Royal Cafe

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Happy Halloween!!

Outubro 31, 2009 · Deixe um comentário

Em Outubro de 2005 um grupo de artistas juntou-se em benefício da UNICEF, para criar um vídeo alusivo/festivo ao dia de Halloween.

O colectivo respondeu pelo nome de North American Hallowe’en Prevention Initiative e era composto por:

Win Butler & Régine Chassagne (Arcade Fire)
Beck
Feist
Devendra Banhart
Thurston Moore (Sonic Youth)
Roky Erickson
Peaches
Dntel
Syd Butler (Les Savy Fav)
David Cross
Elvira, Mistress of the Dark
Karen O  (Yeah Yeah Yeahs)
Jenny Lewis & Blake Sennett (Rilo Kiley)
Dan Boeckner & Spencer Krug (Wolf Parade)
Steve Jocz dos Sum 41
Nick Diamonds e J’aime Tambeur (Islands)

E, da iniciativa, resultou este tema/vídeo, intitulado “Do They Know It’s Halloween?”:

Já tem uns anitos, mas vale sempre a pena ver.

E, com isto, seguem-se os desejos do Royal Cafe de um Feliz Dia de Halloween para todos os visitantes.

Volto em breve.

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Royal Cafe Convida: The Lost Cavalry

Outubro 3, 2009 · Deixe um comentário

The Lost Cavalry é o novo projecto musical de Mark West (ex-membro de Fanfarlo) que, juntamente com Oliver (dos XUP), Dave (dos The Injection) e Nick (Amber Meissner), promete bastante para o ano que se avizinha.

Encontram-se actualmente a gravar o primeiro Ep e pelo meio tiveram tempo de passar por cá e gravar dois vídeos exclusivos para o Royal Cafe (filmados e produzidos por BON Productions), dos temas “Secret Steps” e “Oh Sally”, ambos em versão acústica.

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Foi uma honra recebê-los cá. Voltem sempre!

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Mestres, Vencedores e Detractores

Outubro 1, 2009 · 1 Comentário

Saudoso regresso, este que enfrento. Nostalgia essa que invade uma sustenida palpitação, nesse adorno sonoro da humilde madeira a ranger. Deixo entrar luz no espaço, suspiro e retomo a actividade no salão. Limpo o pó, que abunda. E, desenfreado, sacudo um vinyl que ali pernoitou, noite após noite, perdido entre a desgastada protecção que a sua capa noutros tempos lhe prometera e o ar sujo e abandonado que o seu novo habitat tardou em apresentar. Contudo, constato que resistiu. Ao rude desarrumo. Envelheceu, do jeito que se quer. Sem perder a magia daquele primeiro acorde inesquecível, irreverente e impulsivo.

Soa música no espaço, abre-se o Café. O público espreita, desconfiado, do lado de fora. Sorrio, compreensivo, e agito-me até à porta. Peço lume, ao que não me negam. Apregoo o programa do dia e observo as reacções. Um misto de curiosidade e de receio – próprios do termo ‘cinema’. Dois fregueses voltam costas, cospem para o chão e afastam-se. Sorrio de novo, saúdo os restantes com um ligeiro toque no chapéu que herdei do meu avô e retiro-me para o interior. Regressa a azáfama. Preenchem-se as mesas. Saem cafés, chás, pastéis de belém. Pulveriza-se o ar com fumo e regressam as eufóricas gargalhadas dos jovens que brincam próximo do palco. Eu, anfitrião do convívio gerado, discurso do balcão. Agradeço a presença de todos. E saúdo a mais um aniversário do Royal Cafe, entretanto passado com a porta fechada. Agradeço novamente à presença de todos.

E dou início ao serão.

