Royal Cafe Convida: Norton

Norton é uma das mais simpáticas bandas portuguesas. Como os próprios afirmam: “fazem música para o Mundo ouvir”. E o Mundo escuta.

Naturais de Castelo Branco e seguidores de uma corrente em expansão a nível global, os Norton impuseram-se como uma das bandas pioneiras do fenómeno indie em Portugal. Fortemente influenciados pela Britpop/Twee Pop/Indietronic que emergia um pouco por todo o mundo, com a edição do Ep “Make Me Sound”, em 2003, os Norton afirmaram-se como o mais claro exemplo de Indie-Rock em solo nacional. Sem pretensões de maior, apresentavam-se como o projecto português mais fiel a essa corrente crescente no mercado musical global, numa geração que dava “luz” a novas bandas como The Gift e Loto (estes últimos, mais fiéis ao fenómeno new-wave/electrónica que paralelamente emergia) e foram conquistando o seu espaço no panorama musical nacional.

O seu primeiro álbum, “Pictures From Our Thoughts “, fê-los correr Portugal de Norte a Sul, conquistando inúmeros fãs a cada actuação. Junto da comunidade Indie-Rocker portuguesa, eram vistos como o mais exemplar projecto Indie, dessa nova vaga de bandas portuguesas, e vingaram num percurso mais alternativo/conceptual de eventos em Portugal e além-fronteiras.

Após editar o seu terceiro álbum, “Kersche” (com edições em Espanha e Japão), os Norton estão cada vez mais consolidados junto desse Mundo para quem a sua música se destina. Antes de actuarem no Festival ContemPOPranea 2008, em Albuquerque, Espanha, nos próximos dias 25 e 26 de Julho – festival dedicado à cena indie actual – os Norton aceitaram fazer uma visita ao Royal Café para falar do seu novo álbum,  do indie e de outras diversas temáticas.

1.  Como se formaram os Norton?

Antes dos Norton tocávamos em outras bandas (Alien Picnic e Oscillating Fan)… partilhávamos sala de ensaios e na altura (Maio 2002) decidimos, um pouco à experiência, juntar as duas bandas para ver no que resultava. No final do ano já tínhamos o E.P. Make Me Sound gravado e pronto a editar.

 

2.  Como é que quatro rapazes de Castelo Branco chegam a editar um álbum no Japão?

Acho que tem a ver com dois factores, primeiro a qualidade da música e o A&R da editora ter gostado do que ouviu, depois porque vivemos na era da internet. Se não houvesse internet era quase certo que isso não teria acontecido, pois posso dizer-te que foi tudo feito pela internet, eles descobriram-nos e dai até à edição foram poucos meses.

 

3.  O que é que o público pode encontrar em “Kersche”, o vosso último álbum?

Pode encontrar um disco com varias ambiências, da electrónica calminha, ao rock, passando pela pop. Tem de tudo um pouco. Foi um disco feito de uma maneira muito cirúrgica, cheio de pormenores que se vão descobrindo a cada audição. Mas o melhor é ouvirem!

 

4.  Acham que se tivessem iniciado o vosso projecto em Lisboa, as coisas seriam diferentes?

Diferentes seriam concerteza, agora se seriam melhores ou piores não sei! Ser de Castelo Branco tem as suas vantagens e desvantagens assim como ser de Lisboa…

Sendo de Lisboa talvez teria sido mais fácil para nós arranjar uma editora, uma agência… é lá que está tudo, quando há reuniões, entrevistas… temos de nos deslocar a Lisboa, e nem sempre é fácil. Mas ser de Castelo Branco tem várias vantagens, a facilidade de termos a nossa sala de ensaios, o estarmos mais perto de Espanha é sem duvida uma mais valia, a nível de viagem para nós é quase igual ir a Madrid ou ir ao Porto.

 

5.  Sentiram-se pioneiros de um estilo musical, em Portugal?

Pioneiros não digo, mas se reparares bem somos das únicas bandas em Portugal a fazer este estilo de musica, se não formos mesmo os únicos! Tens muitas bandas rock, muitas bandas dance, pop… mas alguém a misturar a electrónica com o indie de guitarras e teclados vintage tens pouco ou nenhum. Pelo menos não estou a ver ninguém.

