Dois Mil e Onze

Foi um bom ano, a nível musical. Recheado, pelo menos.

Direi que me marcaram, essencialmente, as reconquistas. Tal epíteto, estóico, paira associado a capítulos gloriosos.

Posso hoje crer que, 2011, quando instalado na história e olhado pelo retrovisor, viverá nesse espectro de poderes das reconquistas – tão ou mais gloriosas que aquelas de primeiro acto ou de primeiro impacto.

Assim o será. Na minha memória, pelo menos.

O facto ainda mais se adensa quando nesse jogo paira o tradicional assombro do segundo álbum. O segundo passo desse tal primeiro acto ou impacto que chegou, viu e venceu. Mas, e depois? Que fibra esconde o herói para lá das visíveis cicatrizes? Com que mais argumentos se superioriza o esteta às firmes leis da física?

De reconquistas rezam poucas memórias, até porque só os realmente virtuosos se permitem a tal título.  Nem na História Portuguesa houve espaço para um Reconquistador. Tivemos o primeiro, Conquistador, Pai de uma Pátria, que chegou, viu, venceu e deu espaço aos demais. Houve também, pelo caminho, um Restaurador (cuja glória e dignidade implícitas à personagem e ao acto que a imortalizou certamente se assumiram como protagonistas no, porventura, maior duelo que o romantismo lírico e a consciência política de Saramago travaram ao longo dos seus 88 anos de vida). Mas não houve um Reconquistador. Não é fácil obter tal estatuto. Tal luta tão arriscada que nem o nosso dicionário “oficializou” o termo.

Podemos, por isso, perceber a dimensão (ou apenas aderir à metáfora) que o semblante dos três álbuns musicais que mais me marcaram ao longo deste ano carrega nesta reflexão. Ouro, prata e bronze para os Reconquistadores.

Três casos tão distintos e tão semelhantes, que à primeira glória falaram bem alto, mas a mim pouco de significativo me disseram. E, este ano que findou, em novas expressões, atingiram o objectivo. O nosso espaço foi deles, este ano. Materializaram-se as reconquistas. Bon Iver e Justice, à segunda. Black Keys à nona. Mas, ainda seguindo pela analogia, neste último caso pode-se considerar que o “Brothers” foi a primeira vez que os Black Keys falaram bem alto. Tal como o “For Emma, Forever Ago” e o “Cross”, foram álbuns que falaram bem alto, mas aqui no Royal não se conseguiram assumir como esperado. Não me perguntem porquê, que muitas oportunidades tiveram. Dessa vez, houve simpatia. Desta feita, relação. O poder da música no seu pleno. As Reconquistas dos virtuosos.

OURO

PRATA

BRONZE

Menções Honrosas

 

 

  

 

 

Foi esta a banda sonora de 2011. O ano em que pela primeira vez um álbum de Radiohead não me conseguiu convencer. E o ano em que, apesar da minha teimosia em não querer aceitá-lo, o “Mylo Xyloto” tão rápido chegou como igualmente depressa saiu. É que a “Hurts Like Heaven” conquista. Mas o resto não.

Este ano selecciono apenas uma música como a música do ano. Não podia ser outra.

E dos filmes que vi (que não foram muitos), apenas uma menção para os seguintes.

BLACK SWAN

DRIVE

TREE OF LIFE

MIDNIGHT IN PARIS

MONEYBALL

SUBMARINE

THE KING SPEECH

E para 2012, uma novidade.

O Royal Cafe vai-se transformar, apenas durante este ano, numa plataforma de publicação de um livro. Diz-se que 2012 é o ano do fim do mundo e eu não quero que isto acabe sem ter um livro publicado.

Posto isto, auto propus-me a este desafio. Cada mês vou publicar um capítulo do livro. O livro será composto por 12 capítulos e o 1º capítulo será publicado no dia 20 de Janeiro.

Segundo o calendário Maia que previu o fim do mundo, o dia do juízo final está agendado para 21 de Dezembro de 2012. Como tal, o último capítulo do meu livro será publicado no dia 20 de Dezembro de 2012 e, mesmo que o mundo não acabe no dia seguinte, poderão ir sempre a tempo de considerar este meu projecto como a vossa prenda de natal do próximo ano.

O livro intitula-se “O Almocreve” e a partir do próximo dia 20 vão poder começar a acompanhar esta aventura.

Como tal, o Royal Cafe dedicará 99% da sua actividade à escrita e publicação mensal dos respectivos capítulos (ocasionalmente iremos continuar a contar com a presença de alguns convidados, como aliás já é hábito aqui no Royal). Vai ser um enorme desafio, esta mudança temporária de conceito. Mas de outra forma corro o risco de o mundo acabar e de não cumprir este objectivo pessoal.

Espero que gostem.

Ano novo, vida nova.

One thought on “Dois Mil e Onze

  1. Agora, uns dias passados da publicação do artigo, tenho que reconhecer a evidente falta do “Wasting Light”. A verdade é que só lhe dei a devida atenção desde que publiquei este artigo e é sem dúvida não só um dos álbuns do ano, como um dos álbuns de Foo Fighters que mais gostei até hoje.

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