Royal Cafe

Entradas desde Março 2009

Royal Cafe Convida: doismileoito

Março 18, 2009 · 1 Comentário

2008

Biografia Oficial da Banda:

“Os doismileoito são o Pedro, o André e o Nicolau.

O Pedro e o André conheciam-se da Escola Secundária da Maia mas não gostavam particularmente um do outro porque um andava de patins e o outro de skate.

O Pedro tinha uma banda de rap e o André tinha um banda de funk. Como o Nicolau é o mais novo, não andou na escola ao mesmo tempo que eles, por isso só o conheceram nas jam sessions de uma escola de música na Maia.

O André tinha uma cave com uma bateria, um teclado e alguns amplificadores, então começaram a juntar-se lá para tocar e construir canções e músicas.

Isto foi em 2005.

Entretanto deram alguns concertos, uns com muita gente a ver, outros quase vazios. Em Fevereiro de 2009 lançaram pela EMI Portugal o primeiro álbum, intitulado “doismileoito”.

Acordes com Arroz

Bem Melhor 12200074


O Royal Cafe aproveitou a visita para lhes colocar as seguintes questões:

Como é que 3 “maiatos” formam uma banda em 2005 e no ano seguinte estão a tocar no palco principal do Sudoeste?
Estávamos com preguiça de andar por aí desgraçados em concursos de bandas pequenos e bares vazios, então, para cortar caminho e poupar tempo, decidimos concorrer ao concurso com o melhor prémio, o TMN Garage Sessions. E ganhámos. Um dos prémios era tocar no Sudoeste, foi assim que fomos lá parar.

A vossa música traz-me à cabeça elementos pop-rock ao estilo de Beach Boys e intermitências entre a simplicidade de Devotchka e a irreverência do grunge de Seattle. São essas as vossas principais influências? Se não, quais são elas?
Os três gostamos muito de Nirvana. Só conhecemos os Beach Boys há pouco tempo – ficámos surpreendidos. E de Devotchka, quase nada, só aquela banda sonora. O Pedro gosta de Michael Jackson, o André gosta de Beethoven e o Nicolau gosta de Tom Waits. No início da banda achávamos piada a cada um ter gostos tão diferentes. Hoje em dia trocamos mais música e acabamos por ter gostos comuns, ainda que por motivos diferentes. Estamos a aproximar-nos. Nos últimos tempos temos ouvido muito Bon Iver.

Tenho de assinalar a opção de cantarem em português. Numa altura em que tudo está tão globalizado com ferramentas como o Myspace e a comunicação é tão universalmente dominada pela língua inlgesa, não sentem ser imperativo cantar em inglês para atingir outros mercados?
Não. Isso é uma ilusão. Até pode ser um vantagem cantar em português porque é mais fácil encontrar um lugar só nosso. Para quê competir com o mundo inteiro? E a língua pode valer pelo exotismo lá fora, como a Sara Tavares, ou pode não significar muito, como os Sigur Rós. A globalização não dá só predominância ao inglês, mas valoriza também as outras línguas do mundo. De qualquer maneira, cantamos em português por uma razão simples: somos portugueses. Conseguimos exprimir-nos de formas mais ricas e as pessoas entendem-nos mais facilmente. E Portugal é muito grande.

Como analisam o estado actual da música portuguesa? As jovens bandas estão a romper com os traços deixados por bandas mais antigas?
Está a diversificar. Cada vez há mais bandas boas ou com potencial para crescerem e com oportunidade de se promoverem através da internet. O facto de podermos monitorizar tudo o que está a acontecer dá vontade de diversificar ainda mais. O mais importante é haver coisas novas para ouvir. Às vezes parece que as pessoas gostam de bandas só porque não têm mais nada para gostar. Há aí bandas que têm muitas cartas para dar, como os peixe:avião e os João e a Sombra.

Para vocês, quais as principais vantagens de se viver em Portugal? E, enquanto artistas, o que mudariam no nosso país?
A principal vantagem é o clima, que acaba por moldar as coisas que envolve, transformando-as em coisas boas.
Enquanto doismileoito, o que podemos mudar é mostrar ou colocar a nossa música onde ela ainda não existe, seja na rádio ou no ipod de alguém. Se isso trará algo que nos permita mudar outras coisas no país…ainda não sabemos.

O que podemos esperar de vocês em doismilenove?
Muitos concertos. Muitos concertos. Muitos concertos.

