Royal Cafe Convida: Eva & Manu

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Narrativa é a palavra do dia.

Foquemo-nos, portanto, nesse termo: com origem no latim de narrare, destina-se ao propósito de servir o relato de um acontecimento, que encerra narração, real ou imaginária, com intervenção de uma ou mais personagens num espaço e num tempo determinados.

Pois bem. Eva & Manu são um projecto musical. E narrativa é coisa que não lhes falta.

Ora vejamos: ele é de origens Francesas, ela de origens Finlandesas. Conheceram-se ambos em Boston (após um período de escola de música) e decidiram regressar para viajar pela Europa numa espécie de turismo sustentável e comunitário (a bordo de uma carripana), com o propósito final de criação de canções. Criaram também um blog, que acompanhou todo esse processo, e sensivelmente dois anos após o início dessa viagem editaram um bem sucedido homónimo álbum de estreia.

Aproveitámos o prolífero circuito da tour Europeia que andam a percorrer (a música que narram está a ser um interessante fenómeno pelos países da Europa Central/Europa do Norte e são já aposta de importantes editoras para o ano que se segue) para os convidar ao Royal Cafe.

Descrevam a vossa música numa frase.

Folk/rock acústico com melodias e harmonias fortes.

A vossa história é fascinante, do género de narrativa de filme. Conheceram-se no Berklee College of Music (Boston) e desde então começou a aventura. Foi uma espécie de “On The Road” misturado com o “Once”. Durante todo o processo do Travel in Music (o blog), o que encontraram vocês nos países Europeus que visitaram que mais tenha influenciado o vosso trabalho?

Uma coisa que foi sempre inspiradora, independentemente do país em que nos encontrámos, foram as pessoas que conhecemos e com quem vivemos. Conhecemos tantas histórias inacreditáveis. Esses foram os momentos mais memoráveis e que nos deram imenso material sobre o que cantar.

Alguma razão específica para terem escolhido as regiões da Tuscânia, da Provença e dos Pirinéus?

Bem, foi conveniente por causa da caravana que tínhamos, Skipper. Foi fácil de guiar do sudoeste da França (Gers) para essas regiões. Também conhecemos imensas quintas e música local.

Gostariam de fazer um Travel in Music 2, desta vez em Portugal? O que vos atrairia mais em Portugal e o que se poderia vir a tornar mais influente no vosso trabalho?

Definitivamente! Queríamos muito ter ido a Portugal, mas ficámos sem tempo. Seríamos provavelmente influenciados pelo Fado, pela boa comida e, de novo, pelas pessoas.

HelpX foi uma grande ferramenta, para o vosso conceito de viagem e que permitiu este tipo de aventura. O que têm a dizer sobre este tipo de turismo?

É uma forma absolutamente perfeita para viajar se fores sociável e se quiseres ir mais fundo na descoberta cultural em relação ao turista comum. Tens a possibilidade de viver nas casas das pessoas, sempre ajustando a tua maneira de ser e de estar e aprendes imenso com isso. Comem juntos, fazem coisas juntos e conheces pessoas que nunca conhecerias de outra forma. Nós recomendamos este conceito de viagem a toda a gente.

Agora estão de volta à Finlândia, com o vosso primeiro álbum nas lojas. Começaram também recentemente uma tour de promoção do disco, por alguns países da Europa (e passando por cidades como Berlim e Amesterdão). Estas cidades estiveram alguma vez no roteiro de viagem do Travel in Music? Qual é a sensação de actuar nessas cidades, fazendo parte da impressionante agenda cultural que as mesmas apresentam?

Nós não viajámos a Berlim nem a Amesterdão durante o nosso roteiro. Ambos adoramos essas cidades pela riqueza cultural e pela singularidade das mesmas. Tocámos em Berlim há um mês atrás e foi um passeio fantástico. Estamos ansiosos por tocar no lendário andar superior do Paradiso, em Amesterdão! (a data desta visita ao Royal Cafe foi anterior à actuação de Eva & Manu no Paradiso, que ocorreu a 25 de Março de 2013)

Sobre o vosso processo criativo, podemos falar sobre isso? Onde é que começam, para cada canção que criam? Quais são as vossas maiores fontes de inspiração?

