Quando o LOGOS passa a PATHOS

Há coisas do arco da velha. E outras há da velha do arco.

Sempre fui algo céptico quanto aos Vampire Weekend. Simpatizei sempre com eles, não me interpretem mal. Mas… faltou sempre qualquer coisa para lhes conceder o meu hype. É inevitável reconhecer o contributo que o famoso quarteto, académico por excelência, empregou no panorama musical contemporâneo. Trata-se de uma influência tão óbvia que até possibilita, por este mundo fora, à existência de alguns teóricos que os culpabilizem pela sucessão de fenómenos vampirescos intrínsecos à sociedade actual (leiam-se Twilights, Luas Vermelhas e o coitado True Blood que sofre por tabela)… Perdoem-me a hipérbole, mas creio-lhe legitimidade suficiente para que se perceba o nível da conquista auditiva por eles auferida.

O que é incrível no meio disto tudo é que, em períodos de azáfama e intermitente interesse pelo desenvolvimento dos conteúdos do Royal Cafe, seja um “click” por eles transmitido o motivo para um novo iluminismo desenfreado. Momentâneo, é certo, mas suficientemente forte para me fazer voltar ao Royal e dedicar uma espécie de reflexão ensaísta ao poder retórico do discurso artístico.

Contextualizando, o LOGOS traduz-se (de uma forma muito simplista) na razão. No discurso apelativo pela razão, pela lógica. Quando o orador convence algo ou alguém através da lógica (estou neste momento a coçar a cabeça, enquanto me questiono se o termo “algo” se pode aplicar ou não; se apenas se possa aplicar a capacidade de lógica ao ser racional, logo ser humano – mentalizo-me que sim, que posso estar correcto e recordo-me de Pavlov, das suas teorias do acondicionamento clássico e na sensação que existia ali algum tipo de lógica na reacção dos cães aos estímulos das campainhas). E manterei a minha avante, mesmo que insistam na contradição e negação – adoro cães, adoro os cães que já tive e adoro os cães que irei ter. E sei que, à maneira deles, têm a sua própria razão.

Pois bem, continuando, posso afirmar que fui até hoje uma espécie de mamífero canídeo, atento ouvinte das novidades musicais que, nem campainhas simpáticas, me agraciavam ou não. Aquelas sempre houve que me entusiasmaram, me motivaram ao reconhecimento. Mas não à devoção. Vampire Weekend foi, até agora, um desses exemplos. Dei-lhes a razão. Abanei a cauda. Mas não salivei nunca.

Até hoje.

Por causa destes 3 minutos e 52 segundos de pura magia musical, de extravasamento de todo e qualquer tipo de lógica, de pronto compromisso (o vídeo que apresento tem 7 minutos e tal, os derradeiros 3 são em branco, mas foi o único que encontrei no youtube que não fosse a interpretar a música ao vivo e, portanto, capaz de vos transmitir e pôr a par da qualidade da obra em causa).

E a isso chamo PATHOS (ponho a hiperligação para o WIKI em inglês, porque a respectiva página em português está muito pobrezinha e denotada de um significado incompleto). Não me perguntem porquê. É algo que não se explica. Sente-se, entende-se, vive-se. E define-se, no conceito etimológico do termo, como uma espécie de apelo às emoções da audiência.

Ao som de uma nota, de um acorde, de um conjunto de emoções. À luz de uma imagem, de uma sequência cinematográfica, de uma cor mais saturada.

Sou, portanto, um imensurável adepto do PATHOS enquanto modo de persuasão comunicativa. Um ferrenho praticante da técnica enquanto comunicador, um babado espectador quando “patheado” e um pretenso artista capaz de manobrá-la em função da obra e dos seus objectivos.

Não desprezo a lógica, nunca. E faço o que posso por reconhecê-la, de forma sensata. Esmero-me pela sensatez, sempre. Mas completo-me quando o LOGOS passa a PATHOS. Quando essa por vezes ténue barreira se rompe em função de algo superior – ao se catalisarem emoções em prol de um sentimento puro, sincero, apaixonado. De devoção, portanto.

Tal qual como perante “Run”, este tema dos Vampire Weekend.

From now on, o meu hype é vosso.

E faço-o, reconhecendo que conseguiram neste tema aquilo que os Animal Collective ainda não o conseguiram numa carreira. Mas deixemos isso, esse sentimento respeitante ao colectivo animal, para um futuro post, aí talvez um sobre coisas da arca do velho.

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