Royal Cafe Convida: Clare and The Reasons

Ok, a ideia do convite à Clare Manchon partiu de uma rubrica que eu quis implementar aqui no Royal Cafe, com o tema “Abril, Mulheres Mil”.

A rubrica pretendia celebrar o mês da Liberdade com a participação/exposição/promoção de contributos de artistas musicais femininos que estejam debaixo do radar do Royal Cafe. Foi com muita pena minha que acabou por não se concretizar. Talvez para o próximo ano, com mais tempo de preparação, a ideia se possa vir a materializar.

No entanto, a Clare Manchon (cara-metade do projecto de Brooklyn “Clare and The Reasons”) foi uma das duas artistas que acedeu ao repto lançado pelo Royal. Outras houve que mostraram total interesse, mas no caso delas faltou-me a mim o tempo para preparar as devidas entrevistas. A elas o meu pedido de desculpa. Vocês sabem quem são. Para o ano certamente voltaremos a falar.

Posto isto, deixo-vos o agradável registo da “visita” da Clare Manchon ao Royal Cafe. Os Clare and The Reasons são um projecto musical muito interessante, cujo primeiro álbum, “The Movie” (2007), contou com a colaboração de nomes como Sufjan Stevens ou Van Dyke Parks e que desde então têm actuado um pouco por todo o mundo.

Deixo-vos “Make Them Laugh”, segundo single de “KR-51” (2012), o mais recente álbum de Clare and The Reasons.

E ninguém melhor que a própria Clare para nos falar sobre o projecto:

Descreve a vossa música numa frase.

Uma aventura de som, cor e textura.

Vocês são de Brooklyn. Nasceste em Nova Iorque? Conta-nos a tua história. Como se formaram os Clare and The Reasons? Como chegaram à colaboração com o Sufjan Stevens? 

Eu sou nascida e criada numa ilha do Massachusetts, num sítio muito bonito e tranquilo. Muita pesca, cavalos, etc. Desde muito jovem que me interessei por música e acabei por ir fazer a escola de música em Boston. Conheci lá o Olivier Manchon e eventualmente formámos os Clare and The Reasons. Tem sido um projecto onde seguimos as nossas maiores ideias e não tentamos encaixar numa categoria ou estratégia comercial. Fazemos música que achamos interessante e na esperança que algumas pessoas se venham a identificar com ela. Não seguimos nenhum tipo de corrente, então não sentimos qualquer tipo de pressão para soar tipo algo ou alguma outra banda. Adoramos combinar a criação de canções com orquestrações e ver até onde isso nos pode levar a partir daí.

Até que ponto pode Brooklyn ser uma maior influência para vocês?

Fizemos o nosso mais recente álbum, “KR-51”, em Berlim e fomos muito influenciados pela escuridão e pela luz de lá. Histórias tão fascinantes e tão diferentes daquelas em que sempre me revi e aprendi muito sobre o modo de vida em Berlim, muito mais pausado do que o de Nova Iorque. Em Brooklyn há tante gente a fazer música que por vezes se torna quase genérico, mas em Berlim foi óptimo conhecer tantos tipos diferentes de gente que não está a tentar passar à frente de ninguém como em Nova Iorque – existe mesmo um sentido de qualidade de vida que parece ser mais importante em Berlim. Ter tempo para desfrutar das mais pequenas coisas. Foi uma óptima lição para mim. Abrandar!

A banda editou um álbum ao vivo, gravado num concerto no Paradiso (Amesterdão). Porquê esse específico concerto? Teve algo a ver com a sala, com o público, com o momento da banda? 

Simplesmente decidimos gravá-lo e adorámos o resultado final. É um local tão especial que decidimos partilhá-lo. Tínhamos uma fabulosa secção de sopro connosco nessa noite. Havia qualquer coisa de mágico no ar. Acho importante a partilha de gravações ao vivo, porque é possível capturar algo diferente.

Alguma vez estiveste em Portugal? Que ideia tens do país?

Tenho muita pena de dizer que nunca estive em Portugal. Fomos convidados para tocar em vários países da Europa, mas nunca em Portugal. Quero muito ir lá! Tenho alguns amigos Portugueses que adoro e espero que um dia possa visitar o país. Oiço coisas muito boas de toda a gente que toca lá.

Algum artista específico que gostes de Portugal?

Bem, todo o fado que ouvi é muito emocionante e bonito.

É difícil para uma mulher estar no mundo da música? Em que formas se poderá sentir a diferença entre homem e mulher, nesse mundo?

Essa é uma questão difícil. Em algumas formas continua-se a sentir que é uma espécie de “clube” masculino. Como, por exemplo, os promotores e programadores continuam a ser na sua maioria homens. Mas acho que é uma hipótese real e justa, para qualquer mulher que trabalhe muito, chegar a algum lado neste meio. Por vezes as pessoas querem fazer imagens bonitas e tu só pensas: “Que importa isso? Vamos mas é fazer música!” Então espero que haja uma boa audiência por aí fora, que goste de julgar o livro pelo conteúdo e não pela capa.

Quais as tuas maiores influências femininas?

Adoro todas as senhoras do blues antigo, dos 20’s aos 40’s. Bessie Smith, Ma Rainey, Dinah Washington, Etta James… Eram mulheres incrivelmente fortes e influentes, que tiveram que meter tudo contra questões raciais e sexistas para trazer a arte delas ao mundo. Enormes almas.

A vossa música é bastante cinematográfica. São os filmes uma enorme influência no vosso trabalho?

Adoro cinema. Acho que normalmente escrevo canções com enormes imaginários visuais em mente. Penso em cenas e em personagens para as escrever e depois as orquestrações trazem o sentido de cor e de escape. Como um filme. Truffaut é o meu favorito.

Algum realizador que gostasses de colaborar?

Wes Anderson, Noah Baumbach, Lynne Ramsay, Klapisch…

Que podemos esperar do vosso projecto, no futuro?

Na verdade temos feito bandas-sonoras para alguns documentários. Um sobre Ricky Jay que já estreou nos EUA, que é óptimo! Eu e o Olivier esperamos fazer bandas-sonoras para ficção em breve. Também há algo mais dos Clare and The Reasons no horizonte. Algumas ideias a fermentar…

Algum conselho para jovens artistas musicais femininas?

Pratiquem o vosso instrumento!

Website

Wikipedia

O nosso muito obrigado! Votos do maior sucesso para os Clare and The Reasons! Foi um prazer tê-los connosco.

Em breve, o segundo contributo para a rubrica que nunca chegou a acontecer. Fiquem atentos!

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