MARTIN MCDONAGH

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1970, UK

Martin McDonagh tem uma prolífica carreira no teatro (enquanto dramaturgo) prévia à sua actividade cinematográfica. Já entretanto consagrado como um dos nomes fortes do novo teatro Britânico, não foi surpresa a sua incursão na 7ª arte. Six Shooter, a sua primeira curta-metragem, conquistou logo o Óscar da respectiva categoria. Foi nessa altura que tive o primeiro contacto com a sua obra e com o muito elaborado diálogo (com as doses certas de humor negro) que foi logo o que mais me saltou à vista na sua assinatura. Tinha o seu quê de Tarantinesco, pensei então.

A sua primeira longa-metragem foi a muito celebrada In Bruges, um dos icónicos filmes do novo milénio e uma das maiores referências de cinema de culto moderno. O seu toque de Tarantino ganhava ainda maior expressão nesse filme e a sua qualidade na dramaturgia afirmava-o como uma das grandes potências cinematográficas para os anos vindouros.

Seven Psychopaths, a sua segunda longa-metragem, não foi tão consensual. Mas eu achei o filme tão bom ou ainda melhor que o prévio. Incríveis personagens, excelente construção narrativa (com o tempero certo de loucura), é claramente um filme de escritor e dos seus actores/personagens. McDonagh não é um virtuoso da cinematografia (o seu irmão John Michael McDonagh do perturbador Calvary, curiosamente, parece explorar mais essa faceta), mas é sem dúvida um predestinado nas competências dramatúrgicas.

Tem uma 3ª longa metragem em pós-produção (Three Billboards Outisde Ebbing, Missouri) que pelo título já intriga. McDonagh é o verdadeiro exemplo de que as valências do teatro podem ter uma expressão forte no meio cinematográfico. É um verdadeiro herdeiro do legado de autores como David Mamet, Quentin Tarantino, David O. Russell ou até de certa forma Wes Anderson ou Woody Allen, e tem tudo para se afirmar como um dos principais autores cinematográficos dos próximos tempos.

Apesar de quase todos os nomes que menciono nesta lista serem exímios seguidores de uma procura do cinema enquanto forma de expressão e narrativa visual (e preferirem na sua maioria o valor do silêncio à força da palavra), Martin McDonagh é a prova de que existe valor cinematográfico num jogo de dramaturgia e com total expressão na construção de diálogos. Deixo-vos o premiado Six Shooter, que serve como uma excelente introdução à sua obra.

#22 / INFLUÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS

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