, perante este efeito nostálgico, das velas, dos sorrisos, da alegria contagiante, sinto-me bem. Seguro de felicidade. Tal como perante o chapéu preto do Rocky Balboa ou o delicioso timbre de Thom Yorke. Que imediatamente provocam essa saudável melancolia.
O convidado semanal do Royal Cafe, nesta 5ª feira, dia 11 de Outubro, é Francisco Silva – o mentor do projecto musical portuense Old Jerusalem
“The Temple Bell”, o seu quarto álbum de originais, foi lançado em Fevereiro deste ano e foi aclamado pela crítica como o seu melhor registo até à presente data. O álbum pode ser comprado aqui.
Aproveitando a sua presença, o Royal Cafe colocou-lhe as seguintes questões:
Royal Café: Descreve a música dos Old Jerusalem numa frase.
Francisco: Numa frase curta: são canções – música com palavras / palavras com música, com algumas excepções.
R.C.: Quais as tuas maiores influências? F.: São demasiadas para enumerar. Costumam ser-me atribuídas várias no domínio dos songwriters (em entrevistas, críticas, etc) e são quase sempre acertadas, o que não é surpreendente. Sou um pouco melómano, pelo que há muita música que resulta inspiradora para mim.
R.C.: Old Jerusalem é um projecto singular na música portuguesa actual. Consideras a sua sonoridade mais americana do que portuguesa? Ou mais de algum outro local do que propriamente Portugal?
F.: Não é uma questão relevante para mim, mas certamente não vejo Old J como mais americano (ou de outro qualquer lugar) do que português. Dito isto, também seria absurdo dizer que vejo Old J como essencialmente português quando a língua usada nas canções é o inglês, não é?
No fundo, penso que as canções acabarão por reflectir a minha expressão no que ela tem de intrinsecamente português mas também no muito que tem de “intrinsecamente-de-lado-nenhum”.
R.C.: O que difere “The Temple Bell” dos teus trabalhos anteriores?
F.: Possivelmente para um ouvinte regular não haverá diferenças substanciais: continuam a ser canções, com determinadas características e ambientes. Há diferenças a nível técnico, de interpretação e também de escrita que demarcam um certo carácter em cada um dos discos. Mas não saberia especificá-las de forma convincente e inequívoca, pelo que sou forçado a concluir que não são discos radicalmente diferentes uns dos outros, os que fiz até ao momento.
R.C.: Achas que há uma “regionalização” musical em Portugal? Que se podem identificar diversos movimentos musicais, consoante as suas origens regionais? F.: Hoje em dia não sinto essa demarcação regional. No passado sim, pareceu-me em determinado momento haver algumas características estéticas comuns a bandas de determinadas zonas: um certo indie rock nas Caldas da Rainha (Tina & The Top Ten, Orange, Red Beans,…), um rock mais musculado no Porto (Zen, No Creative Solution, Blind Zero, Parkinson,…), inclinações experimentais em Barcelos (Astonishing Urbana Fall, This Isn’t Luxury,…), o rock’n’roll conimbricense (M’As Foice, Tédio Boys e respectiva “prole” – d3ö, Bunnyranch e Wraygunn), um rock “degenerado” e literato de Braga (Mão Morta, Um Zero Amarelo,…), etc. Claro que mesmo nessa altura talvez fosse abusivo fazer este tipo de generalização. O que me parece mais ou menos evidente é que hoje estas demarcações são ainda menos legítimas.
R.C.: Como classificas o actual panorama musical em Portugal? F.: O panorama musical em geral está a sofrer modificações de que todos vamos estando mais ou menos a par e que são significativas. Sendo os efeitos destas coisas cada vez mais globais, é natural que em Portugal se sinta também essa convulsão, com os pros e os contras que lhe são inerentes. Em termos puramente criativos e estéticos, o nosso cenário não me surge como particularmente entusiasmante, mas vai havendo (como sempre há e haverá) alguma música com interesse e mesmo, de tempos a tempos, algumas coisas realmente empolgantes.
R.C.: O que dizes das novas bandas e tendências que têm surgido em Portugal?
F.: Vou encontrando bandas e músicos interessantes e com trabalhos que me parecem consistentes e dignos de registo em vários géneros.
R.C.: Qual é, para ti, o maior obstáculo à exportação da nossa música?
