Royal Cafe

Entradas categorizadas como ‘Música’

Happy Halloween!!

Outubro 31, 2009 · Deixe um Comentário

Em Outubro de 2005 um grupo de artistas juntou-se em benefício da UNICEF, para criar um vídeo alusivo/festivo ao dia de Halloween.

O colectivo respondeu pelo nome de North American Hallowe’en Prevention Initiative e era composto por:

Win Butler & Régine Chassagne (Arcade Fire)
Beck
Feist
Devendra Banhart
Thurston Moore (Sonic Youth)
Roky Erickson
Peaches
Dntel
Syd Butler (Les Savy Fav)
David Cross
Elvira, Mistress of the Dark
Karen O  (Yeah Yeah Yeahs)
Jenny Lewis & Blake Sennett (Rilo Kiley)
Dan Boeckner & Spencer Krug (Wolf Parade)
Steve Jocz dos Sum 41
Nick Diamonds e J’aime Tambeur (Islands)

E, da iniciativa, resultou este tema/vídeo, intitulado “Do They Know It’s Halloween?”:

Já tem uns anitos, mas vale sempre a pena ver.

E, com isto, seguem-se os desejos do Royal Cafe de um Feliz Dia de Halloween para todos os visitantes.

Volto em breve.

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Royal Cafe Convida: The Lost Cavalry

Outubro 3, 2009 · Deixe um Comentário

The Lost Cavalry é o novo projecto musical de Mark West (ex-membro de Fanfarlo) que, juntamente com Oliver (dos XUP), Dave (dos The Injection) e Nick (Amber Meissner), promete bastante para o ano que se avizinha.

Encontram-se actualmente a gravar o primeiro Ep e pelo meio tiveram tempo de passar por cá e gravar dois vídeos exclusivos para o Royal Cafe (filmados e produzidos por BON Productions), dos temas “Secret Steps” e “Oh Sally”, ambos em versão acústica.

Website

Myspace

Foi uma honra recebê-los cá. Voltem sempre!

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Cem Posts de Solidão

Agosto 6, 2009 · 4 Comentários

É com a primeira tentativa forçada de enganar o cliente na história do Royal Cafe que inicio a celebração do 100º post. Isto porque, apesar da óbvia alusão do título ao magnífico romance de Gabriel Garcia Marquez, da história do Royal Cafe não reza o sentimento solitário.

Sei hoje, quase dois anos depois de ter aberto as portas do Royal Cafe, que a boa recepção da vossa parte a algum do conteúdo que aqui tem vindo a ser exibido/debatido me dá uma crescente força e vontade de manter o espaço saudável e espero que atractivo à vossa visita.

Passando aos números, o Royal Cafe abriu as portas no passado dia 17 de Setembro de 2007 e conta com um total de 19.368 visitas (até à hora em que comecei a escrever este post), tendo obtido no mês de Dezembro de 2008 o número máximo de visitas mensais com 1.629 visitas. O Post/Evento mais visitado até hoje prende-se, curiosamente, com o motivo principal da abertura das portas. Como é sabido, sou um adepto entusiasta da música de Zach Condon (aka Beirut, principalmente) e, admito, se hoje celebro o 100º post do blog, tal não seria possível se o fascínio que desenvolvi em torno da música de Zach não me tivesse dado a tal força extra que se prende com o acto de iniciar um blog. Contabilizando, o “popular” post ‘O Multicultural Zach Condon’ conta já com 3.481 visitas e 25 comentários oriundos de distintos pontos da comunidade ‘falante’ em língua portuguesa. Todos os dias continua a ser visitado por vários adeptos entusiastas da obra de Zach, o que não deixa de ser curioso o facto de este post ter ganho vida precisamente no dia em que abri as portas do espaço. É para mim uma enorme alegria saber que diariamente consigo fornecer uma sustentada dose de informação sobre o tema aos demais ‘peregrinos’ apaixonados pela obra de Zach. Posto isto, e em forma de celebração, vou dedicar este post a Zach Condon e a todos os seus demais seguidores, reforçando-o com uma agradável novidade sobre o mesmo.