Mestres

Andava prometida uma análise profunda ao mais recente filme de P. T. Anderson – “There Will Be Blood“. Como não me pretendo alongar, e porque quero aproveitar a visita para comentar mais algumas obras recentemente vistas, fico-me pela reflexão em jeito de cabeçalho. “There Will Be Blood” é uma brilhante analogia ao passado recente da história norte-americana, em jeito de crítica metafórica. Isto é, partindo de um caso específico narrativo – a odisseia de Daniel Plainview em busca da fortuna petrolífera pelo solo norte-americano – P. T. Anderson lança-se numa crítica feroz à obsessão petrolífera que tem predominado na sociedade contemporânea. Constatemos os factos: Daniel Plainview não olha a meios para invadir território alheio e usa os artíficios que pode para cair nas boas graças populares – o uso que ele faz do adoptado filho para seduzir os proprietários dos terrenos; a história recente norte-americana fez-se de uma invasão territorial justificada pela posse ilegal de um suposto armamento químico que não tardou em confirmar-se inexistente – e o senso comum global reconheceu o infame pretexto para almejar algo mais. Daniel Plainview deparou-se, na sua odisseia, com credos religiosos distintos e “combateu” os obstáculos que estes lhe apresentaram – a crença promovida por Eli Sunday, o extremista pregador que dinamiza a mentalidade do povo; a invasão norte-americana promovida por distintos países do Golfo Pérsico motivou um choque cultural de crenças e originou uma oposição religiosa, dita extremista. A título de figuração máxima da metáfora, e porque isto vai em jeito de cabeçalho, no final do filme surge sangue, qual mensagem crítica relativa ao prenúncio de conclusão mais que esperada quando o assunto em questão se revela tão sério – a obsessão, no seu sentido literário mais puro, nunca será saudável. A obsessão petrolífera, no seu denominador comum, gera sangue. Infelizmente.

P. T. Anderson, cineasta máximo, explora subtilmente os terrenos da sua narrativa, sem nunca se deixar perder na crítica facilitista em detrimento da estrutura do filme e consegue aqui, a meu ver, um dos mais brilhantes exercícios cinematográficos da década. Pela mestria com que filma cada sequência (os dez minutos iniciais sem qualquer diálogo são fantásticos, ao melhor nível do estilo Sergio Leone), pela densidade com que explora os impressionantes personagens imortalizados por Daniel Day Lewis e Paul Dano (muita atenção a este jovem actor, é que só tenho visto coisas muito boas dele), pela composição do ambiente que as suas imagens criam em parceria com a música de Johnny Greenwood (membro dos Radiohead) e, acima de tudo, pelo virtuosismo com que manipula a sua linguagem cinematográfica em perseguição de uma crítica intemporal, primeiro, à natureza humana, e específica, em segundo, à história recente do povo que o viu nascer.

O quanto me regozijo cada vez que penso que P. T. Anderson desistiu de levar a cabo um curso de cinema logo no seu primeiro dia, porque um suposto professor lhe contrapôs o seu gosto cinematográfico. Coisas da vida.

Outro dado curioso prende-se com o passado de Quentin Tarantino. E também com a sua suposta falta de academismo. Ficou-se pelo clube de vídeo e não ingressou num curso de cinema. Pois. Afinal criticam-no porque ele copia muitas coisas de outros filmes e etc. Mas aos detractores já lá vou e, estranhe-se, não o vou fazer em relação ao cinema de Tarantino. Mas, para já, e porque a secção é de Mestres – “Inglorious Basterds“.

Sou fã de Tarantino há largos anos. Aliás, foi muito graças aos filmes dele que decidi ingressar num curso superior de cinema e inclusive explorar a possibilidade de algum dia vir a fazer cinema. Lembro-me de ver “Reservoir Dogs” com uns 8 ou 9 anitos e de sentir o estrondo que aquele filme para mim representou desde então. Obra máxima de Tarantino até ao momento, no meu gosto pessoal, e expoente máximo do cinema como arte em estado puro. Vibrei com “Pulp Fiction”, adorei a trama de “Natural Born Killers” (apesar de saber que ele próprio não gostou do filme que Oliver Stone criou - o que me deixou ainda mais curioso pelo guião original do filme), senti-me realizado ao ritmo de ”Jackie Brown”, gostei da loucura de ”True Romance” e de ”From Dusk Till Dawn”, compreendi “Kill Bill” e inclusive senti o suspense apalavreado de “Death Proof”. Ah, e delirei com o seu excerto de “Four Rooms”! Posto isto e compreendida a minha idolatração pela sua obra, e mais concretamente pela sua escrita cinematográfica (que reconheço poucos que se lhe comparem no feito), dá para perceber a minha ansiedade pelo seu novo e mais que aguardado capítulo, de seu nome ”Inglorious Basterds”. 

