O Almocreve, XII

III

«Foi quando ouvi Roman falar no aprisionamento de um Americano que soube que tinha chegado a minha oportunidade – só podia ser de Barry de quem falavam; e eu sabia quão pavorosas eram as caves para onde o tinham levado. Foi nesse momento que soube que me competia a mim, e apenas a mim, tomar pulso sobre a minha vida e fazer algo que a alterasse por completo: pelas minhas contas fariam já três dias desde que Barry partira e dois desde que o seu encarceramento se consumara. Ele não merecia o destino que lhe calhara. Nem eu. Nem Roman, que entretanto chegara para a habitual visita quinzenal. Chegara a hora de fazer justiça.

Saciei o seu desejo sexual com propositada intensidade – o objectivo era cansá-lo e desguarnecê-lo – e reforcei a jogada com recurso a meio Rohypnol que disfarçadamente diluí no seu habitual copo de Balvenie’s de 25 anos. Em menos de um ai adormeceu, e eu aproveitei a desguarda para cometer a maior loucura da minha vida: um mínimo deslize ou errado cálculo de movimentação e seria a morte do artista. A dele, a minha e, muito provavelmente, a de cada membro da família Volodin. Sabia-o eu, melhor do que ninguém no Mundo, daquilo que Roman era capaz. Peguei no seu telemóvel, na arma e agasalhei-me de acordo com o frio que lá fora continuava a fazer naquele insuspeito final de tarde. Antes de sair, certifiquei-me de que Roman dormia com afinco. Abanei-o e ele não despertou. Gritei e ele não me ouviu. Bastava ele acordar a meio da minha aventura para tudo correr mal. Depois saí e procurei o apelo do Monsenhor. Precisava que ele me ajudasse a facultar um carro. Prestável como sempre, não desiludiu e acudiu ao dono do restaurante, por sua vez dono de um antigo Land Rover que conheceria aqueles montes de olhos fechados. Expliquei que precisava de ir ao complexo das Minas fazer algo muito importante e ambos, apesar de estranharem o meu apelo, concordaram em levar-me. O dono do carro conduziria e o preocupado Monsenhor não se quis desprender e fez questão de acompanhar na viagem. Senti-me segura com ambos, astutos lobos da serra, e antes de entrar no jipe fiz uma breve chamada do telefone de Roman:

– Sim, Ivan. Fala Ilenija. Roman pediu para telefonar porque negociámos o Americano com um amigo meu que vai aparecer aí nas minas com um Land Rover vermelho, de matrícula Portuguesa, e o Americano terá de ser entregue. Não se aproximem do carro. Entreguem-no só.»

Ivan, confuso, concordou. Ilenija sentiu o coração bater como nunca, ao assumir pela primeira vez o poder da sua voz. Nunca se tinha intrometido em qualquer conversação com os capangas de Roman. Sabia o risco que corria, mas não hesitou. Qualquer falha ditaria a sua morte. E a dos que a acompanhavam. Depois tapou-se com um negro lenço sobre a cabeça e uns escuros óculos de sol sobre os olhos para tentar manter alguma incógnita, e entrou para o banco traseiro do jipe.

Nas caves do complexo, Brown renegava-se à ideia da falta de esperança. Continuava a tentar motivar a multidão, afirmando que sabia como salvá-los a todos. Que iria tirá-los de lá. Que conseguia. O ancião sempre sorria, a cada palavra ou acto de fé, velha raposa da maldita masmorra. Cativar em cativeiro não se via fácil. E o escárnio do velho teimava ainda ser o principal dos obstáculos. Contudo, Brown não se resignava. Dizia-se protegido e privilegiado. Esperava que a autenticidade do romance vivido com Ilenija pudesse ainda ter uma palavra a dizer nos termos do seu destino ou que, na pior das hipóteses, o Yoannis e o Mário investigassem o seu desaparecimento e descobrissem as impurezas do complexo mineiro. Esperava que algo acontecesse. A reviravolta do seu fado não poderia ser assim tão cruel, ao ponto de se rever naquilo que lhe acontecera; tinha escolhido o bem e não a fortuna do mal. Esperava ser recompensado pela escolha que fizera. Aquilo era pior que Szombathely.

«Eu não sou como os outros.» disse ao relutante velho.

«Ai não?», contrapôs o velhote na sequência de novo sorriso jocoso.

«Não.»

«Posso então perguntar o que faz de ti assim tão especial?»

«Sou um almocreve.» afirmou, decidido.