É, acima de tudo, uma enorme honra e consequente orgulho para mim saber que uma ideia que criei, e cuja tenho vindo a desenvolver neste espaço, tem conquistado seguidores e, de certa forma, se tem tornado interessante para uma comunidade já mais ampla do que alguma vez imaginei ser possível. Obrigado a todos vós por me darem essa força necessária à constante manutenção e actualização de um espaço que se pretende lúdico. Espero que nos próximos 100 vos consiga agradar como o penso ter feito até hoje ou, simplesmente, corresponder às expectativas que a data histórica já obriga.

Assim, porque hoje é um dia festivo, queria divulgar junto de vós uma obra que me tem gerado uma agradável curiosidade.

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“Paper Heart” é um filme de Nicholas Jasenovec e foi o grande vencedor do prémio do público de Sundance no presente ano. Como é já senso comum, Sundance tem uma relativa facilidade de lançar fenómenos no circuito de cinema independente mundial e, para não fugir à regra, “Paper Heart” aparenta ser um desses casos. Com o actor sensação de ‘Juno’ (o sucesso independente de 2008), Michael Cera e com uma aparente narrativa original – a comediante Charlyne Yi decide fazer-se à estrada com a ideia de filmar um documentário sobre a questão do amor e, após conhecer Michael Cera e Nick Jasenovec, pede-lhes ajuda para o desenvolver, todos eles interpretando-se a si próprios no filme – o filme estreia amanhã nos EUA e promete ser uma saudável sensação nas bilheteiras. Para mim, este é o mais forte candidato a sucessor dos conquistadores fenómenos independentes que foram “Garden State” em 2004, “Little Miss Sunshine” em 2007 e “Juno” em 2008.

TRAILER

WEBSITE

MYSPACE

Para todos aqueles que já estão com essa cara de desagrado a perguntar-se onde é que entra Zach Condon no meio disto tudo e onde pára a minha prometida novidade, sigam este link.

Eu estou curioso. Por Paper Heart e pelos próximos 100 posts. E vocês?

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A Midsummer Night’s Post

Agosto 3, 2009 · 1 Comentário

Estive um tanto ou quanto afastado do Royal Cafe nos passados meses e não me orgulho disso.

Por outro lado, orgulho-me de algum do trabalho que se definiu prioritário nos últimos tempos e que, de certa forma, me ocupou a genica e iniciativa que até então canalizava para o desenvolvimento deste espaço. Criei um novo embrião que, ao que tudo indica, vai ver luz nos próximos meses – a rodagem do filme já está marcada e aguardo ansioso pelo resultado final do mesmo – e estou bastante satisfeito com o meu contributo para o mesmo. Pela primeira vez escrevi uma longa a partir de um tema que me foi sugerido e creio que, polindo-o à minha medida, lhe consegui dar uns contornos bem interessantes. Pelo menos consegui deixar-me ansioso, enquanto espectador, de ver em tela determinadas sequências que, com o contributo necessário dos actores, realizador e demais elementos técnicos, podem denotar uma certa espécie de magia cinematográfica. E isso, a meu ver, essa ansiedade propícia de jovem criador ‘babado’ (ou orgulhoso, em eufemismo) pelo seu trabalho, já é um bom começo. Ou, aliás, o começo exemplar. Nenhum criador deve sentir que a sua obra toma forma sem ir de encontro ao seu agrado e às desejadas emoções que provoca. Em simultâneo, é igualmente errado saber que a sua obra só lhe agrada a si. Ser verdadeiro consigo próprio. Nunca egoísta. A comunicação faz-se de forma bilateral. Pelo menos, falando de cinema.

Posto isto, e porque me tenho sentido em pertinente dívida para convosco, caros clientes e usuários do Royal Cafe, obrigo-me a actualizar-vos com algumas das experiências vividas nestes meses de Verão.

Estive um dia no Primavera Sound 09 e presenciei algumas das boas surpresas musicais do evento. Num dia em que os consagrados Bloc Party, Jarvis Cocker ou Bullet For My Valentine centravam a maioria das atenções, foi pelos diversos palcos constituintes do espaço Primavera (no aprazível Forum de Barcelona) que encontrei os pontos fortes da noite. Bem cedo cheguei ao clímax da tarde/ noite. E bastaram, para isso, apenas 3 músicas. Mas 3 músicas de Kitty, Daisy and Lewis não são só 3 músicas. Em jeito de showcase, o jovem trio de irmãos britânicos (acompanhados pelos seus pais e por um trompetista convidado), conseguiu reunir centenas de curiosos que, em poucos minutos, criaram a sua própria festa, swingando irresistivelmente aos acordes e melodias do carismático conjunto.

