Irresistível “Juno”

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Jason Reitman, jovem realizador canadiano que ficou conhecido, inevitavelmente, por ser filho do também realizador Ivan Reitman (realizador de filmes como “Ghostbusters” ou  “Gémeos” – quem não se lembra de Schwarzenneger e Danny De Vito como os gémeos mais improváveis de sempre?), quase que surpreendeu todo o mundo com a sua segunda longa-metragem, o belíssimo e irresistível “Juno”.  Note-se que digo quase, porque só surpreendeu mesmo quem ainda não conhece a sua longa-metragem de estreia, “Thank You For Smoking” (2005). Porque “Juno” é, acima de tudo, uma confirmação. De talento.

Jason Reitman, de 30 anos, aparenta ser uma pessoa simples, interessada por temáticas complexas. E, se na sua longa de estreia se debateu sobre a problemática do tabaco e de toda a ambígua moralidade correspondente, em “Juno” o ponto de partida é a gravidez precoce e indesejada. Ambas as questões se predispõem a distintos pontos de vista e dão azo a choque de opiniões. E como é que Jason Reitman se debate perante tal complexidade? Simplificando.

O cinema de Jason Reitman é, acima de tudo, um cinema de personagens e de relações humanas. Personagens simples que operam sob um pano de fundo complexo. Renegando todo um pretensiosimo inerente ao mesmo. E é aí que reside a riqueza dos seus filmes, na forma como os seus personagens deixam toda a problemática, todas as questões pernitentes, para segundo plano. Porque todo o nosso quotidiano é preenchido por temáticas, situações demasiado complexas para se  conseguir estabelecer uma universalidade. É difícil encontrar uma moralidade predominante. E Reitman foge desse objectivo. Nos seus filmes não lhe interessa definir essa universalidade. Não separa o correcto do errado, se é que a uma escala global o será possível fazer.

A Reitman interessa, sim, contar histórias. Histórias simples. De personagens simples. Em situações complexas.

Como a de Nick Naylor (Aaron Eckhart) em “Thank You For Smoking” e a de Juno (Ellen Page), em “Juno”. Magistralmente, em ambos os casos.

Porque a essência de ambos os filmes é a beleza dos seus personagens. Tão singulares e tão comuns ao mesmo tempo. Igualmente fictícios. Igualmente genuínos.

Mas se a história de Nick Naylor, relações públicas de uma das maiores tabaqueiras norte-americanas e pai solteiro, que busca incessantemente servir de exemplo ao seu filho de 12 anos, nos apanhou de surpresa pela sua singularidade, graça e disfuncionalidade, Juno conquista-nos pela sua dimensão. Não que o filme seja ambicioso. Mas sim tremendamente humano, grandiosamente belo. Do início ao fim. Contém, também, essa disfuncionalidade de que falo. Em todo o ambiente, em todas as personagens, em todos os diálogos. Mas, “Juno” eleva-a a um estado de pureza singular, auferindo a todo o filme uma espécie de aura, uma realidade estranha e apaixonante, que nos cativam desde o seu primeiro plano.

Ellen Page assume-se como uma das mais talentosas actrizes da sua geração (e não só) e como o fio condutor de todo o filme. A integridade da sua personagem sintetiza todo o filme. Se adjectivarmos a personagem de Juno, as palavras que usarmos servem perfeitamente para definir o filme. “Juno” é terno, doce, querido, distante e próximo. E assim o é Juno, que engravida aos 16 anos, na sua primeira relação sexual e que nos cativa a acompanhá-la desde a sua primeira fala no filme. Como se fosse a nossa vizinha do lado. Que, ao engravidar, nos envolveria inevitavelmente.

Porque esta é a magia de “Juno”. Uma magia real, tão nossa, tão humana. E, por tão simples, grandiosa.

Sinto que estou a escrever muito e a dizer pouco do filme, mas no fundo é isso que pretendo. Porque é belo demais para descrever. É um filme que se sente e creio que foi esse o grande objectivo de Reitman – não exigir reflexão, mas sim paixão.

Nota para o excelente primeiro argumento da norte-americana Diablo Cody, disponível aqui, para os mais interessados. Percebe-se facilmente o porquê do interesse de Reitman em fazer o filme. Toda a beleza do argumento é irresistível. Bem como ficou o filme.

Trailer

 

Website 

Juno’s Soundtrack (simples e fabulosa, como o filme)

Deixo aqui também mais algumas curiosidades, que serão certamente muito interessantes para o pós-visionamento do filme:

Curta-metragem de Jason Reitman, “In God We Trust” (2004) 

Myspace de Jason Reitman

Myspace de Diablo Cody

Cartoons relativos ao filme

Vídeos promocionais relativos ao filme

O Royal Cafe recomenda. E vocês?

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2 thoughts on “Irresistível “Juno”

  1. gostei muito do filme.. é definitivamente o “Little Miss Sunshine” deste ano ^^

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