O velhote parou de sorrir e, pela primeira vez desde que ali Brown entrara, meteu uma apreensiva expressão. Olharam-se nos olhos por uns instantes, em silêncio, e, de súbito, aconteceu algo que cortou o momento. Quase por obra divina, dois dos capangas de Roman entraram no corredor de acesso às celas e a reclusa multidão começou a soltar ruidosos laivos de euforia – o mesmo tipo de sonoridade que faziam quando até eles chegava água, comida ou novos reclusos. Mas desta feita os dois capangas dirigiram-se directamente à cela onde estava retido o Americano. Um deles apontou a metralhadora na direcção do interior da cela e alguns dos reclusos tiveram o imediato instinto de se recolher em posição de protecção. O outro capanga colocou uma chave na fechadura da cela e abriu a porta. Ordenou a Brown que saísse e este colocou de imediato as mãos em cima da cabeça. Apesar da confiança demonstrada na assunção do seu papel, tinha medo do que lhe pudesse acontecer. O velhote assistia incrédulo a tudo isso, como se de uma sobrenatural revelação se tratasse e os seus olhos humedeceram de emoção. Brown saiu da cela, a medo, o capanga fechou de novo a porta e prepararam-se para se retirar, caminhando Brown na frente das armas a si apontadas. Conseguiu, aos primeiros passos, olhar na direcção do extasiado velhote e segredar em quase inaudível tom: «Voltarei por vocês.» Depois saiu e já lá fora começou a ouvir o velhote cantarolar o termo «Al-mo-cre-ve» de forma crescente, repetidas e ritmadas vezes nas suas quatro separadas sílabas, cada vez com mais intensidade até toda a multidão começar a acompanhar em coro. Ecos de um culto estropiado; génese de um mito cavernoso. Até os Russos estranharam a manifestação que se criou, munidos de estranheza e confusão.

Chegado à superfície foi forçado a atravessar grande parte do complexo sob armada vigília. Sentiu o frio incidir sobre todo o seu corpo à velocidade com que qualquer uma daquelas balas lhe tomaria a sua vida. Olhou em redor e reparou na quantidade de armas que o miravam. Os focos das torres de segurança incidiam na sua direcção e teve a certeza que ao soltar-se a primeira bala, seria vítima da mais vilipendiosa chacina da história. Tremia de frio e de fome e de medo com uma intensidade que nunca pensou ser possível: nem uma hipotermia obrigaria a tal desconforto. Foi encaminhado para a portada do complexo, sem qualquer tipo de comunicação verbal, e quando lá chegou reparou na presença de um singular jipe vermelho, estacionado no meio de um deserto nevado. Percebeu pelos gestos dos capangas que era para lá que teria de se dirigir. Ficou confuso e temeu o pior. Seria Roman que o aguardava; e toda a sua fúria pelo irresponsável affair cometido com Ilenija. Ia ser morto de forma ingrata, pela pessoa que escolhera não matar. Ainda assim, não teve outra hipótese senão caminhar. Passo por passo, de forma lenta e insegura, atravessou o corredor da morte. Reparou que os capangas não o acompanharam e se mantiveram dentro do complexo, assistindo de longe ao que sabia vir a tornar-se o seu epílogo. Esperava um milagre – o de que fossem Mário ou Yoannis a situar-se dentro daquele veículo. Poderiam também ser os Japoneses e uma ainda mais macabra experiência a aguardá-lo. Mas nunca, longe de si imaginar o que viria a ver de seguida: o Monsenhor, no seu desengonçado jeito de old timer a sair da porta do pendura. Trocou-lhe as voltas; tudo era estranho e misterioso, ali debaixo daquela neve que então recomeçara a cair. Mas sentiu segurança na expressão do Monsenhor. E, de forma discreta, acelerou o ritmo da caminhada.

«Foi então que o Universo bloqueou.»

No silêncio do vale insurgiu-se o toque do telefone de Ivan, que assistia ao deslocamento de Brown com a M16 empenhada.

«Roman acordou.»

Foram apenas 5 segundos, o tempo que passou até Ivan atender o telefonema. Mas para Ilenija pareceu demorar toda a sua eternidade. Sabia que, caso fosse Roman a fazer a chamada, tudo iria por água abaixo e que o plano que desenhou para completar o salvamento do seu amado rapidamente se tornaria num pretexto para o seu rápido homicídio a sangue frio.

Ivan atendeu o telefone, baixando a arma por fracções de segundo e, perante o que ouvira do outro lado, soltou um berro na direcção de Brown. Este, tão perto da salvação, não teve outra solução senão a de parar. Olhou na direcção do Monsenhor, que pareceu aflito.

No interior do jipe, Ilenija sentia o coração a disparar pelos montes fora. A Portuguesa música que com o volume muito baixinho soava na rádio caracterizava a possibilidade de massacre e apontava para um final triste, sofrido, saudoso. Era fado. O próprio herdeiro do Juiz de Fajão percebeu a sentença que a seus olhos se erguia; entendeu o fracassar do plano e descodificou o iminente sumiço do Americano.