Deixo-vos uma imagem.

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E o myspace.

Noutro palco, mais tarde, dancei entusiasmado com o rock envolvente e festivo dos The Extraorinaires. Soaram-me a uma espécie de Sublime meet Beach Boys meet Beatles meet Franz Ferdinand. Gostei bastante e recomendo vivamente.

Deixo imagens.

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E o myspace.

A outra grande experiência da noite deu de seu nome Dan Deacon Ensemble. Um espectáculo impressionante de interacção com o público, de mutação rítmica e crescendos estrondosos, de impressionismo visual em palco (seja pelos dotes técnicos dos intérpretes ou simplesmente pela inúmera colecção de adereços e membros do Ensemble). Não conhecia o projecto, nada esperava dos mesmos. Saí maravilhado, completamente atordoado no bom sentido e rendido à verdadeira experiência que é uma actuação de Dan Deacon Ensemble. Aliás, recomendei-o de imediato a amigos próximos, dado que no dia seguinte actuaram no Serralves em Festa. Dan Deacon Ensemble não é uma promessa, mas sim uma certeza. Pura diversão garantida.

A melhor imagem que consegui, entre pelos arrepiados e coração a elevadíssimos BPM’s.

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E o myspace.

Sinal positivo para Bat For Lashes, Bloc Party e The Pains of Being Pure At Heart. Nota de total incompreensão para Sunn O))) (e tive lá mais de meia hora a tentar perceber no que é que aquilo dava, sem sucesso).

Finda a boa experiência que foi ‘viver’ o som da Primavera (fiquei muito entusiasmado com futuras edições, dada a excelente montra de música alternativa que o festival apresenta), passo à enumeração de alguns álbuns que têm merecido a minha atenção neste verão de 2009:

- Os nossos Sean Riley & The Slowriders, com um excelente regresso em “Only Time Will Tell”;

- O senegalês Baaba Mal e o seu recém-editado “Television” (já me havia agradado a sua colaboração no projecto “One Giant Leap”);

- Os Ep’s e Myspace de Bark Cat Bark, jovem prodígio cidadão do mundo, que ao estilo de Zach Condon/Beirut, consegue criar as melodias mais interessantes da música folk actual;

- O sempre louvável regresso de Dave Matthews Band com “Big Whiskey And The GrooGrux King”;

- Patrick Wolf, com “The Bachelor”;

- Regina Spektor, com “Far”;

- Tony Allen, com “Secret Agent”;

- Rodrigo Leão and Cinema Ensemble, com “A Mãe”;

- Florence and The Machine, com “Lungs” e o fantástico single “Rabbit Heart (Raise It Up)” (que não me canso de ouvir em modo repeat).

Estes álbuns e mais alguns compõem a minha versão de “On The Road”, de Jack Kerouac, apaixonante livro que me tem acompanhado ao longo deste verão de 2009, emprestando uma banda-sonora mais actual à incrível road-novel que influenciou e “baptizou” a  invejável geração beat. Partilham também uma quota-parte na inspiração que me proporcionou chegar ao resultado final do já referido guião. Para mim não existe imaginação sem uma identidade musical que a acompanhe. Seja a ler. Seja a escrever.

Por fim, quero só deixar uma nota sobre os 3 últimos filmes que vi. Curiosamente, tratam-se de 3 filmes que me irão influenciar o estilo de escrita por muitos e longos anos, como filmes referência. E, igualmente curioso, são os 3 completamente distintos uns dos outros.