 

6.  Quando formaram o grupo, definiram-se desde logo um produto do movimento Indie que emergia um pouco por todo o mundo?

Sim, há muitas bandas em todo o Mundo com sonoridade parecida com a nossa e com as quais nos identificamos. Apesar de hoje em dia para a imprensa e para as pessoas tudo é indie, desde que seja novo é indie!

 

7.  Quais as vossas principais influências?

A nível musical a variedade é imensa, dos Pavement aos Bloc Party, dos Notwist aos Killers, dos Hot Chip aos Death Cab For Cutie. Mas cada vez menos somos influenciados pela musica que ouvimos…

 

8.  Com que artista ou banda mais gostariam de colaborar?

Essa pergunta não é fácil… há imensos! O Ben Gibbard dos Death Cab For Cutie seria um deles, o Brandon Flowers dos Killers, os Sigur Rós… até mesmo a Lovefoxxx dos Css.

 

9.  Consideram que o conceito Indie atingiu neste momento o seu expoente máximo, globalmente falando? E em Portugal? Existe uma corrente indie portuguesa?

Como disse anteriormente hoje em dia tudo o que seja novidade é Indie para a imprensa… O verdadeiro indie para nós são os Yo La Tengo, os Pavement, os Sonic Youth, Built To Spill…

Em Portugal não creio que exista uma corrente Indie neste momento, existiu na altura da Bee Keeper e da Lowfly Records. Agora a mistura é muito grande para se chamar simplesmente de Indie!

 

10.              O que esperam do Festival ContemPOPranea?

Já é o segundo ano que tocamos lá, pois estivemos lá no 10º aniversário em 2005. É um Mundo á parte, é um Mundo Indie Pop completo. O que esperamos? Esperamos lotação esgotada como tem tido nos últimos dois anos e um publico interessado e conhecedor…

 

11.              Deveria haver eventos do género em Portugal? Já temos público para que isso aconteça?

Deveria claro! Mas aquele festival em Portugal não teria mais de 200 / 300 pessoas se tanto, em Espanha tem lotação esgotada e já estão a pensar mudar o local para um maior, tal é a procura.

Mas acho que teria de ser começar por algum lado… nos primeiros anos o ContemPOPranea também era pequeno. Aquilo que perguntavas à pouco sobre se havia movimento indie em Portugal, pois em Espanha tens! E basta ires ao ContemPOPranea para veres isso, não é só a musica, tens as lojas de roupa, as pessoas… e tudo o que há à volta!

É incrível como tocamos num dos maiores festivais de Espanha pela segunda vez e em Portugal não fazemos nenhum festival, depois dizem que não há lobbys…

 

12.              Qual a banda do line-up desse festival que mais anseiam por ver?

Obviamente os Teenage Fanclub, vai ser uma honra partilhar palco com eles. São uma espécie de ídolos de adolescência, estamos ansiosos por ver o concerto deles.

 

13.              Como está o panorama musical actual, no nosso país?

Há cada vez mais bandas e melhor música e isso é bom! Obvio que também há por ai muita coisa má, mas isso é como em todo o lado.

 

14.              E o futuro dos Norton?

A curto prazo é tocar ao vivo o máximo possível, estamos a marcar nova Tour para Espanha para depois do Verão e depois é começar a compor para o novo disco…

 

15.              E o que acham do conceito do blog Royal Café?

O conceito é óptimo, é bom ver que cada vez há mais blogs e websites a falar de musica portuguesa e a apoiar as bandas. Visto que cada vez temos menos publicações musicais, pelo menos na internet a coisa vai melhorando.

Força com isso!

Myspace

O Royal Cafe agradece. Voltem sempre!

 

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One thought on “Royal Cafe Convida: Norton

  1. Rui Silva diz:

    Uma banda muito interessante, que acompanho com bastante prazer.

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