ALY MURITIBA

capa

1979, BR

Sou grande admirador do trabalho e percurso de vida do meu bom amigo Aly Muritiba. Conheci-o pela primeira vez em 2015, num daqueles acasos que a vida curiosamente proporciona, e desde então tive o prazer de visitar e conhecer o belíssimo festival de cinema que a sua produtora GRAFO AUDIOVISUAL organiza (Olhar de Cinema, em Curitiba) e de com isso descobrir a sua obra (e incrível testemunho de vida) em maior detalhe.

Aly é um dos mais seguros (e bem sucedidos) novos nomes da cinematografia Brasileira. Não nasceu em berço de ouro, muito menos de tradição cinematográfica, mas sim no interior da Bahia e nada no seu trajecto indicava que viria a tornar-se num dos mais promissores cineastas do país. Depois de uma breve temporada na casa de uma tia em São Paulo, onde chegou no final dos 90’s com 17 anos para estudar História, Aly conheceu a sua esposa e mudou-se com ela para Curitiba. Debatendo-se com dificuldades para conseguir emprego na sua área de historiador, Aly começou por trabalhar nos bombeiros com salário muito baixo e logo depois como guarda penitenciário onde o salário era um pouco superior.

Sentindo-se também ele um recluso, numa experiência capaz de marcar uma vida, começou a procurar um escape. Cursou cinema quase por acidente (num programa que pagava aos guardas penitenciários formação superior numa espécie de novas oportunidades) e aí conheceu as 2 pessoas que viriam a abraçar o seu desejo cinematográfico – Marisa Merlo e Antônio Junior, hoje seus sócios e companheiros de armas na GRAFO Audiovisual.

O resto é História. Aly dirigiu 2 das curtas-metragens mais premiadas internacionalmente do novo cinema Brasileiro (Pátio e Fábrica), a brilhante longa-metragem que chegou este ano aos cinemas Para a Minha Amada Morta e co-dirigiu recentemente a também ela muito viajada curta-metragem Tarântula com Marja Calafanje.

Sundance, Veneza, Cannes, San Sebastian, as suas obras têm passado por todos os grandes certames internacionais do género. É um conjunto de filmes incrivelmente sólidos, que abraçam de igual forma uma eficaz base narrativa e uma ideia de cinema mais emocional / humanista, sendo que especialmente Para a Minha Amada Morta é uma enorme influência para mim enquanto potencial autor – a forma como domina as convenções do género e o detalhado engenho referencial que vai introduzindo os detalhes da narrativa (e a verdadeira extensão dos personagens), contornando as expectativas que vão sendo geradas ao longo do filme por indícios de clichés não concretizados.

Sublime. Exemplar. Merece o mundo e tem feito por isso. Será uma questão de tempo até chegar à primeira liga.

Deixo aqui Fábrica, uma pequena grande amostra do seu talento.

#26 // INFLUÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS

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