Plano Nacional de Cinema (Para Jotas)

Uma das melhores (e, creio eu, das mais consensuais) medidas implementadas na mais recente Lei do Cinema e do Audiovisual foi a da criação de um Plano Nacional de Cinema.

No ano-piloto desse mesmo Plano Nacional de Cinema (2012/13), 23 escolas espalhadas por todos os distritos do país puderam contribuir (num esforço singular da memória recente) para o combate à iliteracia do cinema e para a formação de um olhar crítico nos novos públicos. Jovens do 5º ao 12º ano passaram a ter a possibilidade, creio que pela primeira vez na História de Portugal, de seguir uma “educação cinematográfica” segundo um plano pré-definido à escala nacional.

Não sei como está o ponto actual da situação, se o Plano Nacional de Cinema continua ou não em execução, ou se os filmes previamente delineados se mantêm, mas partindo do princípio que o próprio Secretário de Estado da Cultura – na altura da implementação do Plano, Francisco José Viegas – reconheceu o cinema enquanto elemento fundamental para a educação, tudo indica que o projecto conquistou a devida relevância no panorama cultural/educativo nacional.

A lista que servia de matriz ao programa era óptima. Incluía filmes de conceituados realizadores oriundos um pouco de todo o mundo (Tim Burton, Steven Spielberg, Abbas Kiarostami, Charlie Chaplin, Abdellatif Kechiche, Martin Scorsese ou até George Méliès, entre outros) e vários outros do que melhor se tem feito em Língua Portuguesa no cinema. Do antigo ao novo. Alguns mais obrigatórios do que outros. Não era completa, nunca o poderia ser, mas fora cuidadosamente elaborada e adequada ao propósito que a fez nascer. Não tenho nenhumas dúvidas em relação a isso.

A única questão que me preocupa – e assumindo o poder que o cinema tem enquanto motor educativo, quase do espectro da magia; chamemos-lhe até, de um hipnotismo benéfico – é que a larga percentagem dos Jotas que irão representar os partidos políticos do nosso país nos anos vindouros já não tenham sido obrigados a passar por este Plano Nacional do Cinema. Quiçá para constrangimento dos ideais que lançaram essa proposta na nova Lei do Cinema e do Audiovisual, é incontornável: a maior parte dos actuais membros das Juventudes Partidárias já estavam lançados no ensino superior no ano 2012/13. E o Plano Nacional do Cinema não abrangia o ensino superior.

Posto isto, e porque nunca se vai tarde quando se chega a horas, quero aproveitar este espaço para lançar a minha proposta: a da criação de um Plano Nacional de Cinema para Jotas.

Porque sabemos que, com ou sem o nosso consentimento, daqui a mais ou menos tempo serão eles a tomar as rédeas dos dirigismos de tudo aquilo que tem voz e poder em Portugal – e esta abrangência, são factos, estende-se das redes ou grupos de comunicação às PPPs, aos bancos, às fundações e até ao próprio governo – acho que pelo menos devíamos tentar esta radical medida. Talvez não sirva de nada, e só estejamos a tentar servir pipocas a quem as não quer comer, mas gosto de acreditar que os filmes podem ajudar a imprimir determinados valores e a sujeitar a reflexões que, na ausência, por vezes caem no inconsequente vazio da memória humana.

São só 10 filmes. Menos de 20 horas de enriquecimento pessoal, mas que podem vir a fazer toda a diferença. Afinal de contas, é o nosso país que está em causa.

1. Mr. Smith Goes To Washington (1939), Frank Capra

Porque um homem, em regime democrático, pode fazer toda a diferença.

2. Schindler’s List (1993), Steven Spielberg

Porque a memória é nossa aliada.

3. 12 Angry Men (1957), Sidney Lumet

Porque a justiça só existe depois de esmiuçada a verdade.

4. One Flew Over The Cuckoo’s Nest (1975), Milos Forman

Porque todo o homem nasce livre, vive livre e morre livre.

5. The Great Dictator (1940), Charlie Chaplin

Porque Chaplin fala, pela primeira vez nos seus filmes. E diz tudo.

6. Citizen Kane (1941), Orson Welles

Porque com o grande poder vêm as grandes responsabilidades.

7. Los Olvidados (1950), Luis Buñuel

Porque mostra que a verdade está acima de qualquer classe social ou valor moral.

8. Tokyo Story (1953), Yasujiro Ozu

Porque nunca devemos esquecer quem nos deu a possibilidade de viver.

9. Children of Men (2006), Alfonso Cuarón

Porque o reforço da taxa de natalidade deve estar sempre na linha da frente da ordem de trabalhos.

10. Into The Wild (2007), Sean Penn / ou There Will Be Blood (2007), Paul Thomas Anderson / ou Dr. Strangelove (1964), Stanley Kubrick / ou The Shawshank’s Redemption (1994), Frank Darabont

Porque nem tudo é material nesta vida.

EPÍLOGO

Guerra Civil (2010), Pedro Caldas

Porque continuamos a ter cinema de grande qualidade em Portugal. E, paradigmaticamente, não chega às salas.

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One thought on “Plano Nacional de Cinema (Para Jotas)

  1. It’s not a good idea tto sskimp on your fertilizer though.
    Almost every Michigan homee landscape plan includes shrubs but unfortunately when you look around a new subdivision almost all the homes will include the same types
    of shrubs. Yoou will also need to determine how much
    you need, where your stones will go, what yor budget is, and what elements your stones will be exposed to, as different stones
    are more appropriate than others for certain uses or under certain conditions.

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