“Elizabethtown”, de Cameron Crowe (2005)

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Gosto bastante da obra de Cameron Crowe. É um dos meus maiores modelos de guionista/realizador. “Almost Famous” e “Jerry Maguire” tocaram-me bastante, no seu tempo e “Elizabethtown” andava debaixo de olho há já algum tempo. Confesso que o início do filme até me estava a desagradar, em jeito de cliché desinteressante (excepto a voz off inicial que está bem conseguida) e de retrato de desespero gratuito e pouco convincente. Contudo, com o desenvolvimento do filme, observamos também uma criação de um humor muito próprio, muito subtil, muito negro e, consequentemente, muito interessante. A história de amor habitual cedo se desmistifica numa linguagem singular, informal e entusiasmante. A sequência da conversa por telefone entre Drew e Claire deambulará por muitos anos na memória do espectador, tal como a magnífica actuação de Susan Sarandon (que actriz gigante!) no memorial do falecido marido (que texto tão brilhantemente escrito e que emocionante cena tão bem conseguida – é mesmo o clímax do filme, exemplo de clímax que todos nós argumentistas buscamos incessantemente) e toda a música que Crowe justificadamente selecciona para a banda-sonora ajudam a tornar a visualização de Elizabethtown uma experiência comovente e inesquecível.

Como pequeno anexo queria só apontar um pormenor que genialmente sintetiza toda a mensagem do filme – O personagem de Orlando Bloom encontra, no final e após uma interessante road trip pela América profunda, a felicidade total junto da sua amada (Kirsten Dunst), na 2ª maior feira de agricultores do Mundo. Porquê 2ª maior? Porque os segundos são os primeiros dos últimos. Os primeiros dos fracassados. E o filme não é sobre um fracassado que, em situação de total desespero, encontra um motivo de felicidade? Pormenores que fazem a diferença. E tornam as coisas grandiosas.

Em “Cloverfield”, de Matt Reeves (2008), descobri outro pormenor igualmente interessante e igualmente genial.

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Achei toda a experiência da sua visualização algo deveras interessante. Porque, de certa forma, inova em conceito (apesar de outras tentativas como O Projecto Blair Witch já o terem explorado) e em técnica. Mais em técnica, digamos. Porque “Cloverfield” fá-lo, arrisca uma invulgar linguagem cinematográfica, desafiando a predisposição do espectador. Mas fá-lo mesmo muito bem. Ao longo do filme eu só pensava que tudo tinha sido muito bem estudado neste filme. Todo o movimento de câmara, todo o jogo de actores, toda a acção que decorre repleta de CGI e, acima de tudo, todo o espectador. Porque é um risco colocá-lo em primeira pessoa, torná-lo parte da estratégia a que se propõe. Mas “Cloverfield” consegue-o tão bem, consegue ‘manipular’ o espectador através de uma suposta gravação amadora de handycam que, a determinado momento do filme, nós já nem nos damos conta do brilhantismo que engloba toda a criação do filme. E, na sequência em que os personagens atravessam de um prédio para outro que está torto e desnivelado do solo, o personagem que transporta a câmara ao longo de quase todo o filme coloca-a no solo e esta, automaticamente e dado o desnível do solo, desliza por si própria até esbarrar numa pequena pedra que a ampara e permite continuar apontada para o centro da acção. Mais uma vez, um pormenor técnico que abrilhanta o todo. Que passa quase despercebido, mas ajuda a resultar. E a perdurar. “Cloverfield” é uma experiência única de acção e interacção com o conhecimento comum cinematográfico do espectador, impondo uma linguagem inovadora e desafiando-o a viver uma experiência de uma forma mais realista. Conseguiu vingar no que se propôs. E, assim, torna-se uma referência na história do cinema.

Por último, e porque o vi ontem, “Sunset Boulevard”, de Billy Wilder (1950).

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O que dizer desta obra-prima? O que dizer desta narrativa tão única e genial que se torna épica? “Sunset Boulevard” é um filme arriscado sobre a indústria de Hollywood (e do mundo do cinema, um pouco por toda a parte), lugar esse que vinga através das caras famosas e dos mitos que gera, em desprezo de inúmeros profissionais talentosos que dão tudo para que um filme se concretize e perdure (o contraste entre o fascínio que uma ex-glória do grande ecrã promove sobre os demais entusiastas pelo meio, e não só, e a festa dos “secundarizados” cargos técnicos do mesmo – guionistas, assistentes de realização e demais técnicos paralelos à fama e ao sucesso). “Sunset Boulevard” é uma atroz crítica ao glamour que Hollywood origina e à obsessão que os seus intervenientes obtêm com o passar dos anos, no confronto com o esquecimento (que triste foi observar Buster Keaton reduzido a desinteressantes jogos de Bridge entre esquecidas velhas glórias), uma análise ao poder material que o sucesso no meio origina e uma acusação aos prolíferos estúdios norte-americanos que, sem escrúpulos, desenvolvem uma gigantesca indústria doentia. A sequência final da escadaria é memorável, de negra e doentia, o famoso desejo de Close-Up de Norma Desmond é um marco na história do cinema, uma provocação inteligente a todos os espectadores que, por sua vez, são a razão principal da existência dessa indústria. “Sunset Boulevard” não se descreve. Vê-se e admira-se. Até porque, pelo meio de tudo isto, é um filme noir com um ritmo impressionante. E com diálogos memoráveis a la Billy Wilder.