Qual a sensação de pisar o palco do Royal Cafe? O que acham do conceito do blog?
Bem fixe. Só conhecemos com o teu convite. É um bom sítio para descobrir música nova. Antiga ou recente.

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Myspace

Blog

Antevendo imenso sucesso para este projecto, foi com grande honra que o Royal Cafe vos recebeu no nosso espaço. Voltem sempre! Obrigado!

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Closed Zone

Março 9, 2009 · 1 Comentário

Curta-metragem de Yoni Goodman, o animador do premiado “Waltz With Bashir”.

Vale a pena ver.

Categorias: Cinema

The Royal Owner

Março 6, 2009 · Deixe um comentário

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Eis que agora tenho uma melódica. E uma harmónica.

Com elas passeio pelo Royal Cafe, debruçando-me em melodias.

E, partindo delas, inicio um novo projecto – The Royal Owner.

Acompanhem aqui.

Categorias: Crónica do Proprietário · Música · The Royal Owner

Vicissitudes do Guionista Prosaico

Março 2, 2009 · 1 Comentário

harmonica

A força da imagética no cinema – tema da crónica de hoje.

Perguntam-se agora vocês: o quê? porquê?

Ao que contraponho: “Once upon a time in the West” (1968) e “Easy Rider” (1969).

Como bom estudante de cinema que nunca fui, só agora vi pela primeira vez estes dois filmes. Estas duas obras singulares. Ou, apenas, estes dois clássicos da história do cinema.

Sempre os quis ver, desenganem-se os mais atrozes. Poupem-me a penúria e toda a ingenuidade de só finalmente os conhecer aos 23 anos. Salve-se a certeza de que agora os vejo como pretenso guionista. Com olhos mais atentos, com outra psicologia. De que nem sempre fui provido. Esconda-se o facto de que ainda está por ver a saga de Corleone (entre milhares de outros títulos essenciais)… Ponho a vergonha nestes termos, e usando uma ferramenta tão em voga nos dias que correm, dos 20 primeiros filmes do top 250 do IMDB, resta-me a visualização de 8. Não é assim tão negativo quanto isso – a percentagem rondará os 60%. O caso agrava-se quando penso que tenho um mestrado em cinema.

Posto isso de lado e restingindo-me ao que considero de pertinente retenção nesta crónica, ainda que isso possa ser de conteúdo reflexivo e de parco interesse para a maioria dos visitantes do Royal Cafe, submeto-me à questão da harmónica.

Essa questão de fúria, violência, vingança, ódio, amor e de mais uma série de adereços que a tornam épica. Essa questão que Sergio Leone decidiu colocar há precisamente 41 anos atrás. Com 4 grandes actores e um conjunto de tons inesquecíveis (GRANDE MORRICONE!!).

Não, não vou falar do filme em geral. Não vou tentar descrever o filme e/ou abrilhantá-lo tanto ou mais do que já foi feito por milhares e milhares de devotos espectadores, completamente rendidos aos encantos deste filme. Vou, apenas, tentar reflectir sobre essa questão da harmónica. E a força da imagética no cinema.

Todo o “Once Upon A Time in West” é um assombro cinematográfico. Um épico ao jeito da melhor ópera Wagneriana. E, assim, uma obra-prima.

Quando penso que o guião do filme apenas tinha 15 páginas de diálogo, ainda vanglorio com maior intensidade toda a subtileza e o brilhantismo visual que caracterizam Leone. Quando me recordo da derradeira sequência do flashback de Bronson, ainda me reconheço maior amante de cinema. Porque o simples elemento da harmónica simboliza tudo aquilo que nós, espectadores, incessantemente buscamos no cinema.

Ponto 1 – a razão.

Queremos saber a causa de algo que estamos a apreender. Queremos desmitificar a sucessão de elementos visuais e sonoros que a pouco e pouco nos vão sendo dados sob o formato fílmico. E, neste caso concreto, quando vemos a harmónica nas mãos de um rejuvenescido Henry Fonda soltamos um orgulhoso “Ahhhh” interior, de resolução. Ali, descobrimos a razão do inquietante olhar de cerca de 150 minutos de Bronson.

Ponto 2 – a paixão.

Sentimos um desejo ardente de algo no personagem de Bronson. Uma invulgar perseguição a algo. Com uma paixão singular. Ao sentirmo-nos na pele de Bronson miúdo, nesse flashback, percebemos essa misteriosa paixão por vingança que o move ao longo de todo o filme. E partilhamos o seu ódio, apaixonadamente.

Ponto 3 – a moralidade.

