Royal Cafe Convida: Madame Godard

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O Royal Cafe tem o prazer de convidar uma das bandas mais talentosas do nosso país.

Juvenal Vieira, Pedro Amaro, Paulo Oliveira, Paulo Gonçalves e José Ribeiro constituem a formação de um dos projectos musicais mais singulares (e mais interessantes) de Portugal.

Após conquistarem o segundo lugar no Termómetro Unplugged, uma memorável actuação no Festival Paredes de Coura (foram considerados a melhor actuação portuguesa no respectivo festival, a par dos The Gift) e reunirem uma legião de admiradores considerável, os Madame Godard vão, finalmente, editar um álbum neste início de 2008. Para mim, será já um dos grandes momentos musicais do ano que agora se inicia.

Não percam tempo e visitem o seu Myspace. O contágio será imediato. Enquanto não chega às lojas o aguardado álbum de estreia, é com prazer que vos apresento:

Madame Godard!

Royal Café: Descrevam a vossa música numa frase.
Madame Godard:
A música não se descreve… ouve-se.

R.C.: Como se formaram os Madame Godard?
M.G.: É uma história demasiado comprida e demasiado chata. Tem todos os ingredientes de um belo filme de domingo de Páscoa.

R.C.: O segundo lugar no Termómetro Unplugged abriu-vos algumas portas? E influenciou-vos de alguma forma na vossa postura perante a música?
M.G.:
Foi um ano de ouro para o termómetro. A final decorreu num coliseu cheio de gente e com transmissão na Rádio Comercial, numa altura em que ainda não havia muitos festivais. A exposiçao foi grande, nomeadamente ao nivel da crítica e do meio musical. Consequentemente houve horizontes que se abriram e oportunidades que surgiram. O 2º lugar e o prémio do público foi uma boa desculpa para começarmos a justificar aos nossos pais e namoradas o porquê de tantas horas a ensaiar.

R.C.: A vossa actuação no Paredes de Coura deixou marcas nos espectadores presentes. A ideia de se fazerem acompanhar por membros de uma orquestra é para continuar?
M.G.:
Sim, mas só pontualmente. Trabalhar com uma orquestra requer muita disponibilidade e, na maior parte dos casos, orçamento. Imaginamos que os The Gift tenham tido uma tarefa Hercúlea em conseguir tocar durante anos com orquestra. Há que felicitá-los, a eles e aos membros da orquestra.

R.C.: A par dos The Gift foram considerados como a melhor actuação de banda portuguesa nessa edição do Paredes de Coura? Isso deu-vos uma motivação extra para levarem este projecto avante?
M.G.:
É sempre bom saber que o nosso trabalho está a ser reconhecido. Nós tivemos a oportunidade de tocar em Paredes de Coura numa altura em que não tinhamos disco e pouca gente conhecia o nosso projecto. De um momento para o outro, estavamos a partilhar o palco com os dEUS, Lamb The Gift, Etc… Saber que as pessoas que nos ouviram pela primeira vez gostaram é sempre positivo. Estar no Top 5 das actuações dessa edição foi fantástico. Uma das maiores alegrias que resultou desse concerto foi vermos a crítica do Nuno Galopim no Diário de Noticias onde tivemos honras de título e foto na página reservada ao festival.

R.C.: Qual a actuação que mais gostaram de ter dado até hoje?
M.G.:
A final do Termómetro Unplugged, por ter sido o nosso primeiro grande concerto e definitivamente o Festival de Paredes de Coura.. Tocamos em Coura, ainda que em palcos diferentes, duas vezes e em anos consecutivos .. É um local especial para nós. Os organizadores acreditaram no nosso projecto quando éramos praticamente desconhecidos. Foi uma grande montra.

R.C.: E qual o festival que “dariam tudo” para actuar?
M.G.: Nenhuma preferência especial.. Queremos tocar o mais possível. É claro que seria óptimo actuar em qualquer um dos grandes festivais.

R.C.: Acham que nos dias de hoje há uma necessidade de recuperar hábitos remotos? Não só na música, mas no próprio quotidiano?
M.G.: Depende… há certos hábitos que merecem estar esquecidos.

R.C.: Acham que o progresso tecnológico pode ser ameaçador? Em que aspectos?
M.G.:
O uso que se faz da tecnologia é que se pode tornar ameaçador… nunca o progresso em si. O progresso é apenas uma consequência natural da insatisfação humana.

R.C.: Quais as vossas maiores influências?
M.G.: É difícil nomear uma grande influência que se distinga. Somos cinco elementos, que têm uma vivência musical muito variada. Há músicos que já tocaram Punk, Heavy-metal, Música clássica.. Alguns de nós têm projectos paralelos.. O Pedro faz parte do Circolando (Teatro de rua) e Madandza (Danças Africanas), o Zé toca, também, com os Semente (Percussão), o Juvenal é DJ ocasionalmente ( Funk 70..s/80..s).. Há uma grande diversidade e isso acaba por se reflectir na nossa música, processo criativo, imagem, etc..