Normalmente a Eva olha para o diário e o Manu ouve bastante música. Normalmente começamos com a música, depois as letras, mas claro que por vezes a história vem primeiro. Vamos ver muitos concertos e procuramos nova música todos os dias. Isso mantém-nos inspirados.

Para além de ter sido o sítio em que se conheceram, quão foi Berklee importante na vossa carreira musical?

Ambos encontrámos as nossas vozes em Berklee. Aprendemos o que não queremos fazer e o que definitivamente queremos fazer. Conhecemos imensos músicos de diferentes sítios do Mundo e escrevemos várias canções. Foram dois anos muito importantes para nós.

E os Estados Unidos da América? Nos “contos de fadas” e no imaginário popular normalmente acontece o oposto: cidadãos Europeus vão fazer esse tipo de jornadas e de odisseias para os States. Vocês estiveram lá e decidiram fazer antes essa aventura na Europa. Porquê?

Sentíamos falta da cultura Europeia. Sentíamos falta dos muitos países bonitos que a Europa tem e sempre quisemos viajar por esses países.

Aparte das viagens que fizeram, acham-se capazes de ter criado este disco sem terem tido as experiências que tiveram? Quão diferente seria?

Talvez nem existíssemos enquanto banda se não tivéssemos feito a viagem. A ideia de criar a banda surgiu depois de uns meses a colocar vídeos no nosso blog e de receber feedback positivo dos nossos ouvintes. Só depois nos apercebemos: porque não começamos a actuar? Ambos temos imensas coisas para dizer e para cantar sobre, então iríamos continuar a escrever canções, mas seria sempre diferente se não tivéssemos feito a viagem. Estas canções são sobre eventos actuais que vivemos e são muito especiais por causa disso.

Gostariam de compor para cinema? Que tipo de filme e que tipo de realizador vos atrairia mais?

Claro. Somos muito abertos a tudo e compor música para um filme seria uma nova e óptima experiência. Provavelmente algo na onda do “Into The Wild” seria porreiro.

Quais os vossos planos para os próximos meses?

O nosso álbum será lançado em vários países então estamos a actuar bastante. Estamos também a escrever novas canções e a colaborar noutros projectos.

Em que festival de música mais gostariam de actuar?

Há vários, impossível de nomear um. Todos!

Ao vivo, junta-se a vós em palco Eliel, o vosso baterista. Gostariam de aumentar a banda e ter canções tocadas com orquestras ou algo do género?

Na verdade tocamos com uma banda muito maior e às vezes até com um violoncelista. Então a resposta é sim!

Que bandas vos influenciam mais, hoje em dia?

Sufjan Stevens, Ben Howard, Peter Gabriel, Neil Young, Joni Mitchell, Laleh…

E com que artista mais gostariam de colaborar?

Peter Gabriel! Tem um sentido incrível de espaço e de orquestração.

A Finlândia apoia jovens artistas como vocês? São receptivos e dinâmicos, nesse sentido? E de que forma poderá o vosso país ser uma barreira para a exportação da vossa música?

Eu diria que sim. Há muitos músicos talentosos neste país, muito graças às excelentes escolas de música que existem. Os sons nórdicos são pessoas interessantes à volta do mundo cada vez mais e mais, por isso creio que isso ajudará a exportar a nossa música.

Para terminar, quão importante é a Internet nas vossas vidas? Como pode o conceito do HelpX (todo esse propósito de retorno à terra e ao trabalho com a terra) combinar com o poder da Internet na sociedade actual?

Para nós a Internet era tudo quando começámos. O nosso blog estava na Internet e foi dessa forma que o nosso público chegou até nós. Todas as redes sociais foram extremamente importantes no processo de chegar às pessoas e assim continuará a ser.

Website

Muito obrigado Eva & Manu! Foi um prazer.

O Royal Cafe agradece.

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