Royal Cafe Convida: João e a Sombra

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“João e a Sombra são um conjunto de canções melancólicas e soturnas, cantadas em português, onde se cruzam referências do cancioneiro português com influências modernas e mais alternativas.”, in Myspace

Para nós, é uma honra recebê-los no Royal Cafe.

2009 tem sido um ano muito interessante no panorama musical português e João e a Sombra são, sem dúvida, uma das melhores surpresas e promessas nacionais. Liderados por João Tempera, Francisco Santos, João Tubal, Rui Berton e Pedro Tempera completam este interessantíssimo projecto proveniente de Almada. O seu EP homónimo de estreia já está nas lojas e vale bem a pena a compra.

Irresistivelmente viciado nos seus temas desde que os conheci, é com uma enorme satisfação que apresento o vídeo do tema “Dia Não” em exclusivo e primeira mão, aqui, no Royal Cafe.

João e a Sombra – “Dia Não”

Aproveitámos a visita para também colocar algumas questões ao mentor do projecto, João Tempera.

Como se formaram os “João e a Sombra”?

Eu tinha uma série de canções que andava a compôr à guitarra há dois ou três anos e desafiei uns amigos músicos (Francisco Santos, João Tubal, Rui Berton, Ricardo Barreto e mais recentemente o meu irmão, Pedro Tempera), alguns dos quais com quem já tinha tocado noutros tempos com outras bandas, para fazer um projecto em torno dessas canções. Começámos a ensaiar, a exprimentar arranjos e a descobrir instrumentos novos e gravámo-las no nosso local de ensaios o ano passado. Entusiasmá-mo-nos com o resultado e acabámos mandando masterizar o disco no Abbey Road, e fizemos uma edição de autor. E, um pouco ao contrário do percurso normal de uma banda, só depois é que começámos a dar os primeiros concertos de João e a Sombra

Descrevam a vossa música numa frase.

Canções acústicas melancólicas, cantadas em português e com coisas para dizer.

Consideram-se frutos do movimento indie?

O indie enquanto definição de uma sonoridade, é demasiado vago. E só por ser tão generalista é que cabem nessas estantes coisas tão diversas musicalmente. É uma combinação de influências e de estilos muito alargada e dificil de catalogar. Há indies feitos com máquinas e totalmente sintéticos e há indies feitos com uma harpa ou com uma guitarra e um bombo. A música indie é sobretudo uma atitude artistica, que ganhou o nome mais por oposição estética ao sistema mainstream da Pop, do qual se proclama independente, do que pela sua própria sintese. Neste aspecto, somos claramente indies, quase indigentes, por não estarmos de feição com a maré nem a fazer cultura popular ou comercial. Orgulhosamente! E malogradamente!

Quais as vossas principais influências?

Há dois universos de influências na composição dos nossos temas: O literário, porque é um aspecto que eu não remeto para segundo plano quando escrevo uma canção; e a música que ouvimos e de que gostamos. No literário há todo um imaginário mais desencantado que se deve muito às minhas leituras da adolescência: os poetas românticos e malditos, mas também os existencialistas, o Desassossego e outros Pessoas, etc, e também dos livros que vou lendo hoje.  Autores que me inspiram muito mais para escrever sobre estados de espirito e sobre as questões que me ponho no meu confronto comigo “próprio” e com o mundo, do que para a narração de estórias de amor, por exemplo, ou para cantar o campo ou as cidades. E depois, claro, o universo de referências musicais, que é mais variado e eclético, e cheio das influências de cada um dos elementos da banda. Sempre ouvimos coisas muito variadas, e cada qual tem os seus preferidos. Procuramos cada vez mais alargar os nossos horizontes como consumidores de música: mantermo-nos informados do que vai saindo, procurar no passado, emprestar discos uns aos outros, pesquisar, ver dvds, ir lendo umas revistas do assunto, etc. E isso reflecte-se na música que fazemos. Seria demasiado extenso para enumerar, mas houve alguns nomes de que fomos falando com mais frequência enquanto gravávamos, e que são figuras da World Music, da MPB, do Rock, da POP, da Folk, do Fado, da Indie… Ultimamente, determinados aspectos da música clássica também nos têm feito repensar algumas coisas da nossa.

Reconheço traços folk na vossa música. Não os habituais traços norte-americanos que têm generalizado o movimento indie/folk, mas sim registos do cancioneiro popular português. Contudo, imaginando que falaria sobre vocês a um amigo, inevitavelmente teria que descrever o vosso som como uma espécie de Fleet Foxes portugueses. Seria astúcia ou um erro?

Astúcia, talvez. Os Fleet Foxes pegam nessas referências antigas e populares da música americana e trazem-nas para a actualidade, depois de terem descoberto e ouvido mil outras coisas. Nesse aspecto, os cantautores portugueses, sobretudo a geração de Abril, são nomes incontornáveis para quem faz, como nós, música cantada na nossa língua e com forte pendor acústico. Em termos cronológicos, isso e um pouco de fado, são o mais longe que conseguimos ir com o minimo de conhecimento. Há todo um cancioneiro popular português para além disto, que não tem nenhuma influência consciente na nossa música. Depois, há nos F. Foxes, em termos formais, um cuidado com as questões relacionadas com as harmonias de vozes que também é uma coisa que gostamos, e que aliás é um dos grandes trunfos do Zé Mário, por exemplo; o uso de alguns instrumentos tradicionais fora do contexto popular ou folcolórico; uma certa qualidade/fragilidade timbrica; qualquer coisa de low-fi, que em nós não chegou a ser premeditado,… talvez,… tudo isso!… Nunca tinhamos relacionado, mas se o sentiste é porque também pode ser, e visto assim não me parece nada errado.

Que podemos esperar de vocês para 2009?

Estamos a ensaiar bastante e a trabalhar temas novos com a ideia de vir a incluí-los nos concertos e num próximo disco aínda sem datas previstas. O resto se verá!

O que acham do actual panorama da música portuguesa?

Depende dos gostos! Há um ressurgimento da música cantada em português e isso pode vir a ser muito bom quando a malta começar a ter coisas mais interessantes para dizer. De resto, e para já, estou com bastantes expectativas em relação ao novo disco do Rodrigo Leão e acho que o JP Simões está a dar concertos muito muito bons e é uma figura muito especial no panorama.

Que concertos não vão perder de certeza neste verão?

Nunca fui muito festivaleiro. Prefiro os concertos de Inverno na Aula Magna, no Maxime, no Santiago Alquimista, no Music Box e até mesmo os no Coliseu.

Que conselhos dariam a uns jovens pretendentes a músicos?

Eu não tenho autoridade nenhuma para dar conselhos a quem quer que seja nesta área (ainda agora cheguei – se é que já cá estou! – e tomara eu saber fazer para mim) , mas já agora… e mais pela piada… posso só sugerir que não se deixem levar por modas, a menos que precisem de viver disto!

O Royal Cafe agradece a visita. Foi um prazer contar convosco. Antecipo um futuro muito risonho ao projecto.

Voltem sempre!

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