PUKKELPOP 2012

O “Coachella da Europa” em momentos:

MOMENTO KICK OFF

Fiz questão de chegar a tempo de ouvir este single na primeira manhã do Pukkelpop 2012. Concerto reduzido, (devido ao único atraso que assisti em cerca de 40 e tal concertos!) os miúdos bem se esforçaram para fazer um sound check relâmpago assim que chegaram, com uma curiosa (e conhecedora) plateia pela frente. “Fall In” foi a primeira amostra de um concerto de cerca de 20 minutos, uma música energética e com um solo contagiante mas que não ganha tanta profundidade quando tocada ao vivo. Gostei, foi o kick off para 3 dias de muita (e boa) música. Os miúdos queriam tocar mais. Nós queríamos ouvir mais, mas sem o sobressalto do atraso. Atenção ao trajecto desta jovem banda que conquistou o respeito de Steve Albini para a produção do álbum de estreia e atenção é o mínimo que vos posso pedir, afinal de contas foi ele quem produziu o “In Utero”.

MOMENTO SURPRESA

Timothy McKenzie. Fixem este nome. Fusão de estilos e novos territórios num concerto intenso e de muita entrega, não deixando imperar a pouca afluência (Snoop Dogg “roubou” a maioria dos espectadores que o concerto de Labrinth merecia). Foi o único da nova vaga de hip hop londrina (se é que podemos catalogar assim?) que consegui ver. Tinie Tempah, Ms. Dynamite, Magnetic Man eram os outros. Novas propostas, muito talento. Fica a curiosidade e a certeza que o McKenzie vai dar muito que falar. (O vídeo não é da actuação em Hasselt, BE).

MOMENTO SOLD OUT

Tanto os quis ver que quando chegou o momento estava lotação esgotada (num dos únicos palcos completamente fechados no recinto, com entrada controlada, dedicado às novas tendências). “An Awesome Wave”, o álbum de estreia dos Alt-J, tem sido uma das melhores companhias de 2012. O concerto ainda não foi desta, com muita pena minha. Mas, tal como disse na hora: “fiquei feliz por vê-los terem o reconhecimento que merecem”.

MOMENTO SMILE

Não deu para ver Alt-J, mais espaço sobrou para Of Monsters and Men (Alberta Cross teve que ficar para outra altura). Não que faltasse afluência aos islandeses, irmãos menores do legado indie folk a la Edward Sharpe & The Magnetic Zeros; a enchente provou que “My Head is an Animal”, o álbum de estreia, é um fenómeno de popularidade global. A euforia generalizada, presente em quase todo o concerto, deu provas que a banda good feeling do momento será uma constante nos próximos anos. Merecem-no bem: são humildes, divertidos e talentosos. Um dos grandes concertos do Pukkelpop 2012.

MOMENTO WTF?

Dois miúdos negros da Califórnia, 15 e 18, uma bateria, uma guitarra, uma afro e muito rock & roll. Precisam de mais?

MOMENTO DJANGO DJANGO

Concerto de elevadas temperaturas. Muita comunhão e muita afirmação. Os escoceses têm o ADN dos Franz Ferdinand e a audácia dos Animal Collective. São um dos hypes do momento e um dos live shows mais interessantes que por aí andam. Têm todo o mundo pela frente.

MOMENTO COSMOS

Bjork e “Biophilia”, o seu álbum novo. Novo palco, novo espectáculo, novo conceito. Muito à frente do seu tempo, sempre incansável na busca de novos territórios. O melhor uso de coro que já vi até hoje, em música contemporânea (ou futurista?) e um espectáculo imperdível. Uma artista (génio?) de outro mundo.

MOMENTO COVER

Não, não me refiro a Me First & The Gimme Gimmes (embora o deles tenha sido um dos concertos mais entusiasmantes de todo o festival). Refiro-me à aguerrida versão de Brian Fallon do clássico popular que se tornou imortal pela versão dos The Animals. Relativamente ao resto do concerto dos Gaslight, fica estranhamente marcado por um som abaixo da média (pouca definição, abafamento quase total da voz/instrumentos em algumas das canções). Senti a falta da garra usual de Fallon no repertório da banda (este cover foi uma das excepções), num concerto onde a banda pareceu “cansada”. Ainda assim, temas como “59′ Sound”, “Great Expectations”, “45” e “Handwritten” fazem a festa por onde passam.

MOMENTO UNCOVER

Leslie Feist, the one and only. Concerto íntimo, com arranjos diferentes para grande parte das canções apresentadas (prefiro a “The Bad in Each Other” na versão épica do álbum, por exemplo), novas roupagens que tiveram como momento alto a beleza da simplicidade da “The Circle Married The Line”. A rever noutro tipo de conceito, sem o constante frenesim dos batuques das tendas electrónicas envolventes. Ali pedia-se a euforia da “1, 2, 3, 4” e da “Mushaboom”. Não sairam da cartola, em função de outros tipos de sinergias. Foi bonito, ainda assim. Feist é Feist.