Teimamos em conseguir desvirtuar a personagem de Bronson. Até simpatizamos com Fonda, quando este permanece deitado com Claudia Cardinale. Não tomamos um partido firme por nenhum deles ao longo de toda a história. Chegamos a pensar que o Cheyenne é que será o típico herói da história. Ao apreendermos a trajectória da harmónica, definimos a moralidade da história. Se ao sabermos dos planos do falecido marido de Cardinale começamos a moldar os personagens, apenas no flashback obtemos a certeza da ética que paira invisível ao longo de toda a trama. E aí, definimos o bom e o mau. O herói e o vilão.

Ponto 4 – o imaginário.

Porque a imagem de Henry Fonda a aproximar-se da câmara, anos mais novo, é a típica imagem aterrorizante do western embutido no nosso imaginário. Ele, aí, é o vilão exemplar. O derradeiro terror do faroeste. Que transporta o elo de ligação dos nossos sonhos “ocidentalizados” – a harmónica.

Ponto 5 – a acção.

Porque ao vermos um jovem Bronson com a harmónica enfiada na boca, segurando nos ombros o seu irmão em vias de ser enforcado, queremos saltar da cadeira e ajudá-lo da forma que for precisa. Porque sentimos pena dele e queremos justiça. Porque queremos retribuir o ódio impresso por Fonda. Porque queremos saltar para o ecrã. E porque, apesar da velocidade reduzida de montagem de Leone, sentimos o coração inquieto.

Ponto 6 – a música.

Os fabulosos tons de Morricone que aí se justificam, em jeito de génese. Fabulosa sequência musical que fazem da pequena cena de flashback um épico dentro de um épico. Ali recordamos a primeira aparição de Bronson no filme, do lado de lá da linha, no final da brilhante sequência inicial do filme.

Ponto 7 – a memória.

Porque nunca mais olvidaremos a imagética da harmónica neste filme. Nunca mais a extrairemos de uma das maiores e melhores referências western de todos os tempos. Nunca mais nos esqueceremos do decor desse flashback. Nunca mais esqueceremos o olhar de Bronson. Nunca mais esqueceremos “Once Upon a Time in West”.

E essa imagética da harmónica é o elemento que todos os guionistas procuram a elevado custo. Um elemento que sintetize toda a trama do filme, revelando-a pela sua força visual. O adereço narrativo que por si só faz um guião valer a pena. A resposta a todas as nucleares questões estruturais do guião pela sua imagética – “O quê”, “onde”, “quem”, “como”, “porquê”. Harmónica. Nela se fez a obra-prima.

Recordemos o brilhantismo (atenção, o seguinte clip é um spoiler para quem ainda não viu o filme).

Sequência final (a tal da harmónica)


“Easy Rider”. Um caso bem diferente. Um road movie histórico. Um filme político impressionante.

Um guião estupendo. Sem harmónica, em estado físico. Uma imagética sob a forma de metáfora. Um “case study” de conotação.

Todas as sequências do filme têm uma mensagem conotada com uma força inesquecível e riquíssima do ponto de vista artístico. Peter Fonda e Dennis Hopper fizeram um trabalho excelente a escrever o guião do filme, ilustrando perfeitamente os episódios desta viagem com a carga política pretendida. A busca do sonho americano. A busca da liberdade. E vários capítulos que se apresentam como obstáculos aos seus objectivos.

Um código muito bem trabalhado, ganhando forma conotativa sob diversos uniformes – o dinheiro como mote da viagem, a família que vive da sua auto-cultivação, a comunidade yuppie que vive sem padrões, o advogado sem lei, a trip infeliz, o desfecho quase xenófobo.

A jornada teria de ser eficaz. Uma análise aos meios para atingir o fim. Um fim sem esperança. Como o sonho americano.

Deixo aqui um interessante documentário sobre a criação de Easy Rider, dividido em 7 partes. Um ‘must’ para quem viu o filme.

“Once Upon a Time in West” e “Easy Rider” são, assim, dois conceitos de guiões cinematográficos bem distintos, mas igualmente notáveis. Ambos essencias na colecção de um pretenso guionista. Dois modelos a seguir. Duas influências a reter. Pela força da imagética no cinema. Pela certeza que um filme dispõe de outros meios para contar as suas histórias do que aqueles que se munem a literatura e a rádio, por exemplo. Porque o cinema é uma junção de imagens em movimento com música e som.

E, dessas vicissitudes, abastece-se o guionista prosaico.

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