Soube também este Verão que Cameron Crowe registou em livro 1 ano de entrevistas suas a Billy Wilder, de seu nome “Conversations with Billy Wilder”.  E, de forma natural, assumiu-se como o topo das preferências na minha listinha de compras.

Até breve. O Royal Cafe vai muito em breve retomar a sua programação cultural, com muitos e bons convidados.

Cumprimentos do Proprietário.

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Royal Cafe Convida: João e a Sombra

Maio 15, 2009 · Deixe um Comentário

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“João e a Sombra são um conjunto de canções melancólicas e soturnas, cantadas em português, onde se cruzam referências do cancioneiro português com influências modernas e mais alternativas.”, in Myspace

Para nós, é uma honra recebê-los no Royal Cafe.

2009 tem sido um ano muito interessante no panorama musical português e João e a Sombra são, sem dúvida, uma das melhores surpresas e promessas nacionais. Liderados por João Tempera, Francisco Santos, João Tubal, Rui Berton e Pedro Tempera completam este interessantíssimo projecto proveniente de Almada. O seu EP homónimo de estreia já está nas lojas e vale bem a pena a compra.

Irresistivelmente viciado nos seus temas desde que os conheci, é com uma enorme satisfação que apresento o vídeo do tema “Dia Não” em exclusivo e primeira mão, aqui, no Royal Cafe.

João e a Sombra – “Dia Não”

Aproveitámos a visita para também colocar algumas questões ao mentor do projecto, João Tempera.

Como se formaram os “João e a Sombra”?

Eu tinha uma série de canções que andava a compôr à guitarra há dois ou três anos e desafiei uns amigos músicos (Francisco Santos, João Tubal, Rui Berton, Ricardo Barreto e mais recentemente o meu irmão, Pedro Tempera), alguns dos quais com quem já tinha tocado noutros tempos com outras bandas, para fazer um projecto em torno dessas canções. Começámos a ensaiar, a exprimentar arranjos e a descobrir instrumentos novos e gravámo-las no nosso local de ensaios o ano passado. Entusiasmá-mo-nos com o resultado e acabámos mandando masterizar o disco no Abbey Road, e fizemos uma edição de autor. E, um pouco ao contrário do percurso normal de uma banda, só depois é que começámos a dar os primeiros concertos de João e a Sombra

Descrevam a vossa música numa frase.

Canções acústicas melancólicas, cantadas em português e com coisas para dizer.

Consideram-se frutos do movimento indie?

O indie enquanto definição de uma sonoridade, é demasiado vago. E só por ser tão generalista é que cabem nessas estantes coisas tão diversas musicalmente. É uma combinação de influências e de estilos muito alargada e dificil de catalogar. Há indies feitos com máquinas e totalmente sintéticos e há indies feitos com uma harpa ou com uma guitarra e um bombo. A música indie é sobretudo uma atitude artistica, que ganhou o nome mais por oposição estética ao sistema mainstream da Pop, do qual se proclama independente, do que pela sua própria sintese. Neste aspecto, somos claramente indies, quase indigentes, por não estarmos de feição com a maré nem a fazer cultura popular ou comercial. Orgulhosamente! E malogradamente!

Quais as vossas principais influências?