Ivan prosseguia a conversa, no seu indecifrável dialecto. Não extravasava qual o possível desfecho, mas revelou que algo não correra como previsto.

Brown pensou começar a correr na direcção do jipe, mas receou ser alvejado de imediato. Apenas podia esperar que o desfecho lhe favorecesse. Nunca estivera tão desprotegido e tão dependente como naquele momento.

O Monsenhor tentou fazer um disfarçado sinal a Brown, para que este reiniciasse a marcha. Brown hesitou.

Ivan começou a caminhar na direcção de Brown, sempre sem desligar o telefonema.

«Tenho agora ou nunca.» Ilenija percebeu que chegara o seu momento.

Era altura de ser ela a narrar a sua história e a construir o seu destino. Era altura de dizer que sim, que tinha uma vida. De se emancipar e decidir o seu futuro. Era altura de o fazer por respeito e comunhão à sua família. De o fazer pelo seu amor. De o fazer por si. Por Huron e por Bichkek; pela América e pela Eurásia. Por Moscovo e por Fajão. Por Portugal. Pela crise e pela economia. Pelo Rio Sena e pela Patagónia. Pelas viagens e pelos destinos. Pela possível feliz vida conjunta, algures onde quer que fosse. Pelos Beatles, por Kevin Parker e por Jim Morrison. Pela liberdade e pela opressão. Pela sociologia e pela antropologia. Pela história. Pelo passado e pelo futuro. Pelos sonhos e pelas ilusões. Pelas bicicletas; pela Mozzarella di búfala e pelo azeite; pelo pão e pelo vinho. Pela água Portuguesa e pela água Italiana e pela água dos Países-Baixos e pela água do Quirguistão. Pelas restrições. Pelos impérios: o Persa, o Russo e o Mongol. Pela União Europeia. Pelo frio e pelo calor. Pela chuva e pelo vento. Por Gene Kelly e Clark Gable; por Debbie Reynolds e Vivien Leigh. Por Hitchcock e por Eisenstein. Por Spielberg. Pelo E.T. e pelo Indiana Jones. Por Putin e por Mao Tsé. Por Bush e por Obama. Pelo Iraque e pelo Afeganistão. Pelo ópio e pelo petróleo. Por Bin Laden e pelo 11 de Setembro. Pelo populismo e pelos Media. Pela internet. Pelo Facebook, pelo Google e pelos vídeos dos OK Go. Pelas flashmobs e pelos London Riots. Pelo Children of Men e pela City With No Children. Pelos Radiohead e pelos Nirvana e pelos Metallica. Por Adelaide, a governanta. Por Madonna e por Michael Jackson. Pela vida e pela morte. Pelo sucesso. Pela indústria, pela arte e pelo comércio. Por Hollywood, pela Europa e pela Coreia. Pelo colapso e pelo apocalipse. Pela Humanidade e pela reprodução. Pelo estágio embrionário. Pela comunicação e pelos idiomas. Pela evolução e pela regressão. Por Darwin e por Isaac Newton. Pela alquimia. Pelo calendário Maia. Pelo medo e pela esperança. Pela Terra e pelo Universo. Pela Exxon, pela Shell e pela Gazprom. Pelo MacDonald’s e pela Walmart. Pelo empreendedorismo. Por Gates, Jobs e Zuckerberg. Por Chaplin, pelo discurso e pela representação em geral. Por Stanislavski. Por Barry Brown. Por António, Ofélia, Duarte Farelos, pelo Pastor, Emídio e o Monsenhor. Pelo Natal e pela família de cada qual. Pela paixão e pela ternura. Por tudo e por tudo menos por Roman.

Foi num movimento rápido, o de sair do jipe e o de empunhar a arma na direcção de Ivan. Foi numa única bala. Numa única bala que se soltou e que atravessou o quadro, atingindo de forma brutal e propagante o desamparado pescoço de Ivan. Foi num simples gesto que Ilenija se assumiu e que pôde, por isso, moldar o desfecho da sua história.

Ivan caiu. E ela apenas desejou que fosse Roman.

O instinto de Brown foi o de correr e de entrar no jipe com a maior rapidez que conseguiu. A ele se seguiram Ilenija e o Monsenhor, que apenas por sorte não foram atingidos pelo intenso tiroteio que se desencadeou. Dentro do jipe pôde Brown sentir o perfumado odor de Ilenija, apesar do esforçado disfarce que a cobria, e finalmente sorriu. Ninguém ficara ferido, deste lado da barricada. Foi de mestria a condução do herdeiro do Juiz de Fajão, retirando-se do local a todo o gás e dirigindo-se a um seguro porto de abrigo. Teriam de manter-se escondidos por um par de horas e, durante o silêncio da noite, retomar a travessia para longe, rumo à salvação que perseguiam. Brown pôde, finalmente, beijar Ilenija. Estavam vivos e aparentemente sãos e salvos, quando nada o faria prever.