“Acho que esta pode bem ser a minha obra-prima.”, frase com que termina o filme, diz tudo. Eu também desconfio que tal aconteça. E que não o seja reconhecido nos próximos tempos. “Inglorious Basterds” é um filme novo de época, com uma abordagem revitalizante e inventiva, ou não estivesse em causa o génio de Tarantino. E o é também, a meu ver, uma obra máxima de cinema, à frente do seu tempo. Enalteço a sequência inicial (brilhante, brilhante), a sequência do bar na cave (e ainda assim tive pena que Tarantino não explorasse mais o pormenor dos personagens escritos nas cartas do jogo), a derradeira sequência que remete todo o mal para uma salvação cinematográfica, o humor dos basterds, a ironia do austríaco, as diversas homenagens à história do cinema (que vai do cinema de propaganda nazista, à mente aberta da nouvelle vague, ao western spaghetti de Leone, ao estilo noir, gangster, ao caso “Marlene Dietrich”, etc, etc).

Quentin Tarantino é um amante de cinema, ponto. E um mestre a renová-lo.

Vencedores

Vi o “Up” em 3D e senti-me uma criança de novo. Foi fantástico deixar-me levar numa aventura fabulosa a bordo de uma casa flutuante e viver um filme de animação como há muito não o conseguia fazer (já vai longe o mítico Fievel). Parabéns à Pixar uma vez mais por ter criado um dos melhores filmes de animação de sempre e elevar a audiência de Cannes (já o havia sido uma vitória o facto de preencher a programação da sessão inaugural da mais recente edição do mítico festival) e palmas aos seus criadores por, munidos da mais interessante ciência da animação da actualidade, não a deixarem sobrepor à narrativa – razão primeira desse mágico processo bilateral ao qual gosto de chamar cinema.

Palmas para Salaviza (para além da já recebida em Cannes), modestas, mas verdadeiras - as minhas. Fui a correr ao Arrábida, desesperado por conseguir entrar na sessão das 18:25 a tempo da visualização de “Arena“. Saí de Santa Catarina ao ritmo de Usain Bolt, entrei no Douro com braçadas semelhantes às de Phelps e subi a colina de Gaia na bicicleta que outrora foi de Vanessa Fernandes, disseram-me. Mas o carro era mesmo branco e o trânsito nunca pior. Entrei na sala e já o filme passava na tela. Sentei-me para amenizar a pulsação e entreguei-me às imagens. Cativantes, desde logo. João, se estiveres a ler isto, eu comecei a ver o filme a partir do momento em que o Mauro pede a um rapaz do exterior que lhe faça o favor de despejar o lixo, pela janela. Por não saber se perdi muito do filme, não pude tirar as devidas conclusões. Se estiveres a ler isto, por favor conta-me tudo aquilo que perdi para trás. Ou envia-me essa cópia…. Gostei bastante da composição da maior parte dos planos, da fotografia, do dramatismo e densidade da trama, dos personagens (interpretados de forma bastante convincente pelos respectivos actores), da cenografia (o carro no qual o puto ‘Alemão’ opera é digno de registo) e dos locais onde o filme foi rodado – serve tudo na perfeição a história que penso ter compreendido. Nota maior para a panorâmica vertical que culmina com a aproximação de Mauro a um dos jovens que o assaltou, numa das pontes dos singulares edifícios comunitários e da violência que a precede – seca, real, agressiva – que tão força tem pelo afastamento com que é filmada (boa manipulação do psíquico sensatorial do espectador, se é que o posso dizer). Gostei também do pássaro que voa no plano final, mas tenho receio de o comentar sem ter visto a parte inicial do filme (ou seja, a interpretação que lhe dei pode não ser a mais correcta). Parabéns João, boa sorte para o périplo de festivais que se adivinha e continuação de um bom trabalho. Pelo bem do cinema português.

Queria também deixar uma breve nota para Neil Blomkamp neste capítulo e para o visionário Peter Jackson. Ao primeiro pela excelente conquista que é a sua primeira obra “District 9” – abordagem renovada ao género Sci-Fi e excelente metáfora ao Apartheid revestida de uma temática “extra-terrestrial”. Ao segundo pela coragem que teve em apostar num projecto situado fora do mainstream e das paisagens centradas no coração norte-americano, desenvolvido por sul-africanos e com actores totalmente desconhecidos. Saiu a ganhar o cinema, com um excelente filme dotado de efeitos visuais acima da média e o próprio Jackson, já que o filme tem sido um sucesso de bilheteiras a nível global.