Há dois universos de influências na composição dos nossos temas: O literário, porque é um aspecto que eu não remeto para segundo plano quando escrevo uma canção; e a música que ouvimos e de que gostamos. No literário há todo um imaginário mais desencantado que se deve muito às minhas leituras da adolescência: os poetas românticos e malditos, mas também os existencialistas, o Desassossego e outros Pessoas, etc, e também dos livros que vou lendo hoje.  Autores que me inspiram muito mais para escrever sobre estados de espirito e sobre as questões que me ponho no meu confronto comigo “próprio” e com o mundo, do que para a narração de estórias de amor, por exemplo, ou para cantar o campo ou as cidades. E depois, claro, o universo de referências musicais, que é mais variado e eclético, e cheio das influências de cada um dos elementos da banda. Sempre ouvimos coisas muito variadas, e cada qual tem os seus preferidos. Procuramos cada vez mais alargar os nossos horizontes como consumidores de música: mantermo-nos informados do que vai saindo, procurar no passado, emprestar discos uns aos outros, pesquisar, ver dvds, ir lendo umas revistas do assunto, etc. E isso reflecte-se na música que fazemos. Seria demasiado extenso para enumerar, mas houve alguns nomes de que fomos falando com mais frequência enquanto gravávamos, e que são figuras da World Music, da MPB, do Rock, da POP, da Folk, do Fado, da Indie… Ultimamente, determinados aspectos da música clássica também nos têm feito repensar algumas coisas da nossa.

Reconheço traços folk na vossa música. Não os habituais traços norte-americanos que têm generalizado o movimento indie/folk, mas sim registos do cancioneiro popular português. Contudo, imaginando que falaria sobre vocês a um amigo, inevitavelmente teria que descrever o vosso som como uma espécie de Fleet Foxes portugueses. Seria astúcia ou um erro?

Astúcia, talvez. Os Fleet Foxes pegam nessas referências antigas e populares da música americana e trazem-nas para a actualidade, depois de terem descoberto e ouvido mil outras coisas. Nesse aspecto, os cantautores portugueses, sobretudo a geração de Abril, são nomes incontornáveis para quem faz, como nós, música cantada na nossa língua e com forte pendor acústico. Em termos cronológicos, isso e um pouco de fado, são o mais longe que conseguimos ir com o minimo de conhecimento. Há todo um cancioneiro popular português para além disto, que não tem nenhuma influência consciente na nossa música. Depois, há nos F. Foxes, em termos formais, um cuidado com as questões relacionadas com as harmonias de vozes que também é uma coisa que gostamos, e que aliás é um dos grandes trunfos do Zé Mário, por exemplo; o uso de alguns instrumentos tradicionais fora do contexto popular ou folcolórico; uma certa qualidade/fragilidade timbrica; qualquer coisa de low-fi, que em nós não chegou a ser premeditado,… talvez,… tudo isso!… Nunca tinhamos relacionado, mas se o sentiste é porque também pode ser, e visto assim não me parece nada errado.

Que podemos esperar de vocês para 2009?

Estamos a ensaiar bastante e a trabalhar temas novos com a ideia de vir a incluí-los nos concertos e num próximo disco aínda sem datas previstas. O resto se verá!

O que acham do actual panorama da música portuguesa?

Depende dos gostos! Há um ressurgimento da música cantada em português e isso pode vir a ser muito bom quando a malta começar a ter coisas mais interessantes para dizer. De resto, e para já, estou com bastantes expectativas em relação ao novo disco do Rodrigo Leão e acho que o JP Simões está a dar concertos muito muito bons e é uma figura muito especial no panorama.

Que concertos não vão perder de certeza neste verão?

Nunca fui muito festivaleiro. Prefiro os concertos de Inverno na Aula Magna, no Maxime, no Santiago Alquimista, no Music Box e até mesmo os no Coliseu.

Que conselhos dariam a uns jovens pretendentes a músicos?

Eu não tenho autoridade nenhuma para dar conselhos a quem quer que seja nesta área (ainda agora cheguei – se é que já cá estou! – e tomara eu saber fazer para mim) , mas já agora… e mais pela piada… posso só sugerir que não se deixem levar por modas, a menos que precisem de viver disto!

O Royal Cafe agradece a visita. Foi um prazer contar convosco. Antecipo um futuro muito risonho ao projecto.

Voltem sempre!

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Chicken Ala Carte

Maio 8, 2009 · Deixe um Comentário

Chicken ala Carte, um filme de Ferdinand Dimabura.
Um momento para reflexão.