F.: Há vários obstáculos e constrangimentos, todos fortemente correlacionados, pelo que se torna difícil identificar claramente qual é “o” problema. Há dificuldades na capacidade de produção e promoção; há obstáculos quanto à imagem do país e do que fazemos; há, todos sabemos, um universo de outros constrangimentos, mas a verdade é que há também poucos projectos que se distingam de tal forma (pela qualidade, pelo carisma, pela originalidade,…) que não percam relevância quando retirados do nosso contexto. Isto falando no domínio da música popular urbana e numa perspectiva absolutamente pessoal, como é óbvio.
R.C.: E que medidas achas que resolveriam essa questão?
F.: Não saberia dizê-lo, naturalmente, é uma questão complexa. Do ponto de vista que me toca mais – como músico e autor – ocorre-me apenas citar o “segredo” para o sucesso que um amigo generosamente me revelou: “o segredo… é ser mesmo bom”. Fácil, portanto…
R.C.: Quais as tuas perspectivas de futuro? F.: Não sei, presumo que continuar a fazer o que faço nos moldes que apareçam como possíveis. O percurso de Old J até aqui não tem sofrido grandes convulsões mas também não está isento de inseguranças. As coisas não se têm desenvolvido de uma forma que permita antever os passos seguintes com certezas. Ao fim de cada passo há sempre um conjunto grande de incógnitas quando ao que virá a seguir.
Estou convencido que independentemente da minha vontade de fazer música, a vida pública do projecto só faz sentido enquanto se mantiver o interesse de uma audiência em que ele exista publicamente (com discos, concertos, etc). Tento ir tendo um pouco a noção desta receptividade, mas o feedback nem sempre é claro e, se há momentos em que tudo parecer fazer um certo sentido, há também outros em que a sensação que prevalece é a de uma certa vacuidade e redundância do que temos para oferecer.
O caminho é feito oscilando entre esses dois estados de ânimo, o que se calhar é até bastante saudável.
R.C.: Qual o concerto mais memorável que deste até hoje?
F.: Não sei dizer, mas talvez a experiência menos comum tenha sido a de tocar, como Old Jerusalem, num casamento.
R.C.: E qual o álbum da tua vida? F.: Depende da perspectiva. A primeira “epifania musical” de que tenho memória ocorreu com o “Bad”, do Michael Jackson. Foi o disco que pôs incontornavelmente a música no centro da minha existência, pelo que numa determinada perspectiva é o disco da minha vida.
R.C.: Achas que a tua música tem algo de cinematográfica? Que resultaria como banda-sonora? Porquê? F.: Alguma da música que faço talvez tenha essa ambiência cinematográfica, mas nem tudo o que escrevo “encaixa” nesse tom. Um dos temas do último álbum foi usado na curta metragem “Intemporalidade”, da Filmes da Mente, e gostei muito do resultado final. No fundo, o essencial é a adequação estética entre a imagem e a música, não há uma distinção absoluta entre o que é ou não é “cinemático”.
R.C.: Que achas do conceito do Royal Cafe? F.: Parece-me um conceito interessante, o de transportar para a net as conversas de café.
R.C.: E acerca da internet em geral? Das suas possibilidades, enquanto elemento de divulgação musical, enquanto fonte de informação e enquanto fonte de pirataria?
F.: Este é porventura outro tópico demasiado abrangente para me sentir habilitado a dar uma opinião minimamente fundamentada. Sinto pessoalmente uma certa nostalgia pela forma como as coisas funcionavam antes do boom da internet; ao mesmo tempo, é inevitável sentir-se algum entusiasmo pelas possibilidades que se abrem, impensáveis há bem pouco tempo atrás.
Parece-me sim que o excesso de informação e de “acessibilidade” a tudo são fenómenos potencialmente nocivos, e esse poderá ser um dos maiores riscos desta era de conectividade intensa e permanente – o cair-se num “ennui” existencial a uma escala sem precedentes, onde tudo está disponível, mas nada é desejado.
Mas quem sabe o que daqui pode resultar?
R.C.: Queres deixar alguma mensagem aos jovens aspirantes a músicos?
F.: Na verdade, não sinto que tenha aprendido nada que possa servir a outra pessoa. Relembro se calhar a revelação do meu amigo: “o segredo… é ser mesmo bom”. Mas eu não sou obviamente a pessoa habilitada a dar conselhos sobre como se consegue isso…
Francisco Silva aceitou também disponibilizar para os clientes do Royal Cafe o tema “Our Own Time”, que saiu originalmente na compilação ‘Divergências.com’, editada pela Independent Records em parceria com o site divergencias.com.