Detractores

Em jeito de despedida, e porque esta conversa não interessa assim tanto, queria apontar o dedo a duas situações específicas, mas não assim tão singulares:

- Reparei há dias num jornal que leio regularmente com apreço – “Ipsilon” – num depoimento de Joaquim Leitão, inserido num artigo sobre o cinema de Pedro Costa e sobre a reedição da sua obra “O Sangue”. Pois Joaquim Leitão confrontava gerações de cineastas portugueses, a sua e a que lhe precedeu (nomeadamente a de ‘60) e referia que nesta última havia ‘uma espécie de pureza. O facto de um filme ser exibido já era algo um bocadinho sujo’. Manuel Mozos, no mesmo artigo, diz a respeito do mesmo: ‘havia um lado, quase statement, de não se importarem que os filmes não fosses vistos’. E a essa geração digo ‘obrigado’! Obrigado por terem delegado essa mentalidade que não se mune mais do que de egoísmo artístico num povo que perdeu o interesse pelo seu cinema. Obrigado por imporem as vossas regras ao longo das últimas décadas no sistema de produção cinematográfica nacional, tão parco e infeliz em termos de títulos qualitativos. Obrigado por monopolizarem com essa filosofia demasiado autoral para ser saudável um programa de atribuição de subsídios preso a currículos esporádicos de personalidades que não fazem filmes para ser vistos e/ou produtoras que se vêem sobreviventes às custas dos mesmos. Salve-se o tempo e a nostalgia do passado. Salve-se a gente, que é outra. Assim o espero.

Não o entendam como um desabafo de um pretenso cineasta, mas sim de um jovem espectador e amante de cinema que bem tenta reconciliar-se com o cinema do seu país, sem sucesso. Tal como tantos.

Aponto igualmente o dedo aos detractores do costume - a maioria dos críticos de cinema portugueses. Não é meu costume pronunciar-me sobre tais opiniões e respectivas divergências de gostos que de forma natural se associam ao processo. Aliás, até sou daqueles que respeita a perspectiva dos outros de forma veemente e não me inibo quando se trata de fazer questão de o demonstrar. Contudo, porque hoje o capítulo é para isto, não me pode passar ao lado uma crítica que me entristeceu. Refiro-me à visão de L. M. Oliveira sobre o mais recente filme de Ang Lee, “Taking Woodstock” e à crítica elaborada pelo mesmo sobre a interessante abordagem que Lee fez a um dos maiores acontecimentos do século passado. Que não goste do filme, muito bem. Que contraponha as intenções de Lee e justifique com elementos do seu conhecimento e gosto pessoal, tudo muito bem. Agora, uma coisa que me marcou no seu texto: “até a lama é muito limpinha”?? É munido de argumentos como este que uma pessoa com o seu conhecimento cinematográfico se pretende debruçar sobre determinado filme e, assim, automaticamente influenciar inúmeros leitores que aos seus textos recorrem no sentido de buscar motivação para assistir a x ou y? Vocês, queiram essa faceta ou não, são ‘opinion-makers’ e, como tal, não seria nada mau medir algumas das abordagens a que o vosso elitismo forçado vos obriga. Porque, em sentido último, vocês são os primeiros a trabalhar a educação cultural do país e, muitas são as vezes, parecem teimar em esquecer que o cinema não é só um código intelectualizado que só tenha valor quando pretenda ou consiga superar as convenções do género a que se pretende. Também não lhe peço que em vez da lama que não era suficientemente suja, que fale sobre a homenagem que Lee faz a Godard no travelling que acompanha a mota ao longo da engarrafada estrada repleta de milhares de jovens festivaleiros (que só por si é visualmente impressionante e convincente – ao contrário da lama, como diz), tal como o francês havia feito em Weekend de uma forma semelhante. Não, não lhe peço isso. Mas acho que Taking Woodstock não deveria ser marginalizado como aparentemente está a ser feito pelos críticos de cá, só porque a forma como está filmado e contado é demasiado simpática para entrar nesses quadros elitistas que tão erradamente têm educado o nível cultural cinematográfico do cidadão português.

Felizmente o cinema, para mim, é muito mais do que isso.

Volto em breve. Obrigado pela presença.

