
Entradas desde Maio 2008
TAKE Magazine
Maio 18, 2008 · 1 Comentário
Chegou, viu e venceu.
A TAKE Magazine é uma nova publicação online, fruto do esforço e dedicação de José Soares, entre outros estimados amantes de cinema.
Basta dar uma olhadela para a adaptar como a sucessora da saudosa Première.
Com algum eufemismo, porque a coisa tá mesmo boa.
TAKE 03 – Maio 2008 (edição pdf)
O Royal Cafe deixa os sinceros parabéns aos envolvidos. E aguarda ansiosamente por uma Take, numa banca perto de si…
Eu Queria Ter Estado Lá!
Maio 15, 2008 · 1 Comentário
Aqui tão perto… Há tão pouco tempo… Sem dúvida uma das melhores bandas actuais!
Dá para perceber porque é que os bilhetes esgotaram logo… Vou ter que esperar por dia 10, no Alive…
Nem toda a gente gosta de The National, mas quem gosta, gosta mesmo…
Categorias: Eu Queria Ter Estado Lá · Música
Noite do Trailer
Maio 10, 2008 · Deixe um comentário
Porque hoje a casa está repleta de cinéfilos… Nada melhor que uma noite de trailers, das estreias mais aguardadas.
Son Of Rambow, de Garth Jennings
Blindness, de Fernando Meirelles
The Spirit, de Frank Miller
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, de Steven Spielberg
Up The Yangtze, de Yung Chang
The Wackness, de Jonathan Levine
Lakeview Terrace, de Neil Labute
Chaos Theory, de Marcos Siega
Brick Lane, de Sarah Gavron
The Children of Huang Shi, de Roger Spottiswoode
Hellboy II – The Golden Army, de Guillermo del Toro
Batman – The Dark Night, de Christopher Nolan
Water Lillies, de Celine Sciamma
Mister Lonely, de Harmony Korine
Then She Found Me, de Helen Hunt
My Brother Is An Only Child, de Daniele Luchetti
Shotgun Stories, de Jeff Nichols
Chapter 27, de J.P. Schaefer
Blindsight, de Lucy Walker
The Tracey Fragments, de Bruce McDonald
Street Kings, de David Ayer
Obrigado pela presença.
Categorias: Cinema
Crónica do Proprietário
Maio 7, 2008 · 2 Comentários
Voltámos, com saudades vossas.
A porta do café já tinha resquícios de ferrugem. Nada preocupante, apenas curioso (a nossa serradura resolve)…
Foram dois meses de incompreensão, prejuízo e muita ansiedade. Não tive outro remédio – refugiei-me na arte. E, como sempre, esta não me falhou.
Peço-vos que, neste preciso momento, cliquem no “play” abaixo (esta decisão influenciará o mood com que acompanharão o resto da crónica):
MGMT. A banda sensação de 2008. Grande álbum, daqueles que adoro descobrir. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Senti o mesmo com “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?”, de Of Montreal. Curiosamente, andam ambas em digressão conjunta. Dia 10 de Julho os MGMT estão confirmados no Alive. Pode ser que venham fazer o after ao Royal Cafe… Álbum notável, concerto a não perder. Deixo aqui o link para o Myspace deles. E a promessa que brevemente lhes vou dedicar um artigo.
Quem já viu algum episódio da série Entourage (A Vedeta, em português e em exibição na Sic), ponha o dedo no ar. Certamente gostou do que viu. Eu, adorei. Não me recordo de outra série com um casting tão perfeito. Sempre fui adepto de personagens bem caracterizadas e bons diálogos e, Entourage prima nesses elementos. Para os adeptos de cinema é um must see, pela precisão com que detalha pormenores alheios ao comum espectador. Pelas gargalhadas que provoca. Pela boa onda que sugere. Viciante, cool e estimulante. E, ansioso, aguardo pelo regresso de Gold, Drama e companhia. Prometo, também, brindar-vos com um artigo especial sobre o Entourage, brevemente.