MOMENTO ROCKANDROLLA

Muito sol, muito calor, guitarras em punho e solos tempestivos. Assim são os Eagles of Death Metal. Rock & Roll à séria, que pede deslumbramentos em cerveja e que nos faz querer tatuar o corpo. O melhor que se pode pedir para um festival de verão.

MOMENTO ESPECIAL

Assim que ouvi We Are Augustines pela primeira vez que pude reconhecer a voz/entrega de Billy McCharty, antigo líder dos PELA (uma das bandas indie de Brooklyn que desde sempre mais me entusiasmaram, apesar do lançamento de apenas um, discreto álbum e cuja carreira terminou ainda antes sequer de chegar o seu tempo). We Are Augustines, o seu novo projecto, revela todas as virtudes que se encontravam na música de PELA e o concerto deles no Pukkelpop 2012 mostrou um dos mais brilhantes concertos de todo o festival. A pouca plateia vibrou intensamente com a entrega emocional do trio (quarteto numa das músicas), originando um dos mais emocionantes e humildes espectáculos do certame. Soube a pouco. E superou qualquer expectativa que pudesse existir.

MOMENTO BELEZA FEMININA

No país do mexilhão, o prémio vai mesmo para a Lykke Li. Não preciso de pôr a foto, pois não?

MOMENTO BELEZA MUSICAL

Foi mais ou menos assim que começou o concerto de Wilco. Música perfeita para ouvir sentado na relva, partilhando o momento de final de dia/início de noite com a cara-metade e, com isso, as primeiras aragens pós 35 graus, feitas sentir através do sabor e da frescura de uma  agradável cerveja. You Still Love Rock And Roll. Que pode haver de “Misundertood” nisto?

MOMENTO MUSICAL TRIP

O concerto com maior qualidade sonora de todo o festival (definição e mistura perfeita) foi também o que abraçou melhor as fronteiras do psicadelismo. Actuação instrumental irrepreensível, viagens figurativas de grande parte da audiência. Não era grande conhecedor da panóplia musical destes senhores e admito que fiquei rendido à viagem que me apresentaram. Muito bom concerto.

MOMENTO SOUL

Carismático, humilde e simpático. Um exemplo de vida, um despertar musical aos 63 anos. Muito soul, muita comunhão com o público. O autor da maior quantidade de “I Love Yous” do festival, respirando honestidade a cada palavra. Saí de lá com a certeza que tenho que ver o documentário “Soul of America”, em si inspirado, o mais rápido possível.

MOMENTO SPILL IT OUT IN THE RAGGED FLOOR

Breve concerto de uma das minhas bandas de eleição, debaixo de um arrasador sol de quase 40 graus. “Sleeping Lessons” foi, naturalmente, o grande momento de um curto concerto que teve como principais baixas a ausência de “It’s Only Life” e “Bait And Switch”, aquelas que considero as 2 melhores faixas de Port of Morrow, o mais recente capítulo da banda do Sr. James Mercer.

MOMENTO MINUTO DE SILÊNCIO

Calhou a meio do concerto de Patrick Watson o minuto de silêncio em honra das vítimas da tempestade que assolou a edição de 2011. Momento incrível, com um cortante silêncio de quase 100 mil pessoas (o único dia do festival com lotação esgotada), pautado pelo balançar do memorial sino da igreja e procedido pela harmónica subtileza das canções de Patrick Watson.

MOMENTO EXPLOSIVO

A habitual competência do punk rock dos The Hives e a constante irreverência de Pelle Almqvist. Fazem a festa por onde passam e Pukkelpop não foi excepção. Energia singular debaixo de quase 40 graus. Memorável e explosivo. Tick Tick Tick Boom!

MOMENTO HIT

Foi a maior manifestação geral de euforia, em todo o festival. “Lonely Boy” é um sucesso. The Black Keys são já um culto. Rock & Roll do bom e um público em êxtase do princípio ao fim do concerto. Mas 45 minutos desta banda só pode saber a pouco.

MOMENTO LUSITANO

Buraka Som Sistema e uma multidão completamente rendida, de distintas nacionalidades. Caso sério de popularidade internacional e a prova de que a música portuguesa afinal também exporta (ainda não encontrei vídeos da actuação no Youtube, mas tenho a certeza que não tardarão a aparecer). No dia seguinte comentava-se pelo campismo que tinha sido “Legendary”.

MOMENTO PUKKELPOP 2012

A meio do lotadíssimo concerto de cerca de 2 horas e meia de revivalismo Foo Fighter, Dave Grohl decidiu também ele homenagear as vítimas da tragédia em Pukkelpop 2011. A música não podia ser mais indicada; o discurso também não. Foi o momento do festival, a meio do grande concerto do festival. Uma banda intemporal, com um cardápio singular no panorama do rock & roll contemporâneo. Memorável.

Para o ano, com toda a certeza, haverá mais.

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One thought on “PUKKELPOP 2012

  1. Janet diz:

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