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Cem Posts de Solidão

Agosto 6, 2009 · 4 Comentários

É com a primeira tentativa forçada de enganar o cliente na história do Royal Cafe que inicio a celebração do 100º post. Isto porque, apesar da óbvia alusão do título ao magnífico romance de Gabriel Garcia Marquez, da história do Royal Cafe não reza o sentimento solitário.

Sei hoje, quase dois anos depois de ter aberto as portas do Royal Cafe, que a boa recepção da vossa parte a algum do conteúdo que aqui tem vindo a ser exibido/debatido me dá uma crescente força e vontade de manter o espaço saudável e espero que atractivo à vossa visita.

Passando aos números, o Royal Cafe abriu as portas no passado dia 17 de Setembro de 2007 e conta com um total de 19.368 visitas (até à hora em que comecei a escrever este post), tendo obtido no mês de Dezembro de 2008 o número máximo de visitas mensais com 1.629 visitas. O Post/Evento mais visitado até hoje prende-se, curiosamente, com o motivo principal da abertura das portas. Como é sabido, sou um adepto entusiasta da música de Zach Condon (aka Beirut, principalmente) e, admito, se hoje celebro o 100º post do blog, tal não seria possível se o fascínio que desenvolvi em torno da música de Zach não me tivesse dado a tal força extra que se prende com o acto de iniciar um blog. Contabilizando, o “popular” post ‘O Multicultural Zach Condon’ conta já com 3.481 visitas e 25 comentários oriundos de distintos pontos da comunidade ‘falante’ em língua portuguesa. Todos os dias continua a ser visitado por vários adeptos entusiastas da obra de Zach, o que não deixa de ser curioso o facto de este post ter ganho vida precisamente no dia em que abri as portas do espaço. É para mim uma enorme alegria saber que diariamente consigo fornecer uma sustentada dose de informação sobre o tema aos demais ‘peregrinos’ apaixonados pela obra de Zach. Posto isto, e em forma de celebração, vou dedicar este post a Zach Condon e a todos os seus demais seguidores, reforçando-o com uma agradável novidade sobre o mesmo.

É, acima de tudo, uma enorme honra e consequente orgulho para mim saber que uma ideia que criei, e cuja tenho vindo a desenvolver neste espaço, tem conquistado seguidores e, de certa forma, se tem tornado interessante para uma comunidade já mais ampla do que alguma vez imaginei ser possível. Obrigado a todos vós por me darem essa força necessária à constante manutenção e actualização de um espaço que se pretende lúdico. Espero que nos próximos 100 vos consiga agradar como o penso ter feito até hoje ou, simplesmente, corresponder às expectativas que a data histórica já obriga.

Assim, porque hoje é um dia festivo, queria divulgar junto de vós uma obra que me tem gerado uma agradável curiosidade.

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“Paper Heart” é um filme de Nicholas Jasenovec e foi o grande vencedor do prémio do público de Sundance no presente ano. Como é já senso comum, Sundance tem uma relativa facilidade de lançar fenómenos no circuito de cinema independente mundial e, para não fugir à regra, “Paper Heart” aparenta ser um desses casos. Com o actor sensação de ‘Juno’ (o sucesso independente de 2008), Michael Cera e com uma aparente narrativa original – a comediante Charlyne Yi decide fazer-se à estrada com a ideia de filmar um documentário sobre a questão do amor e, após conhecer Michael Cera e Nick Jasenovec, pede-lhes ajuda para o desenvolver, todos eles interpretando-se a si próprios no filme – o filme estreia amanhã nos EUA e promete ser uma saudável sensação nas bilheteiras. Para mim, este é o mais forte candidato a sucessor dos conquistadores fenómenos independentes que foram “Garden State” em 2004, “Little Miss Sunshine” em 2007 e “Juno” em 2008.

TRAILER

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Para todos aqueles que já estão com essa cara de desagrado a perguntar-se onde é que entra Zach Condon no meio disto tudo e onde pára a minha prometida novidade, sigam este link.

Eu estou curioso. Por Paper Heart e pelos próximos 100 posts. E vocês?

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18 Segundos

Julho 30, 2009 · 1 Comentário

“18 Segundos”, uma curta-metragem de Bruno Zacharías e Miguel de Olaso “MacGregor”.

Eu gostei. E vocês?