Espreitei o futuro e fiquei maravilhado com o que vi. A HBO quebrou todas as regras e criou um novíssimo conceito de entretenimento, via web. Espreitem este site, peguem nos binóculos e toca a espreitar. Cada prédio com o seu filme, cada casa com a sua narrativa. Eu não sei, mas creio que o futuro terá qualquer coisa a ver com isto… Seja como for, a ideia é genial. E as pequenas histórias também…
Fui ao cinema ver uma espécie de alegoria. Um conto moral, bem actual, que nos remete para a beleza do que a vida tem para nos dar. “The Bucket List” seria sempre um filme interessante, nem que pelo facto de nos brindar com voz off do Morgan Freeman… Pormenor esse que garante sucesso a qualquer filme e chego mesmo a pensar tratar-se de um golpe baixo das produtoras de Hollywood. Não me recordo de filme que recorra a esse truque e que não seja um grande filme. Há que aceitar, Freeman trata-se do mortal cuja imagem mais é associada a Deus por esse mundo fora e nada entra melhor do que as suas palavras sábias, a narrar o que queremos crer ser o moralmente correcto. Para além disso (como se precisasse de mais trunfos), The Bucket List é um autêntico show de dois dos maiores actores da história do cinema e um exercício brilhante sobre as nossas prioridades na vida. Vale a pena ver e reflectir. E pegar numa folhinha, num lápis e começar a apontar… Afinal, todos nós teremos algo que gostaríamos de fazer antes de morrer.
Passou-se mais um 25 de Abril. Houve festas, muitas memórias e alguma esperança. Eu, finalmente, consegui ver o “Capitães de Abril“. Gostei do filme em vários pormenores. Acho que a realização é competente, bem como as representações no geral. Grande José Eduardo, uma vez mais, a provar ser dos melhores actores portugueses de sempre. Considero, contudo, que o guião poderia ser um pouco melhor explorado, nomeadamente na questão pré-revolução e nas relações humanas das personagens. É um marco enquanto documento histórico, mas pouco seguro de si próprio enquanto filme de ficção, algo deslocado do sensacionalismo que a sua produção pretenderia. Louve-se a iniciativa. Pena que, como esta, hajam poucas…
Aproveito a crónica para avisar que irá nascer, paralelamente, um espaço exclusivamente dedicado ao cinema, com acompanhamento constante às estreias semanais, críticas e previsões, levado a cabo por fregueses do Royal Cafe. Alertarei-vos para a inauguração, quando for o caso.
Sem mais assunto de momento,
Contente por estar de volta. Façam do nosso espaço a vossa casa.
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O Regresso do Hiato
Maio 4, 2008 · 1 Comentário
Caros royalenses, cafezeiros cúmplices das minhas exortações:
Nos últimos dois meses, graças a um delicado processo jurídico, instalou-se o pior cenário possível em relação ao funcionamento do Royal Cafe. Como é senso comum, a ASAE está presente em todo o lado e o nosso local favorito de convívio não fugiu à regra. Felizmente, o nosso espaço está sedeado em Portugal e não há problema que um suborno não ultrapasse.
Pois no passado dia 1 de Março, quando o Royal Cafe se preparava para transmitir aos seus clientes o nome da próxima banda que iria pisar o afectuoso palco do estabelecimento, eis que 2 agentes da Autoridade da Segurança Alimentar e Económica irromperam o momento de festa e iniciaram um processo de inspecção à higiene sanitária do local. Um era alto, magro, de queixo bicudo e assumidamente resmungão, o outro forte e carrancudo, de bigode a la Dupont (não sei precisar qual dos dois irmãos que Hervé imortalizou com sucesso; gosto de pensar que um bom bigode é o correspondente masculino a um bom par de seios – o adorno que mais rápido salta à vista).
Prosseguindo, não será preciso alongar-me em abono da qualidade das nossas instalações, é um dado universal que não existe outro local como o Royal Cafe – referência para qualquer adepto do bem-estar e da luxúria. Foi naturalmente com espanto que vi a porta do nosso estabelecimento ser fechada, por alegada lacuna de higiene. Maior foi a surpresa quando soube o porquê: “O galheteiro tinha sido re-utilizado”. Logicamente, como qualquer ser humano que se preze, não compreendi à primeira. Pedi gentilmente aos clientes que abandonassem o local e, com serenidade, abordei de novo os agentes. Ao que me responderam mais detalhadamente: “O recipiente que contém o azeite foi re-utilizado”. Delicadamente, fiz saber que não seria na definição de galheteiro que a minha dúvida consistia. O do bigode sorriu e prosseguiu, com o seu quê de sarcasmo: “O senhor sabe que, segundo as novas normas, esse recipiente terá que obrigatoriamente ser de utilização única. Pelo que, após o seu vazamento, deixa de ter uso e obriga-se uma sustituição do material.” Ainda pensei sorrir, mas, perante o olhar despreocupado de ambos os agentes, não consegui sequer esboçar essa reacção. Olhei à minha volta, para me certificar que não estava a ser alvo de um guião exageradamente ridículo, para programas do estilo “apanhados”. Olhei para o galheteiro, em cima da 1ª mesa à minha direita e reparei que caía lentamente uma pequeníssima gota de azeite. Senti-me desleixado, por um breve instante. Mas nunca porco. Nada que um pano não limpasse.