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Festival de Verão

Abril 27, 2009 · 2 Comentários

Acho que já escolhi o meu para este ano…

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Deliciosa Salomé

Abril 26, 2009 · Deixe um Comentário

A banda portuguesa sensação de 2008 – Os Pontos Negros – vai apresentar a reedição do seu bem sucedido álbum de estreia, “Magnífico Material Inútil”, no próximo dia 7, na Fnac do Chiado.

O álbum que conquistou milhares de adeptos por este país fora será acompanhado por vídeos de duas actuações da banda e de um inédito de Tiago Guillul, intitulado “Dentes de Lobo”. Será, também, acompanhado por um single novo, de seu nome “Salomé”.

Podem ver aqui o seu vídeo, realizado por Tiago Pereira:

Simpatizei com Os Pontos Negros desde que os conheci.

Contudo, após escutar “Salomé”, fiquei com mais vontade de comprar o novo single do que perante todos os seus anteriores temas. Isto é, vale a pena pôr as mãos na reedição, nem que seja só para ouvir “Salomé” em modo repeat. Magnífico Material Inútil foi interessante. Mas “Salomé” vai mais longe. Sobe um degrau. Ou dois ou três.

E convenceu-me de imediato.

Bom sinal de futuro d’Os Pontos Negros.

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O Post Que Descobre Um Trocadilho Entre Abril e Baril

Abril 25, 2009 · Deixe um Comentário

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(imagem de Henrique Matos)

Abril, Abril. Dia 25. Zero Nove.

Sinto uma estranha necessidade de escrever algo neste dia. Previsivelmente.

Sinto, também, a obrigação de celebrar este trigésimo quinto aniversário dizendo aquilo que me apetecer. Livremente.

Mas, acima de tudo, sinto uma enorme incapacidade de me expressar devidamente, tendo em conta a importância da histórica data e a minha parca experiência de todo o movimento que antecedeu a parada dos cravos.

Vivo, hoje, sob um delicioso fascínio de duas épocas distintas: Adorava ter testemunhado parte dos períodos monárquicos que enaltecem a amada história portuguesa – Assim de relance, era capaz de me imaginar sob cavalos, de espada em riste, soltando um corajoso grito patriótico, ou até a sudoeste, debatendo a estratégia além-mares com o nosso querido Infante, em busca de novos horizontes. No fundo, no fundo, sou apenas um turista com picos de imaginação. E demasiado ‘caguinchas’ até para montar a cavalo.

Contudo sinto-me muito mais perto de outro período, que igualmente me fascina. Os idos sessenta, a geração beat, a vontade de mudar, de assumir, de libertar. Movimentos estudantis, culturais, sociais. Inconformismo. Em Portugal, o espaço que antecedeu ‘74. Considero essa geração os heróis dos nossos dias. Foi uma luta diferente. A conquista do bom senso. A vitória dos nossos direitos. ‘Somos humanos ou somos dançarinos’, já diria o outro (creio que é a 2ª vez que parafraseio “os assassinos“  aqui no café).

Quero com isto dizer que, apesar de não me sentir à vontade para elaborar qualquer tipo de crónica referente à conquista dos cravos, dado não ter sentido nunca as alterações derivadas (eu nasci em ‘85), sinto que não devo deixar passar a data em vão, sem soltar um ‘viva!’ que seja. Quanto muito seja porque sou autor de um blog. E não consigo imaginar um blog em regime de censura. Aliás, questiono-me, será possível a existência de uma ditadura num país fortemente adaptado ao uso de internet?

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(mais uma imagem de Henrique Matos)

Seja como for, eu acho que hoje, dia 25 de Abril de ‘09, nós, portugueses, devemos celebrar fortemente. Olhando para o nosso umbigo e perceber a nossa identidade. Com o devido orgulho. Porque há 35 anos efectuámos uma revolução onde imperou totalmente o Bom Senso. Soubemos alterar o cenário com compreensão total e mútua (ou pelo menos quase). Soubemos ter a liberdade de dar um passo em frente. Soubemos gostar de nós enquanto pátria, enquanto cidadãos e, acima de tudo, enquanto humanos. Não desrespeitámos o direito à vida, armados com cravos. E isso, esse episódio, essa diferença, essa vitória, digo-vos, foi absolutamente louvável e única.