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A Luta do Guionista (ou em inglês: Scriptwriter Vs. The World)

Julho 8, 2009 · Deixe um comentário

Escrever um guião é como estar numa conversa importante e procurar sempre a certeza de todos os caminhos que pisa. O guionista prende-se com uma luta constante de abordar sempre temáticas que, de uma forma ou de outra, sejam verdadeiras. Porque ao mínimo risco que corra, terá sempre do outro lado algum espectador que a confronte. E, garanto-vos, desse outro lado há sempre essa obsessão extrema da contraposição.

Imaginem-se numa reunião. Vocês são vendedores de profissão e encontram-se ali para tentar “impingir” o vosso produto (pode ser, vá lá, um microondas). Certifiquem-se que dominam todas as características do produto, as suas vantagens, bem como toda a radiação envolvente e suas consequências. Tenham sempre a certeza de não cair num tema ou num enigma que não possam resolver. Porque, como vocês sabem, o conhecimento superior do vosso cliente pode ser o suficiente para arruinar o negócio.

Agora imaginem-se numa reunião a uma escala 300.000 vezes superior. Vocês, ali, sentados a tentar vender o vosso produto, esforçando-se para garantir a sua genuínidade e, mais importante, a sua verdade. E imaginem o quão certos têm de estar para evitarem abordar algo que ponha em xeque o vosso domínio.

Esse cenário caótico, meus senhores, é a luta com que o guionista se debate de início ao fim.

Porque basta uma pequena palha para que esses ávidos e astutos espectadores rejeitem o que lhes apresentem e, com ela, atearem a fogueira.

Perante isto, das duas uma, ou fazem como eu e, quando não estão totalmente seguros de um determinado tema ou situação, evitem-no, ou, se forem realmente dotados daquela lábia subtil e evasiva, contornem-no com mestria. Mas, aviso, se optarem por essa via, preparem-se para o pior.

Volto em breve.

(Em retiro criativo)

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Chicken Ala Carte

Maio 8, 2009 · Deixe um comentário

Chicken ala Carte, um filme de Ferdinand Dimabura.
Um momento para reflexão.

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Festival de Verão

Abril 27, 2009 · Deixe um comentário

Acho que já escolhi o meu para este ano…

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Dia da Verdade

Abril 3, 2009 · 1 Comentário

Porque hoje, dia 3, é o dia da Verdade, actualizo o blog em jeito de veracidade:

- Vi finalmente o “Estranho Caso de Benjamin Button”. É um bom filme, mas não me encheu as medidas de forma a que justificasse a conquista do Oscar. Boa história, boas interpretações, competente realização (a sequência do atropelamento é realmente notável). Cumpre, mas falta-lhe qualquer coisa.

- “In Bruges”. Nunca a visualização de um filme me tinha provocado tanta vontade de tornar a sua história numa peça de teatro. Senti-o desde o início, desde a relação entre os personagens, trama e cenário. E durante cerca de 2 horas de filme senti-me amiúde entre uma peça de shakespeare adaptada à realidade british gangster, com díálogos a la tarantino. “Porque preciso de ir lá acima para ver isto aqui em baixo? Já estou cá em baixo!”, diz o personagem de Colin Farrell a determinado momento do filme. E é entre diálogos estimulantes, personagens mirabolantes e sequências delirantes que decorre “In Bruges”, a primeira longa-metragem de Martin McDonagh (autor da curta-metragem vencedora de um Oscar em 2005, creio, intitulada “Six Shooter” e que na altura me havia deixado muito agradado com a sua visualização). Após visualizar “In Bruges” e sentir esse desejo de teatro, nunca antes denotado em mim, descobri a carreira consolidada que McDonagh tem no teatro britânico. E apreciei a fusão de formatos como nunca antes havia feito – distintamente da relação defendida pelo grande Manoel de Oliveira. É que, contrariamente ao que sucedeu com a visualização de “In Bruges”, nunca uma visualização de um filme de Oliveira me estimulou a adaptar a sua narrativa ao formato teatral. Excepto, talvez, a uma encenação de “Aniki Bóbó” em formato de marionetas, para uma sessão dedicada aos filhos que um dia terei.

