Crónica do Proprietário

O processo criativo fascina-me.

Gosto particularmente de quando as ideias ocorrem sem nada o fazer prever.

Ando há algum tempo a tentar escrever uma história sobre relações humanas, interacção entre diferentes culturas e a conquista do sonho, sempre com a música como fio condutor. Ideias havia, embora todas muito soltas e sem a “vida” que se pretendia.

Cheguei a “ilustrar-me” numa crise criativa. Desde sempre soube o que queria fazer, o tipo de carga emocional que pretendia dar à história, mas não conseguia idealizá-la como um todo. Como se estivesse a fazer um desenho. Sabia o que queria desenhar, que cores iria utilizar, mas, por muito que quisesse, não conseguia desenhar uma forma geométrica que fosse. E nunca fui grande fã do abstracto.

Tal bloqueio começou a ganhar dimensões indesejadas, ao ponto de pôr em causa a escrita de uma crónica para esta semana. Deixei-me contagiar pela preguiça, talvez o elemento perigosamente mais adverso à criatividade.

Porém, o ser humano é algo excepcional. No seu todo.

E se hoje me deixei vencer pela preguiça durante quase todo o dia, afogando-me no tédio que o céu cinzento espalha com singular mestria, também encontrei a “luz” necessária para desenvolver algo que me ocupará bastante por um futuro próximo.

Factores externos houve vários. Desde um “brainstorming” com as pessoas mais próximas, à escuta atenta de vários temas musicais com a carga emotiva que se pretende empregar à história, ao visionamento de imagens que influenciem a mesma, etc. Contudo, foi em mim que encontrei a chama necessária. Escutando o meu coração.

A expressão parece absurda e, talvez, fantochada. Mas a verdade é que foi em mim que encontrei o que era preciso para desenvolver a história. Na minha maneira de ser, nos meus gostos e, acima de tudo, na minha imaginação. E escrever uma ficção parte daí. Emprestando a nossa maneira de ser a cada um dos personagens, a cada uma das situações, vibrando com um diálogo, chorando com uma perda, apaixonando-nos por um sorriso. Tudo ficção. Mas tudo um pouco de nós.

E o meu processo criativo começa dessa minha desmultiplicação. Pela história. Pelo todo.

Tem o seu quê de individualização. Admito. Mas fascina-me essa possibilidade de viajar a um mundo ficcional. E se até então as minhas ideias careciam de um todo, foi após imaginar-me vivendo todas as situações idealizadas para os personagens, que comecei a sentir quais as necessidades narrativas e emotivas para cada qual. Foi a partir daí que lhes gerei um passado, um presente e um futuro. A história que pretendia contar. Um molde. Concreto.

E fascina-me essa génese de criatividade. Como a fazer música. E como procuramos ser os mais fiéis possível a nós próprios. Escutando as nossas ideias. Ignorando a preguiça.
E, satisfeito, enterrei essa “pseudo-crise” que ameaçou esta crónica.

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