Royal Cafe Convida: Applescal

APPLESCAL

Nascido em 1987, Pascal Terstappen (Applescal) caminha a passos largos para se assumir como uma das principais referências do Techno/IDM contemporâneo.

Aos 25 anos, o Holandês, que já tinha introduzido a sua visão pessoal no panorama global da electrónica através dos aclamados pela crítica “A Slave’s Commitment (Traum Schallplatten, 2009) e “A Mishmash of Changing Moods” (Traum Schallplatten, 2010), acaba de editar “Dreaming in Key” – o seu fantástico terceiro álbum, desta vez na sua própria label Atomnation – e promete que não se fica por aqui. Trabalhador ávido, de talento especial, não tardará a ter o Mundo a seus pés.

O Royal Cafe não podia deixar passar a ocasião sem convidar Pascal para uma tertúlia das nossas.

1. Descreve a tua música numa frase.

É uma mistura de Techno e electrónica.

2. Conheci o teu trabalho através do tema “El Diablo” (como acredito muita gente o tenha feito, dado o sucesso do tema). Podes descrever o processo para o criares?

O tema é todo sobre harmonia. As primeiras duas partes da melodia vieram por coincidência, como teedaaduudieeee… teedaaaaduudieeeeee… Ouvi o resto dos acordes na minha cabeça, desde logo, mas levou-me 2 dias a criá-los. Tieeedaaaduuudaaaaa, taaadaaaduuudaaaa (risos).

3. Como chegaste ao Techno/IDM? Começaste como DJ e a produção veio depois? Ou vice-versa?

Um amigo fazia música no computador com o Reason 2.0. Gostei muito de tudo aquilo e, antes que me apercebesse, já eu estava também a fazer música.

4. “Dreaming in Key”, o teu novo álbum, tem recebido óptimas críticas por todo o lado. Achas que isso irá afectar a tua carreira ou estilo musical?

Espero que não altere muito o meu estilo de produção. Quando faço música é muito importante que me mantenha fiel às minhas ideias. Em relação à carreira, espero conseguir tocar bons gigs e actuar em festivais um pouco por todo o mundo.

5. Podes nomear as tuas maiores influências?

Tenho várias influências, nenhuma em particular. Existem tantas labels fantásticas e tantos produtores com tantas coisas boas, por todo o lado, mais ou menos conhecidos, que se torna difícil nomear uma influência. Podem ver as minhas influências (e descobertas musicais) em www.rtfkt.net.

6. Acho que te posso incluir no restrito grupo de novos/jovens produtores de música electrónica capazes de incorporar cartazes dos maiores festivais de música indie/alternativa (de bandas, na sua larga maioria). Posso nomear artistas como Four Tet, Nicolas Jaar, Caribou, Flying Lotus ou até Hudson Mohawke. Sentes-te parte desse núcleo, que anda a ser requisitado de uma forma totalmente nova (em termos de produtores electrónicos)?

É para mim uma enorme honra que menciones o meu nome próximo de todos esses artistas, realmente grandes e fantásticos no que fazem. Espero vir a ser tão lendário como qualquer um desses nomes, mas ainda tenho um longo caminho a percorrer.

7. Antes desta cultura, tivemos (e ainda temos) fortes vagas de produtores electrónicos (mais orientados para o Techno ou para o House ou para o Drum n’ Bass ou até para o Electro). Houve a cena de Detroit, de Chicago, de Nápoles, de Berlim, de Estocolmo e até da Holanda. Achas que uma totalmente nova perspectiva se abre com as tuas produções? Achas que este tipo de música electrónica é agora aceite como um estilo de música inteligente, com um selo de qualidade que antes se tornava difícil empregar?

Acho que a tua questão anterior nos coloca exactamente no que se passa hoje em dia. Artistas de electrónica como Four Tet, Gold Panda, Flying Lotus, Tycho, Nicolas Jaar, Bonobo… São todos muito bons e têm todos o seu próprio som, não fazem parte de nenhum género, sendo eles o seu próprio género. Todos eles criaram um espaço próprio dentro da electrónica e eu acho que isso é fantástico.

8. Com que artista mais gostarias de colaborar?

Wow… se eu pudesse escolher um? Adoraria trabalhar com a Bjork. Ela é fantástica e tem a melhor voz de sempre!

9. Alguma vez estiveste em Portugal? Alguma vez actuaste lá? Se não, gostarias de ter essa oportunidade? Porquê?

Nunca estive em Portugal, mas gostaria bastante de ir lá. Conheço alguns Portugueses e são todos muito porreiros. Espero ir lá em breve. Para tocar, descansar na praia e ver as bonitas cidades.

10. Gostarias de compôr música para um filme? Que tipo de filme?

Já compus para um episódio do CSI. Foi muito fixe. Mas se alguma vez fizer uma banda-sonora, gostava de fazer para o Christopher Nolan ou para o Guy Ritchie.

(extracto de composição de Applescal para o episódio do CSI)

11. Até onde achas que a música electrónica poderá ir nos próximos anos? O que podemos esperar de tamanho cenário de possibilidades?

O hype estará onde a boa música estiver. Alguns álbuns fantásticos irão sair e alguns artistas fascinantes irão aparecer. Hoje não fazemos ideia de como poderão soar, mas sabemos que virá música muito boa.

12. E como influenciará a Internet tudo isso?

Internet é o portal, o local onde se descobre música nova. Espero que o Soundcloud não se “suicide” tal como o fez o Myspace há uns anos atrás. Isso seria um desastre para a cena da música electrónica. Acho que o Soundcloud é a melhor coisa que aconteceu à música desde há uns anos. O “novo” Soundcloud, no entanto, está muito pobre. É um mau desenvolvimento para artistas desconhecidos e para a comunidade musical online. Espero que salvem e mantenham o Soundcloud clássico.

13. A cultura de clubs Holandesa é vanguardista na cena electrónica global. Porque achas que esta cultura nacional cresceu de forma tão firme?

A Holanda sempre foi boa a exportar. Faz parte dos nossos genes. O mais engraçado é que os grandes nomes, como Tiesto, Armin Van Buuren e Afrojack raramente tocam na Holanda. A cultura de clubs é mais baseada em heróis locais, toda a gente é DJ hoje em dia.

14. O que poderemos esperar de Applescal, nos próximos anos?

Espero lançar bons temas novos. Estou também a trabalhar num DJ set novo. Espero tocar muito ao vivo nos próximos anos. E claro, a minha própria label (Atomnation), é um projecto em que estou mesmo muito empenhado e tenho a ambição de fazer algo fantástico nos próximos anos.

Muito obrigado, Pascal! Foi uma honra.

“Dreaming in Key” está disponível em stream no seu Soundcloud e à venda no Bandcamp desde o passado dia 5 de Fevereiro.

Website

Atomnation

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