- Vi também “Blindness – Ensaio Sobre a Cegueira“, finalmente. E, bem, acho que estive perante a obra cinematográfica mais poderosa de todo o ano de 2008. Poderosa em inúmeros sentidos, todo o filme é uma análise incrível à sociedade, conceito de comunidade e, acima de tudo, humanidade. Obviamente que grande parte da sua riqueza deriva da brilhante narrativa de Saramago – “Ensaio Sobre a Cegueira” é de facto uma obra literária singular pelas pluralidade de questões com que presenteia qualquer dos seus leitores – mas Fernando Meirelles conseguiu criar um filme fantástico, a todos os níveis. Só me deixou com pena de uma coisa - não poder assistir à sua versão original, de cerca de mais uma hora de filme. É que a relação entre o personagem de Danny Glover e Alice Braga tinha obviamente mais conteúdo do que aquele que é referido na versão final do filme, o “motim” que antecipa a evasão do local da quarentena ocorre quase sem a respiração devida, a solidão e angústia do personagem de Juliane Moore não obtém a relevância que se impunha. Meirelles é sem dúvida um realizador com um talento inesgotável, uma criatividade singular e uma genialidade épica. Pecou, quanto a mim, em desejar tornar este filme “mais agradável de ver” (talvez por imposições superiores – os financiadores têm sempre objectivos específicos), quando esta história nunca poderia ser agradável de ver. E a sua riqueza é essa crueza, essa crueldade omnipresente do ser humano em situação catastrófica, essa sujidade persistente, essa calamidade aparente. Que nos deveria obrigar a reflectir, do seu início ao seu fim. E nunca condenar. Saramago escreveu-nos aquilo que não queríamos ler, Meirelles mostrou-nos aquilo que não queríamos ver. Compreendo a sua pouca aceitação comercial. Não compreendo a sua subvalorização artística. “Blindness” foi, para mim (e dos que já vi), o melhor filme de 2008. Recordo a sequência do miúdo caminhando numa das salas do local da quarentena e que, para sua e nossa surpresa, se depara com uma mesa no seu caminho. Meirelles conseguiu, brilhantemente, fazer-nos viver o estado de cegueira a que o filme se propunha, criar-nos uma dor no estômago com a sua visualização e, consequentemente, colocar o seu filme num patamar atingível para poucos.

- Vi o “Marley & Eu” e gostei. É uma comédia deliciosamente irresistível que nos suscita a admiração e carinho pelos nossos animais de eleição, inerentemente associados à generalidade dos seres humanos. Quase todos sabemos o que é ter um best buddy em formato canino ao longo dos episódios da nossa vida. “Marley & Eu” capta na perfeição a presença discreta que um desses companheiros vitalícios aufere ao longo das nossas narrativas diárias. É uma surpresa agradável, um bom filme de família. Aos 20 minutos de filme pensei: «Pois, até aqui muito bem. Quero ver como agora, uma vez incorporado o cão no seio familiar, este filme se manterá interessante por mais 1 hora e meia.» E, para minha constante surpresa, a narrativa vai-se desenrolando no seio das peripécias familiares. É um filme repleto de amor, nada semelhante ao método “Beethoven” e bastante real. Nota de relevo para o guião e para a construção de personagens e situações pouco estereotipadas, com problemas reais, dificuldades reais, apesar da aparente história “pink dream”. Sinal mais para o personagem de Alan Arkin. Grande actor, grande  construção e caracterização de personagem. Nunca um director de redacção se me mostrou tão íntegro, original e ausente de prévio juízos de valor que inconscientemente fazemos perante uma comédia romântica. Esta não é uma dessas comédias românticas. Ou, aliás, é aquilo que uma comédia romântica se deve orgulhar de ser. Estimulante, interessante e, acima de tudo, emocionante.

- Já que falo de Alan Arkin, tenho de referir que revi também o grandioso “Little Miss Sunshine“. Que mais posso dizer sobre este filme? Fantástico, delicioso em todos os aspectos. Guião perfeito. Final perfeito. Personagens perfeitas. Cinema de altíssimo calibre. Humor cativante. Voltem Jonathan Dayton e Valerie Faris. Quero ver e rever os vossos próximos trabalhos. Poucos filmes me encheram as medidas como este o fez.

- Observei um showcase de Elvira na Fnac Triangle em Barcelona. Não conhecia até então. Simpatizei com o que ouvi. Têm sido poucas as surpresas que a música espanhola me tem pregado. (http://www.myspace.com/theelviraproject) Em jeito de verdade, afirmo que estou muito, mas muito mais entusiasmado com o panorama actual da música portuguesa. Felizmente. Quando chegará o dia em que afirmo o mesmo relativamente ao cinema?