R.C.: E com que artista gostariam de colaborar?
M.G.:
Bem, é uma pergunta complicada.. Se fossemos responder literalmente, a lista seria infindável mas muito resumidinho seria assim.. No mundo dos mortos, provavelmente, o Gainsbourg ou Joe Strummer.. no mundo dos sonhos, Tom Waits.. no mundo real, talvez o Paulo Furtado. O Strummer e o Furtado podem parecer um pouco deslocados do nosso universo mas são esses extremos que gostamos de experimentar.. Em tempos, fizemos uma versão do “love will tear us appart” com violino e trompete. Foi um desafio particularmente interessante. Esperamos que o Ian Curtis não tenha dado voltas na tumba..

R.C.: O vosso projecto é singular na música portuguesa. O facto de cruzarem diversos estilos e influências torna-vos uma banda muito eclética. Foi sempre um dos vossos objectivos?
M.G.: Não diria singular mas…nós nunca premeditamos a diferença. A nossa música é aquilo que expira da sala de ensaios. Tocamos uns acordes, se algo nos agradar ou inspirar, trabalhamos a partir daí. A música tem vida própria, vais acrescentando pormenores e instrumentos, ela ou os rejeita ou não. Depois há os momentos.. Há dias em que estamos “sintonizados” numa frequência e outros que nem rádio temos.. Está tudo na inspiração do momento. Claro, que não há inspirações divinas.. tudo é derivado daquilo que te rodeia.. O Filme que viste, a conversa que tiveste, a música que ouviste.. hoje, ontem ou há uns meses.. Nada se cria, tudo se transforma.

R.C.: Acham que se não tivessem interrompido o projecto durante estes últimos anos, que hoje seriam uma das principais bandas portuguesas?
M.G.: Havia muitas bandas da nossa geração com grande qualidade que não conseguiram vingar. Gostamos de acreditar que, com um pouco de sorte, poderiamos ter chegado mais longe mas daí a ser uma das principais bandas nacionais vai um longo caminho.. éramos muito verdinhos..

R.C.: Digo isto, porque acho que a vossa música tem muito potencial de exportação. Paralelamente, acho que será muito bem aceite por público e crítica portuguesa. É esse um dos vossos objectivos?
M.G.: Parece-nos muito simpático da tua parte.. O nosso objectivo maior é, neste momento, concretizar o disco. Colocar um ponto final e fechar este ciclo. Vê-lo nas estantes das lojas, reais ou virtuais, vai-nos dar uma enorme satisfação. É o nosso sonho e, a menos que aconteça uma catástrofe, esse ciclo será fechado muito brevemente. Em relação à aceitação do disco por parte do público e critica, evidentemente que gostávamos que fosse bem recebido.

R.C.: Referem que vão editar o vosso álbum de estreia no início de 2008, sob a produção de Paulo Miranda. Falem-nos um pouco sobre esse álbum, que aguardamos ansiosamente.
M.G.:
Se tudo correr bem, o álbum estará pronto até ao final do ano. Podemos vir a ter algumas surpresas no que toca a participações especiais, tanto a nível de interpretação como de produção. Vai ser um disco à imagem daquilo que temos feito ultimamente. Mais colorido do que na nossa fase inicial e sem scripts estabelecidos. As músicas disponíveis no myspace parecem-nos reveladoras daquilo que será o resultado final.

R.C.: Consideram-se parte de algum movimento musical contemporâneo?
M.G.: Talvez de uma geração que começou a olhar para os nossos artistas de uma forma diferente. Os Portugueses hoje acreditam mais nos projectos nacionais. Muito se deve às comunidades virtuais e às rádios, mas mais importante ainda é haver muitas bandas de qualidade que não devem nada ao que de melhor se faz lá fora. Hoje podemos ver os BSS a brilhar em Inglaterra, o Tigerman e os Wraygunn em França, os The Gift e X-wife em Espanha, os Terrakota aqui e ali, os Moonspell em todo o lado.. Também de uma geração que viu os Silence 4 e os The Gift, entre outros, a cantar em inglês, ter airplay, tocar em todo lado e vender discos. Isto sim, é um Portugal moderno.

R.C.: Quais as vossas perspectivas de futuro?
M.G.:
Se depender de nós, tocar tocar tocar…

R.C.: O que acham do conceito do Royal Cafe?
M.G.: Neste caso o progresso tecnológico funcionou… É sempre bom ter cultura e bons conteúdos à distancia de um click. Ficamos a aguardar o cafézinho via web…

R.C.: Querem deixar alguma mensagem aos jovens aspirantes a músicos?
M.G.: Se acreditam no vosso som, não se deixem levar por ondas e marés.. Toquem o que vos sai da alma.. o que mexe com os vossos sentidos. Afinal a música é uma extensão daquilo que nós somos e vivemos. Desfrutem do momento. Isso, parece-nos o mais importante.

“A música é o tipo de arte mais perfeita: nunca revela o seu último segredo” Oscar Wilde

Myspace

Website

O Royal Cafe agradece a sua presença. Foi uma honra.

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One thought on “Royal Cafe Convida: Madame Godard

  1. Vi-os em Portalegre, confesso que não levava qualquer expectativa , talvez por isso a surpresa.
    Adorei a cover de Clash!

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