Tentei explicar ao agente a origem dos galheteiros e toda a índole artesanal que estava por detrás de todo este mal-entendido. Pena que só eu não estivesse a entender bem a anormalidade da questão. Pior, não me conseguia mentalizar sequer da possibilidade que existiria em compreender tamanha banalidade nesta situação. Contudo, para eles, agentes da ASAE, um galheteiro re-utilizado apresentava-se como a maior atrocidade existente. E, como tal, teriam de fazer valer os seus poderes autoritários. Confirmava-se: o Royal Cafe estava oficialmente encerrado. Por tempo indeterminado.
Expliquei que o azeite vinha directamente de uma herdade alentejana, a mesma onde havia encomendado as obras-de-arte que tinham acabado de originar toda esta confusão. O azeite era de qualidade inegável e os galheteiros altamente atractivos. Grande parte dos meus clientes gabavam-nos a toda a hora. Cheguei mesmo a assumi-los como o orgulho da casa. Contudo, segundo essas regras, não poderiam ser reenchidos. E, a solução do problema apresentava-se numa das seguintes opções: – excluir da ementa a famosa serradura algarvia (único prato da mesma que exigia o uso de azeite; não creio que alguém condimente uma tosta de galinha, um hamburger ou um pratinho de moelas com um pingo de azeite); – encomendar cerca de 300 mil unidades de galheteiros-demasiado-atractivos-para-serem-jogados-fora-sempre-que-vazarem ou – pegar no catálogo que o Dupont trazia na mão, enrolado, de produtos de uso único, de uma tal empresa especializada na matéria. Senti-me ultrajado e alvo de abuso de poder por essa empresa especializada. Eles tinham-nos na mão, a esses agentes estupores. Eu não. Tinha que remediar a situação.
Disse aos agentes que iria reflectir sobre a questão e pedi-lhes o contacto. O Dupont deu-me o Msn e afirmou que estava ocasionalmente ligado. Fecharam-me a porta por tempo indeterminado, até eu me decidir por uma das três opções.
A serradura é identidade da casa. Impensável retirá-la da ementa. O acto de deitar fora um objecto caro e tão bonito também não me seduziu muito. A terceira opção, muito menos. Não vou contribuir para o engrandecimento da corrupção no nosso Portugal. E fui para casa descansar.
Reflecti. Decidi. E andei dois meses a caminho de um computador para ligar o msn. De cada vez que o ligava, o Dupont estava offline. Mandei-lhe 58 mails, um por dia. Nunca respondeu. Ser agente da ASAE ocupa muito tempo. Assenti.
Até ao dia em que o apanhei online.
Senti vergonha na forma como o iria abordar. Abri a janela, para falar com ele e amedrontei-me com a sua foto. Nunca um bigode me tinha parecido tão ameaçador. Abordei-o com um simples “olá”. Levou 8 minutos a responder. E fê-lo com um ponto de interrogação. Nem ai, nem ui. Um simples símbolo. Tremi. Disse-lhe quem era e o porquê de me dirigir a ele. Ele reconheceu, a partir do momento em que falámos em azeite alentejano. Perguntou-me o que havia decidido. E respondi com um valor – 1.000€. Recusou. Ofereci uma refeição de assadura para ele e seu colega, com o verdadeiro azeite alentejano, nos ilustres galheteiros artesanais. Ele negociou, exigindo 3. Acertámos no 2. Duas refeições de serradura para ambos, por semana. Mais mil euros. E podia abrir de novo o Royal Cafe. Respeitando as normas de higiene sanitária.
Fica assim explicado o porquê deste hiato. Peço desculpa pela ausência prolongada e prometo recompensar os fiéis clientes. Fica explicado também a origem dos dois clientes que comem serradura ao balcão, duas vezes por semana. Não se assustem com as pingas de azeite que cairão do bigode do Dupont, cada vez que ele olhar para a Tv, enquanto mastiga um pequeno pedaço de pickle.
E assim, voltámos. Família, de novo.
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