KEVIN MACDONALD

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1967, UK

O Escocês Kevin MacDonald não é propriamente novo no jogo da criação cinematográfica. Ele é, aliás, neto de Emeric Pressburger (que juntamente com Michael Powell formou uma das mais prolíficas e talentosas duplas do cinema Britânico) e irmão de Andrew MacDonald (produtor de quase todos os filmes de Danny Boyle, incluindo os icónicos Trainspotting e o recente Ex-Machina de Alex Garland). É fácil de imaginar, portanto, que Kevin nasceu e cresceu rodeado da mais ilustre magia cinematográfica.

Essa herança está precisamente relacionada com os seus primeiros desejos de criação cinematográfica – o seu primeiro documentário The Making of An Englishman (1995) retrata a incrível jornada do avô Pressburger até este se afirmar como um dos maiores nomes do cinema mundial. Seguiram-se meia-dúzia de documentários biográficos sobre figuras icónicas do mundo das artes, tão variadas como o vilão dos filmes de Chaplin, o virtuoso Howard Hawks, Mick Jagger ou o mestre do cinema documental Errol Morris.

Sempre nessa motivação de aprofundar personagens fortes nos seus trabalhos, foi com alguma naturalidade que chegou à primeira liga dos documentary-makers com One Day in September (1999), um filme que se foca num dos terroristas sobreviventes dos atentados nas Olimpíadas de Munique. Com este filme conquistou o Óscar de Melhor Documentário.

Poucos anos depois fez um percurso glorioso com Touching The Void (2003), um documentário sobre alpinistas que – aproveitando a metáfora – o levou até ao cume da montanha do cinema do real. Depois disso lançou-se na ficção e o seu primeiro take não defraudou expectativas – o sublime The Last King of Scotland (2006), que deu a Forest Whitaker um primeiro e muito merecido Óscar de Melhor Actor.

Com uma estreia na ficção tão envolvente e consensual, não foi surpresa nenhuma ter sido Kevin o eleito para adaptar ao grande ecrã o sucesso televisivo State of Play. O brilhante Thriller que daí resultou em 2009 é uma obra marcante e que conjuga de forma muito equilibrada convenções de género com afirmações de autor (e alguma crítica política).

Em 2011 foi a pessoa incumbida de montar as milhares de horas de footage recebidas via youtube no magnífico experimento Life in A Day, numa produção de Ridley Scott. Deu conta do recado com uma eficácia impressionante, o que serve por si só como uma enorme demonstração da sua capacidade em envolver o espectador numa determinada proposta visual.

Ainda não assisti os 2 filmes de ficção que se seguiram, The Eagle (2011) e How I Live Now (2013), mas fiquei novamente impressionado pela positiva com a sua investida no género de Thriller de Submarino em Black Sea (2014). Muito bom foi também o seu regresso ao documentário com o biopic de Marley em 2012 – um dos mais sólidos documentários biográficos que retenho na memória.

Influencia-me sobretudo a sua dedicação a personagens fortes (e bem escritos) e a mestria num desenvolvimento narrativo consistente e envolvente a toda a escala. Talvez a sua escola de cinema documental tenha contribuído com uma percepção das ideias de ferramentas visuais (uso de câmara e cinematografia) ao seu dispor e talvez a sua árvore genealógica lhe tenha incutido uma orientação dramática de fazer inveja aos demais. Kevin nunca perde o eixo aos seus filmes, e torna-se com isso um exímio storyteller.

Não duvido que o seu melhor ainda estará para vir.

#25 / INFLUÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS

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