- O penalty marcado ao Sporting na final da Carlsberg Cup não era penalty.

- A selecção portuguesa precisa de se reencontrar.

- Obama é realmente uma pessoa admirável e uma lufada de ar fresco no panorama cláustrofóbico que se impunha como uma névoa cinzenta escura sobre o mundo.

- Odeio vírus. Seja de quais tipos eles forem.

- O melhor da gastronomia espanhola é sem dúvida o cerdo ibérico.

- Nada me traz mais gratidão do que a honestidade.

- Porque raio desprezamos o dia da verdade e celebramos o dia da mentira? Creio que um dia de tranpsarência total teria efeitos catastróficos a nível global. Infelizmente.

Cumprimentos, voltem sempre. Esta semana teremos convidados em exclusivo para vocês. Para que se sintam em casa, aqui, no Royal Cafe.

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Ninho da Cobra I

Fevereiro 21, 2009 · 1 Comentário

É com grande prazer que anuncio o mais recente espaço do Royal Cafe.

Há algum tempo que me questionava com o que poderia fazer na nossa cave. Desde o momento em que adquiri o espaço que sempre tive a certeza de que algo interessante adviria daquele espaço. Porém, 2 anos passados da abertura do Royal Cafe e da minha crescente insatisfação a  cada uma das investidas rotineiras em busca de reforços de guardanapos e garrafas de vinho do porto (a corticeira que as alberga é de facto um esplendor e merecia mesmo estar bem à entrada do Royal Cafe, para gáudio dos visitantes), senti-me na obrigação de pegar na vassoura.

A meio da limpeza (e de inúmeras ideias de possibilidades para rejuvenescer o espaço), puxei o cadeirão secular que intimamente faz parte do local (diz-se pela comunidade que o espaço pertencera a um fidalgo respeitado de norte a sul) e, sentindo-me dono e senhor, decidi que não deveria continuar com aquela calamidade. Cheguei até, imagine-se, a pensar em pintar o espaço de cor-de-laranja, em tons condizentes com uma modernidade que se quer vanguardista. E, ali, sentado no cadeirão enquanto olhava para as desgastadas paredes ancestrais, assenti que não seria essa a via.

Uma cave vale pelo seu todo. Pelos anos de humidade inerente. Pelas centenas de aranhas coloniais.

Pelas suas memórias. E esperanças.

Quis abri-la assim ao público. Mostrá-la, tal como é. E deixá-lo participar.

Em jeito de tertúlia, chamei-lhe “Ninho da Cobra”. Porque, homenageando os verdadeiros artistas da célebre Motown, espero que deste ninho obtenhamos também nós bons resultados (“The Snake Pit” era o nome do estúdio de experimentações onde o aglomerado de músicos The Funk Brothers criava verdadeira magia). Que o mote seja lançado, em jeito denominador.

E, inaugurando o espaço, ponho na mesa o primeiro projecto.

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Sempre me fascinou o conceito de road-movie.

Apocalypse Now, Diarios de Motocicleta, Y Tu Mama También, Thelma & Louise, Rain Man, Stand By Me, The Wizard of Oz, The Grapes of Wrath, Into the Wild, Almost Famous, Sideways, Natural Born Killers, Little Miss Sunshine, Fear and Loathing in Las Vegas ou os recentes The Happening e My Blueberry Nights, para nomear alguns. Inclusive o Dumb & Dumber, o Forrest Gump ou a primeira hora de Rat Race, ao seu jeito.

Adorei embarcar nessas aventuras. Sentir-me parte da viagem, presenciando locais, momentos e experiências singulares.

Arrisco-me a dizer que, para mim, este é um dos géneros que melhor eleva ao expoente máximo a magia do cinema.

E, posto isto, apresento Indie (cartaz meramente ilustrativo e promocional/salvaguardo a produção ainda não assegurada pela Red Lobby Films e os direitos de imagem da Converse), um projecto meu de longa-metragem cujo guião se encontra em fase de conclusão.

“Indie” vai ser um road-movie influenciado por todos estes filmes e muitos mais. Será, acima de tudo, influenciado pelo conceito de Indie. E a história começa em Manchester, no começa-a-ser-longínquo ano de 1987.

Mais não adianto. Por agora.

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