Posto isto e porque é dia de nos sentirmos bem portugueses, reflectindo sobre aquilo que faz de nós um povo único e tão especial, sinto-me, sim, na obrigação de partilhar produtos nacionais. Ou pelo menos alertar para eles. Porque merecem a devida atenção. E porque, perante eles, sinto orgulho em ser português. Tal como um puto ‘tuga perante o histórico dia de ‘74.

E assim, hoje, vinte-cinco do quatro de zero nove, recomendo:

- O mega-projecto de Nuno Gonçalves, Fernando Ribeiro, Sónia Tavares e Paulo Praça – “Amália Hoje” – que apaixonadamente revisita alguns temas do legado de Amália Rodrigues, actualizando-os numa modernidade denotadamente POP. Os arranjos de Nuno são fantásticos, a voz de Sónia inconfundível como sempre e o facto de observar o vocalista de Moonspell a cantar bossanova denuncia uma certa aura que não consigo explicar. Deixo-vos o vídeo do primeiro single “Gaivota”:

O vídeo está igualmente muito interessante. Mais ainda se torna quando visto neste dia emblemático de Abril (descobri agora, acidentalmente, que a palavra Abril pode rapidamente tornar-se num trocadilho – “Baril” – conquistas de uma dislexia manual temporária). Para os mais interessados, podem ver um making of do álbum aqui.

O álbum chega às lojas no dia 27 de Abril (2ª feira).

- O projecto de Bernardo Fachada (B Fachada) dá à luz no próximo dia 30 o seu primeiro longa-duração – “Um fim de semana no pónei dourado” – e, pelas músicas disponíveis no seu myspace antevejo um álbum muito interessante. Eu já sigo a música de Bernardo desde os seus experimentais Ep’s caseiros e reconheço o grande passo em frente dado nestes novos temas. Ele é, muito provavelmente, o mais interessante cantautor nacional desta nova geração. Aguardo, assim, ansiosamente pelo álbum.

- Sean Riley & The Slowriders também têm um álbum novo. E o seu primeiro single avançado, “Houses and Wives”, estreou ontem no programa da Antena 3 “A Primeira Vez”. Eu não consegui ouvir, infelizmente, mas espero fazê-lo o mais breve possível. O seu álbum de estreia “Farewell” agradou-me bastante e fez-me companhia ao longo de todo o ano transacto. Vão estando atentos ao myspace deles, que o single deve estar a aparecer.

- No cinema, uma palavra para a estreia em solo nacional, mais concretamente no INDIE LISBOA ‘09, do novo filme de Ivo Ferreira – “Águas Mil”. Trata-se de um road movie português em torno da histórica data de ‘74. A sinopse entusiasma. O trailer também. Espero vê-lo em breve.

E assim se passa mais um aniversário.

Parabéns portugueses.

Parabéns Portugal.

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Pitchfork Apresenta: Kevin Drew, Realizador

Abril 10, 2009 · 1 Comentário

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Kevin Drew, um dos fundadores do conjunto canadiano Broken Social Scene, realizou uma curta-metragem com Leslie Feist, Cillian Murphy e David Fox, intitulada “The Water” (em jeito de videoclip extenso sobre o tema homónimo de Feist).

A própria Feist descreve-a como uma espécie de conceito “Thriller” (ícónico videoclip do tema de Michael Jackson), embora sem dança zombie.

Produzida pela Revolver Films, esta curta-metragem de 15 minutos foi disponibilizada pela Pitchfork, numa apresentação especial, bem como uma entrevista com Leslie Feist e Kevin Drew, referente ao filme.

Eu gostei do que vi. Conto de fadas quase sem diálogos, com um suspense atmosférico a la Sergio Leone e, claro, uma música fantástica a embalar a emoção final. Fico com vontade de ver futuros trabalhos de Kevin Drew que aqui, em 15 minutos, demonstrou uma sensibilidade cinematográfica invulgar. E muito prometedora.

Podem ver a curta aqui.

E a entrevista aqui.

Mais uma excelente iniciativa da Pitchfork e, obviamente, dos seus autores. Parabéns de novo!

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