«Nunca, em toda a minha vida, um beijo me tinha sabido tão bem. Naturalmente, tive de lhe dar a mão. Que fria estava, por contraste com a minha: transpirada, receosa, apavorada. Nunca o seu aspecto fora tão mau; e nunca a mim ele me parecera tão belo. Andámos, andámos, andámos. Íamos ter uma vida nova, algures, em algum momento. Durante a viagem, iluminada pelas estrelas da noite que entretanto caíra, contei tudo ou quase tudo aos aldeões que nos conduziam. Barry tinha mencionado a presença dos seus colegas na Pampilhosa e foi precisamente até lá que nos levaram. Já perante Mário e Yoannis, pus a nu tudo o que sabia sobre o negócio de Roman. Senti-me traidora, despindo interesses à minha própria impunidade. Mas honesta como nunca tinha sido comigo própria. Todos perceberam a gravidade da situação e Barry parecia obcecado com uma qualquer promessa que fizera. Yoannis entrou em contacto com o lendário Ed, que por sua vez entrou em contacto com forças pesadas. Iam colocar-me em segurança e eu teria de entregar Roman às polícias secretas internacionais – falaram no FBI e na Interpol, que por sua vez o entregariam às FSB e SVR (ex-KGB). Eu sabia que a influência de Roman por terras frias seria um obstáculo difícil de combater, mas não me restaria outra opção. Continuei sempre com a mão dada a Barry Brown, que me motivava a prosseguir, porque seria o mais correcto e porque seria o bilhete para uma vida a meias com o homem dos meus sonhos. Mário e Yoannis concentraram todos os seus actos na resolução da trama e o filme de Ramiro foi obrigado a esperar. O Monsenhor e o herdeiro do Juíz de Fajão regressaram à aldeia em segurança, acompanhados pelas forças policiais. Roman já tinha desertado, possivelmente na obsessão da minha procura, e vasculharam alguma da confidencial informação que tinha sido guardada na casa que noutra vida fora nossa. A polícia judiciária Portuguesa emitiu um mandato de captura internacional para Roman no preciso momento em que chegámos a Lisboa. Pedi que exilassem a minha família e foram feitos todos os esforços nesse sentido: isolaram-nos algures na Sibéria, em local próprio para esse efeito. Ia revê-los em breve e tudo corria pelo melhor. Barry fez questão de acompanhar a militarizada equipa designada para o desmantelamento do complexo mineiro e, como não me largava a mão, fui obrigada a ir com ele. Fomos super protegidos, com coletes à prova de bala e tudo correu pelo melhor. Foram capturados na totalidade os Russos e os Nipónicos que por lá persistiam, sem qualquer tipo de resistência, e foram apreendidas todas as ilícitas matérias que lá puderam encontrar. Depois, para gáudio de Barry, libertaram os reclusos da maldita masmorra subterrânea. Atenciosa e afavelmente, designaram autocarros e aviões para a grande maioria deles, para regresso a casa e às diversas origens. Todos saudaram o regresso do almocreve. Todos rejubilaram e todos cantaram por ele. O velho ancião chorou, finalmente, de liberta felicidade. Pude ver tudo isso e o quão significativo foi para Barry testemunhar esse júbilo. Foi o culminar do seu périplo. Depois entrámos no helicóptero que para o nosso transporte fora designado e subimos. Ainda não tínhamos escolhido o destino, mas muito provavelmente teríamos de estar retidos num qualquer seguro e secreto local até que Roman fosse capturado. Podia levar todo o tempo do Mundo, desde que Barry não me largasse a mão. Em breve apresentá-lo-ia à minha família e tudo correria pelo melhor. Seria uma questão de tempo até as coisas se resolverem e a segurança ser total. «Subimos para uma vida nova.» Como soou bem escutar-me a dizê-lo. Como soou bem ouvir a minha voz. Lá em baixo os libertados acenavam. Pude ver, nas caras deles, os sorrisos de António e de Ofélia, a emoção do Farelos e a inocência dos trigueiros. Pude também imaginar que todos empunhavam exemplares da “Mensagem”. Pude ver crianças; e Barry sorria e retribuía acenos de satisfação. Sabia que fizera o seu trabalho de campo e que estava pronto para o filme do Ramiro. Voz só temos uma e depende de nós o destino que lhe damos. Fazia tempo que por ali as gentes não se despediam de um almocreve.»

FIM

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